Ora, a velhice…

“Quando quis tirar a máscara,
estava pregada à cara. Quando a tirei
e me vi ao espelho, já tinha envelhecido.”
Fernando Pessoa

Um texto sobre a velhice foi elevado a post e suscitou alguns comentários. Entre eles o meu o qual, laconicamente, dizia:  “manicomial”. Reforcei a ideia com o título “Clorpromazina”, o nome químico do Amplictil, uma droga classicamente utilizada como antipsicótico. A resposta não tardou e agressivamente acusava-me de “desqualificar o adversário” etc. Laconicamente, também, repetia aquilo que condenava dizendo “velho é f…” e que era criticado através de um “ataque pessoal com duas porcas linhas”.

Sigamos, então, à desconstrução metódica, ainda que imerecida, das opiniões ali emitidas.

Henrique Cairus, da UFRJ, lembra-nos que “basta que nos distanciemos de um lugar para que sua cultura se torne um único bloco, uniforme e constante”, de tal modo que, quando em viagem ao exterior, é fácil falarmos sobre o comportamento de brasileiros como se homogêneo fosse. Mas, também ocorre o mesmo quando nos distanciamos de nosso estado ou nossa cidade e, diante da heterogeneidade do comportamento geral nacional, estereotipemos como agem os paulistas ou os sorocabanos. Fácil é, portanto, dizer que assim ou assado são os ingleses, os franceses, etc…

Ajunta este autor que “a uniformidade que a distância engendra resulta na estreiteza com a qual nos deparamos ao lermos textos onde a cultura é depreendida  exclusivamente” sob um ponto de vista também estreito: usando somente a arte (como se os artistas não pudessem negar os valores sociais) a arquitetura (como se revolucionária não pudesse ser), etc. O que diremos, então, de um texto opinativo, carente de referências, pautado pelo preconceito, movido pela jocosidade e eivado de amargura e angústia diante do inevitável: a velhice!

Não vou enaltecê-la, mas entendê-la.

Os gregos antigos (mesmo tendo em conta o empobrecimento inerente à utilização de poucas referências para dizer “como eram” ou “o que achavam”) tinham Geras, o qual personificava a velhice, sempre acompanhado de Tánatos, a morte. Para os romanos, era Senectus. Filho de Nix (a noite), uma das entidades primordiais de Hesíodo, os deuses “maiores” o respeitavam e temiam sua crueldade, mas valorizavam sua experiência. Era o deus que punha o fim às injustiças, pois negava-lhes tornarem-se eternas e, por esta razão, era permitido que habitasse o Olimpo.

Uma história interessante relacionada com a velhice é a de Tinoto, irmão de Príamo, o rei de Troia. Amante de Eos (o amanhecer), esta o fez imortal mas se esqueceu de fazê-lo eternamente jovem, de modo que Tinoto envelheceu e tornou-se decrépito. Foi  abandonado, com repulsa, pela amante. Transformou-se em cigarra. É legal lembrar que a cigarra pode permanecer até vinte anos (ou mais) como ninfa sob a terra, quando, em poucos dias, emerge, sobe nas árvores, sofre uma metamorfose e entra na fase reprodutiva, morrendo em seguida. Novamente os gregos apontam para o reconhecimento do ciclo da natureza: nascimento, morte e renascimento, estando aí a essência da imortalidade.

É Hesíodo também que conta sobre a existência de uma raça dourada de homens que passavam centenas de anos sem envelhecer e, quando chegava o seu dia, morriam enquanto dormiam.

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Aristóteles e Galeno achavam que se nascia com uma certa quantidade de energia ou “calor interno”, o qual ia fenecendo até a velhice e a morte. Influenciaram fortemente os médicos e pensadores depois deles no sentido de que o segredo para uma vida longa estaria na abstinência do consumo de carne e álcool e numa metódica vida regrada a qual dissipasse o menos possível esta energia interna. Há ainda hoje os que acreditam nisto.

Em Homero (Ilíada I, 262-74) encontramos a velhice personificada em Nestor, os mais idoso dos expedicionários gregos que cercaram Troia:

Eu não vi mais – e nem mais verei – homens
Tais como Pirítoos; Diras, o pastor de povos;
Ceneu; Exádio; o divino Polifemo ou
Teseu, filho de Egeu, semelhante aos imortais.
Aqueles, sim, foram os homens mais fortes dentre os que pisaram a terra;
Mais fortes eram, e como tais lutavam
Contra as Bestas Alpinas, terrivelmente a guerrear.
Para estar entre eles, vim de longe, vim de Pilos,
Daquela distante terra; pois eles me chamaram.
E eu lutava sozinho. Contra aqueles, nenhum
Hodierno mortal dos que pisam a terra poderia lutar
E quando eu aconselhava, eles refletiam e seguiam as minhas palavras.
Ouvi-as, pois, também vós; porque o melhor é ouvi-las.

Como vemos nos versos acima, sua autoridade não vinha do fato de ser velho, mas baseava-se em três premissas: ele era testemunha ocular do passado; fora não somente testemunha, mas protagonista e, finalmente, o valor de sua palavra.

Porém, a ideia de velhice como maldição também está presente entre os gregos, na poesia de Mimnermo (séc VI-VII a.C.):

É breve como um sonho e repleta de honra
A juventude; enquanto a terrível e disforme
Velhice pende repentinamente sobre nossa cabeça,
Odiosa e também desonrada, ela torna irreconhecível o homem,
E fere seus olhos e suas mentes ao envolvê-los.

Entre os Egípcios encontramos registros, há cerca de 5 mil anos, de textos afirmando que “viver 110 anos era o prêmio de uma vida equilibrada e virtuosa”.

Na Israel bíblica, maltratar os pais era um crime passível de ser punido com a morte e seu órgão gestor máximo, o Sinédrio, era composto por 70 anciãos do povo.

Entre romanos antigos era extremamente raro que alguém chegasse ao Senado antes dos 30 anos e ao cargo máximo de Cônsul antes dos 40. Antes passavam por um longo treinamento (cursus honorum), ocupando cargos civis determinados pela experiência, idade e posses. Por outro lado, garantiam a renovação das lideranças impedindo que os cargos mais altos fossem ocupados sucessivamente, havendo o intervalo de 4 a 10 anos entre um mandato e outro, isto com honrosas exceções!

Fazendo um grande interregno, vemos que na Idade Média, a velhice é associada com a mendicância. È o homem desprotegido, sem família que o sustente, sem forças para vencer as intempéries da vida ou seus inimigos, incapaz de trabalhar e produzir. Era o vieux (velho) ou o veillard (velhote): aquele que não desfrutava de status social. À exceção, claro, os religiosos e os velhos senhores ungidos de poder e riqueza: a estes a idade avançada assegurava que eram sábios e administradores experientes. Esta incapacidade de produção social era marcada entre os antigos esquimós pela perda dos dentes: o velho tornava-se incapaz de mascar e amaciar o couro e era então abandonado em regiões inóspitas para morrer.

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Somente mais adiante é que a velhice será entendida sob novas luzes. Francis Bacon (1561-1626) escreveu “A História Natural da Vida e da Morte e a Prolongação da Vida”, defendendo a ideia de que um espírito jovem inserido em um corpo velho faria regredir a evolução da natureza. Benjamim Franklin (1745-1813) por sua vez é o primeiro a dizer que são as doenças responsáveis pela morte e não o envelhecimento – que não é doença. Em 1867 o eminente médico francês Jean Marie Charcot, realizou pesquisas com o intuito de estudar o processo de envelhecimento, suas causas e consequências sobre o organismo, produzindo o “Estudo clínico sobre a senilidade e doenças crônicas”.

Em 1900, a expectativa média de vida do brasileiro era de impressionantes 33 anos. Atualmente beira os 70 anos. Em países onde o capitalismo encontra-se mais avançado, supera os 75 anos e no Japão, quase supera os 80 anos. Nos tempos modernos, após a revolução industrial, a expectativa de vida melhorou inicialmente com a salubrização do trabalhar e do morar: limitação das horas trabalhadas, melhoria das condições gerais de trabalho, acesso à água tratada, esgotos, casas de alvenaria, etc.  Depois com o avanço nas políticas de proteção social: proteção ao emprego e ao salário, segurança alimentar, férias, descanso semanal, aposentadoria e instituição de um programa de saúde pública mais ou menos eficiente. Num segundo momento, com o advento de uma medicina científica eficaz e o uso de ferramentas como as vacinas, os antibióticos e as drogas contra as doenças crônicas e degenerativas: diabetes, hipertensão, doenças vasculares, etc.

James W. Vaupel (Duke University) e Jim Oeppen (Cambridge) escreveram recentemente que “a expectativa de vida não parece chegar a um limite” e dizem ainda que “todas as tentativas de prever qual seria a expectativa de vida no futuro foram quebradas, desde as que foram feitas em 1928 até as elaboradas em 1990 (…), em média, a realidade ultrapassou a expectativa projetada em cinco anos.”  Aubrey de Grey acrescenta ainda que a primeira pessoa a comemorar seu aniversário de 150 anos já nasceu.

As teorias modernas sobre o envelhecimento dividem-se em duas correntes: uma acredita que o processo de envelhecimento está embutido no código genético e outra, mais aceita, crê que o envelhecimento é o somatório de danos aleatórios acumulados no organismo. Richard Lerner (La Jolla, California) acredita que o contínuo processo de divisão celular acumula erros no DNA. Jay Olshansky diz que mecanismos protetores existentes no DNA para evitar estes erros ou o estabelecimento de certas doenças deixam de funcionar conforme progride a idade. Diz este último autor: “envelhecer não se deve a uma intenção evolucionária, mas a uma negligência da seleção natural”.

O fenômeno do envelhecimento, ainda que entendido sob o ponto de vista biológico, não pode deixar de sê-lo também como processo social. Sob o ponto de vista do materialismo dialético, as questões inerentes ao idoso relacionam-se mais com a luta de classes do que com o conflito de gerações, uma vez que ao velho não é permitida sua participação nas relações interpessoais, de tal modo que este ator social tem compartilhado seu lugar de exclusão na sociedade com outros grupos como: mulheres, negros, índios, portadores de necessidades especiais, etc.

A sociedade japonesa, por exemplo, entende que uma organização social é tão respeitável quanto sua forma de tratar crianças e velhos. Há não muito tempo atrás, João Paulo II decretou o ano de 1999 como o Ano Internacional do Idoso, escrevendo a “Carta aos Anciãos”, na qual dizia que estes ajudam a contemplar os acontecimentos terrenos com mais sabedoria, porque as vicissitudes os tornaram mais experientes e amadurecidos.

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Envelhecer com qualidade de vida no Brasil ainda é um desafio. Se a legislação extinguiu, para a tristeza de uns poucos, as instituições manicomiais, ainda não o fez com as “casas de repouso”. Nelas podemos constatar aquilo que Diderot dizia: “Honra-se a velhice, mas ela não é amada”.

Dirceu Nogueira Magalhães diz, em seu livro “A Invenção da Velhice” que “a distribuição da velhice por classes e grupos sociais mostra o perfil equivalente da concentração da riqueza e do poder em nosso país (…); no meio rural e na periferia urbana os velhos excluídos, anônimos e marginalizados (…), nas classes médias, o isolamento, a perda de papéis familiares e de trabalho, associados às perdas de poder aquisitivo, não compensadas pela aposentadoria”.

Mílton Nascimento, junto com Fernando Brandt, cantou (Promessas do Sol):

Você me quer forte
e eu não sou forte mais
sou o fim da raça, o velho, o que já foi
chamo pela lua de prata pra me salvar
rezo pelos deuses da mata pra me matar

Você me quer belo
e eu não sou belo mais
me levaram tudo que um homem precisa ter
me cortaram o corpo à faca sem terminar
me deixando vivo, sem sangue, apodrecer

Você me quer justo
e eu não sou justo mais
promessas de sol já não queimam meu coração
que tragédia é essa que cai sobre todos nós
que tragédia é essa que cai sobre todos nós

Concluindo: o envelhecimento é um paradigma que está sendo superado gradativamente. Não há gerontocracia no Brasil. Há sim uma imensa dívida social com nossos velhos, nossas crianças, nossos índios…

A velhacaria, por sua vez, é um estado de espírito que o jovem, inicialmente apenas cínico, aprimora ao estado da arte quando atinge idade mais provecta: Roberto Jefferson, a estrela do chamado “mensalão”, afirma que seus parceiros “podem ficar em paz, porque eu não vou revelar” [quem recebeu os 4 milhões que ficaram sob sua guarda]. Mais ainda: “nunca me arrependi”. Em contraposição, outros idosos como Florestan Fernandes e Darcy Ribeiro serão luminares para várias gerações à frente.

O resto é só standup.

