Organização do Enem ordenou lotação de até 80% em salas de aula

Inicialmente, Inep garantiu à Justiça que capacidade seria de 50%; Defensoria Pública da União afirma que governo mentiu sobre protocolos sanitários

Fachada do Ministério da Educação. Foto: Reprodução/Wikipedia

Jornal GGN – A Cesgranrio, contratada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), foi quem deu a ordem para que fossem usados 80% do total da capacidade das salas de aula durante a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A revelação foi feita pelo jornal O Estado de S.Paulo, a partir de planilhas enviadas por uma funcionária da Cesgranrio ao chefe de gabinete da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que cedeu cinco prédios para a realização do exame, com a condição de que o limite de ocupação em cada sala fosse de 40% para evitar contaminação pelo coronavírus.

A UFSC efetuou um levantamento interno da capacidade de cada uma das salas e do número de alunos que poderiam ser alocados no Enem, considerando o porcentual de 40%. