O vírus e o verme

Com o país em resguardo, nestes tempos da peste, o grande líder abraça o povo de leste a oeste; e entre tosses e cusparadas, repete à patuleia assim ajuntada o que dessa gente morena lhe interessa: o fim da quarentena, que o resto não tem pressa.

E assim, com esse adágio, não podendo lhe garantir renda, garante-lhe ao menos o contágio.

Desse modo, carregando nas mãos a crise sanitária, o grande líder distributivista leva o povo a mais uma conquista, com sua peculiar reforma agrária: sem médicos e sem remédio, sem pão e sem casa, dá-lhes partilhar o chão da cova rasa.

E para tanto, com tino e planejamento e uma visão que não se ilude, nomeou o coveiro como ministro da saúde.

Tendo por si tal despautério, a morte sorri com desdém do homem de bem em cada necrotério. E o demônio vai somando féretros e engodos: o Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.

Já o povaréu agradecido, arrebanhado em um cercado, tal fora gado, ou bom cabrito, responde ao grande líder: mito, mito, mito.

Vomito.

PS: Oficina de Concertos Gerais e Poesia – em algum lugar sempre em frente e à esquerda.

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