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8 comentários

  1. A Corda de Areia

    Segue um conto que o Prof. Júlio César de Melo e Souza (Malba Tahan) traduziu (já publiquei por aqui, mas faz tempo e sempre é hora de relembrar):

    Lembro-me muito bem. Foi ao cair da tarde. O céu estava brusco e o ar pesado e imóvel. O sábio e judicioso rabi Haggai chegou, sentou-se no terceiro banco, à esquerda, passou lentamente o lenço pela testa e, voltando-se para os jovens discípulos que o aguardavam ansiosos, narrou o seguinte:- Conta-se que existiu, outrora, um país rico e próspero, chamado Kid-Elin (leia assim: Qui-de-Lin, e não esqueça esse nome tão sonoro e simples).As caravanas que percorriam as estradas de Kid-Elin encontravam largas faixas de terras férteis e cultivadas.A mocidade de Kid-Elin, inspirada pelo Demônio, tornou-se, entretanto, agressiva, pretensiosa e má. Corrompida e envilecida pelo Mal encheu-se de rancor e despeito contra os velhos.- A velhice entrava o progresso! – proclamavam os mais exaltados. – Esse belo país entregue aos moços será mil vezes mais forte, mil vezes mais feliz e glorioso!O espírito surdo de revolta foi-se apoderando dos jovens. Que lástima (diziam) esse governo decrépito de anciãos! Que lástima!Não se sabe como, mas a inominável desgraça ocorreu. Precipitaram-se os acontecimentos. Por todos os recantos surgiam fanáticos e conspiradores.- Eliminemos os velhos! Acabemos com essa senilidade inútil!É triste relatar. Que nódoa para o mundo, que ignomínia para a História! A mocidade de Kid-Elin, presa de terrível e hedionda alucinação, exterminou todos os velhos.Todos, não. Houve um que se salvou da hecatombe. Vivia em Kid-Elin um rapaz chamado Zarmã que tinha por seu pai (homem bastante idoso) uma grande, nobre e sincera afeição. E no dia da execrável revolta escondeu o velho no fundo de um subterrâneo, livrando-o assim de cair em poder dos revoltosos homicidas. Para Zarmã a vida de seu pai era um segredo que ele não ousava revelar a ninguém.Voltemos, porém, à nossa narrativa. Exterminados os velhos, o país de Kid-Elin passou a ser governado unicamente pelos moços, alegres e inexperientes. Para o cargo de Presidente da República elegeram um jovem de vinte e dois anos; o ministro mais amadurecido pela idade não completara dezoito anos; vários generais eram, apenas, adolescentes; o Supremo Tribunal foi entregue a um mancebo de vinte anos incompletos: da direção do Banco Nacional encarregou-se um novato, que precisamente no dia da posse festejava sua décima quinta primavera!Os juvenis governantes de Kid-Elin proclamaram com alvoroço a vitória:- Eis o único país do mundo que não tem velhos! Aqui é a mocidade que governa, resolve e desresolve!Certas notícias correm pela terra com a rapidez do relâmpago pelo ar. No fim de poucas semanas recebia o mundo a informação do movimento de Kid-Elin.- Kid-Elin é o país dos jovens! Vamos todos para Kid-Elin.E as estradas encheram-se de turistas e curiosos que iam em busca da nova República.Para empanar a esfuziante alegria dos jovens senhores de Kid-Elin verificou-se um fato profundamente inquietante e desagradável. De Beluã (reino vizinho) foi enviada aparatosa embaixada constituída de técnicos, jurisconsultos e economistas. Essa embaixada, ao chegar, procurou o jovem Presidente da República e fê-lo ciente de sua espinhosa e delicada missão. Tratava-se apenas do seguinte: O reino de Beluã, por seus legítimos representantes, exigia dos moços a devolução imediata de todas as terras que se estendiam para além do rio Helvo.E o chefe da embaixada exprimiu-se em termos bem claros, sem poesia e sem retórica:- O governo beluanita, firmado em seus direitos, exige a entrega imediata do território em litígio. – Temos um tratado, nesse sentido, com Kid-Elin. Aqui estão os documentos.O Presidente, os Ministros e Magistrados de Kid-Elin examinaram os títulos e as escrituras. Tudo parecia claro, líquido, insofismável. A República de Kid-Elin era obrigada a entregar ao seu poderoso vizinho (em virtude de um acordo feito vinte anos antes), léguas e léguas de uma terra dadivosa e rica!Que fazer? Seria a ruína para o país. Seria a desgraça para os jovens!Foi então que o jovem Zarmã (que era o Ministro do Exterior) teve uma inspiração. Lembrou-se de seu velho pai.- Vou consultá-lo sobre esse caso – pensou. – Meu Pai, com a experiência que tem da vida, saberá descobrir uma solução para essa questão das terras do Rio Helvo.O ancião, consultado, pensou por um momento e disse:- Vai ao encontro desses malandros e diga que você concorda com tudo, desde que devolvam, intacta, a corda de areia!- Mas meu pai, tornou Zarmã, que corda de areia é essa? Nunca ouvi falar de tal coisa!- Mais tarde, meu filho – afiançou o velho encolhendo os ombros – mais tarde entrarás também na posse desse grave e precioso segredo. Por ora é cedo. Segue o meu conselho, e tudo estará resolvido para o bem de nossos patrícios!Cega era a confiança que o diligente Zarmã depositava em seu Pai. No dia seguinte recebeu a embaixada reclamante, e na presença do Presidente, Ministros, Magistrados, Generais e altos-funcionários (eram todos muito jovens) repetiu fielmente as palavras que ouvira do ancião:- A República de Kid-Elin está resolvida a devolver o território por vós reivindicado. Exige, porém, que o Reino de Beluã cumpra na íntegra os seus compromissos e devolva intacta a corda de areia!Ao ouvirem tal sentença mostraram-se alarmadíssimos os embaixadores beluanitas. Aquela exigência final, expressa pela exigência da devolução da “corda de areia” caiu como uma bomba no meio deles. O chefe da embaixada ficou pálido e trêmulo. E depois de trocar algumas palavras, em voz baixa, com seus conselheiros e ajudantes, assim falou de rompante, com nervosa decisão:- Desistimos de nosso pedido. Podeis conservar, para sempre, o território do Helvo, com todos os seus campos e searas.Neste ponto fez o estrangeiro uma pausa, e logo ajuntou com voz estorcegada, cortante de ironia e rancor, sacudindo o busto com dureza:- Cabe-me, entretanto, desmentir as notícias propaladas pelos vossos agentes e emissários. Posso jurar que a República dos jovens não existe. Tudo mentira! Há velhos, ainda, neste país!Mas, afinal, que significa isso: – Corda de areia?Eis o segredo que o Tempo (e só o Tempo) se encarregará de revelar aos jovens. A velhice é um tesouro. Tesouro de sabedoria, clarividência e discrição. Sem o amparo seguro da velhice, a parcela jovem da humanidade estaria perdida e extraviada, pelos descaminhos da vida. É a velhice que sabe onde encontrar essa maravilhosa corda de areia que liga o Passado ao Presente e enlaça o Presente com o Futuro.E o bondoso e paciente rabi Haggai repetia quarenta vezes falando aos discípulos atentos:- Lembrai-vos, meus jovens amigos, lembrai-vos sempre da “corda de areia”.

