Ofício mostra mudança repentina da Anvisa para afrouxar regras que beneficiam Sputnik

Curiosamente, a ação aconteceu após o governo federal pressionar a aprovação do imunizante com a intenção de torná-lo a “vacina de Bolsonaro”

Imagem: RDIF/Reuters

Jornal GGN – Um ofício assinado em 22 de janeiro pelo diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, mostra como o órgão fez uma mudança brusca e inesperado ao flexibilizar nesta quarta-feira, 3, as exigências para o uso emergência de vacinas contra a Covid-19 no país. 

O novo entendimento beneficia o imunizante Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, da Rússia, e produzido no Brasil pela União Química. Curiosamente, a ação aconteceu após o governo federal pressionar a aprovação do imunizante com a intenção de torná-lo a “vacina de Bolsonaro”

Apesar do Instituto Gamaleya ter informado que a taxa de eficácia da vacina é de 91,4% contra a Covid-19, o imunizante enfrentava, até então, a falta de informações para que fosse aprovado pela Anvisa, como as pesquisas de fase 3 do produto no Brasil, que envolve os testes em humanos

Ontem, no entanto, a agência reguladora passou a considerar a retirada da exigência de que os estudos de fase 3 estejam em andamento dentro do país para a concessão do aval de uso emergencial. 

A decisão vai na contramão do documento recente de 22 de janeiro, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal  (STF). Nele, Torres defende a realização dos testes como condição para a busca por uma autorização emergencial. Além de afirmar que os ensaios garante a segurança e eficácia de um imunizante, informou a Folha de S. Paulo.

“Os ensaios clínicos de fase 3 são realizados em grandes populações para avaliar a segurança e a eficácia da vacina. A vacina precisa provar que, de fato, é capaz de nos proteger da doença e não trazer qualquer sequela grave àqueles que a utilizarão”, afirmou o presidente da agência.

“Exigir que esses testes estejam acontecendo no Brasil facilita o controle da agência sobre esses dois itens essenciais para proteção da população brasileira.”

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