  2. ironia é que, quando jovem, o

    ironia é que, quando jovem, o ara não aproveita por falta de sabedoria.

    quando velho, mais sábio, não aproveita  por falta de juventude.

    • Velha piada

      Há uma velha piada que diz que, quando você é jovem, tem disposição, tem tempo mas não tem dinheiro. Lá pelos 40 vc tem disposição, dinheiro mas não tem tempo. Aos 70, tem dinheiro, tem tempo mas não disposição….

      Abs generalizados!

  3. Não há na verdade nada a

    Não há na verdade nada a dizer, depois da réplica profunda e também do primeiro comentário sábio. Só quero evocar a prática da Revolução Cultural, na China. De novo, a memória histórica, prerrogativa dos velhos ou, pelo menos, dos velhos textos, previne contra uma exaltação centrada num certo precoceito específico. A Revolução Cultural mostra no período presente (é, eu ainda considero presente) como o menosprezo do passado é periogoso, como a velha sabedoria, dos gregos, dos árabes e dos chineses, pode ensinar nossa vida presente. É uma grande ilusão esta confusão entre novidade, juventude, verdade, conhecimento e sabedoria que foi manifestada naquele post anterior, a que este reage de forma infinitamente qualificada. Eu que escrevo sou uma dessas pessoas que não sabe se é velha ou jovem. Tenho hoje 48 anos. Eu acho que sou velho. A maioria dos cabelos de minha barba são brancos. Acho que seria um ancião entre os gregos. Por outro lado, estou bem distante dos exemplos trazidos pelo autor daquele post preconceituoso a que este reage. Sou de meia-idade, então, pertenço a esse grupo dos que ainda não se aceitam velhos, e que também não estão mais no grupo dos economicamente competitivos criativamente, imagino, pela visão generalizada na sociedade. Paradoxalmente, sou responsável pela formação de pessoas que entram na universidade com entre 17 anos e 60 anos, entre a graduação e o doutorado. Tenho alunos de graduação de 17 e de 60 que são colegas. Tenho alunos de mestrado com 23 e com 60, tenho doutorandos com 27 e com 60. E aí, sou velho demais? E meus alunos, o que são? Quem é jovem ou quem é velho? Dá para quantificar estes adjetivos numericamente? Eu acho que o autor daquele post inicial ainda tem um bocado a aprender. Antes de tudo, eu recomendaria a ele a leitura atenta do post a que estou reagindo. Ler umas coisas antigas, uns mitos gregos, uns poemas de 2.000 anos, uns contos árabes, chineses, indianos e uns mitos nórdicos, africanos e indígenas americanos seria algo bastante instrutivo. Também fiquei bem curioso a respeito da idade do autor que defende a juventude na política. Mas isso é só curiosidade. Não acrescentará nada, só satisfaria minha curiosidade sobre esta auto-compreensão de juventude que aquele autor tem. Minha compreensão é totalmente afim ao post atual e ao primeiro comentário que lhe foi aposto.

  4. Eu sempre me dei bem com

    Eu sempre me dei bem com velhos, jovens, meia idade, bebês, crianças, de qualquer cor, de qualquer religião, de qualquer descendêcia(fui educada com isso – o sol nasce para todos-). Portanto, o fator idade apenas fica exposto na aparência e na sua biografia. Quando era menina pequena, lembro que sentávamos( tios, tias, primos, amigos, irmãos, pai, mae e nonas), para tomar chimarão e comer ou pinhão, ou batata doce assada(hummmm), ou milho verde, ou “cueca-virada”, ou, quando em volta do fogão a lenha da nona, polenta com queijo sapecado(hummmmmm) etc, toda matéria-prima vinda da terra da família. Eu e minhas primas e primos menores nos divertíamos escutando as histórias dos mais velhos, era simplesmente maravilhoso. Tinha noites, que eu dormia grudada na nona, depois de casos contados por eles sobre “assombrações, ou, então, sobre ladrões de galinha, literalmente. Mas, quando nos encontros ofereciam,, além do chimarão e companhia, histórias sobre a vida dos descentes na Itália, suas  estrepolias aqui no Brasil, eu ficava fascinada. Nós, mais jovens, ficávamos escutando e interagindo com nossos “velhos” e, como era gostoso. Todos, velhos ou não ,com seu trabalho digno, ficaram muito bem ao longo de suas vidas. Pena ver que hoje, os jovens só se comunicam por vias eletrônicas e, acho que por isso, só debocham uns dos outros, não gostam do diferente. É uma pena, porque escutar velhos com história é tudo de bom. E, diferentemente dos que acham que velhos “roubam” o lugar de outros, a maioria dos velhos, são de uma dignidade incrível. Agora, se formos levar o “velho” pelo lado quase figurado, então, sim, o velho presidente da câmara, o roriz, o serra, o fhc, os marinhos, o pmdb, o dem, bolsonaro, gilmar mendes, jb não são podres porque envelheceram, mas sempre foram o que são, e, ainda, passaram por treinamento para serem o penico moral que são. E, quem pensa que eles têm poder, podem até ter poder $, mas vivem de joelhos para alguém muito mais cifrudo($) que eles.

  5. RMORAES: “Cueca virada” é de

    RMORAES: “Cueca virada” é de comer, sim! KKKKK. Tu encontras nos super(não chegam nem perto do sabor que eu desfrutava com os feitos pela nona), mas é um tipo de biscoito que tem corte tipo trapézio(geométrico) e com um furo no meio. Por esse furo, passa uma banda da massa e vai pra fritar. É uma delicia quentinho (hummmmm), com respingo de açúcar por cima (hummmmmm), a minha mãe  faz volta e meia e é igualzinho ao da nona. Bom demais!!!!!!!!!

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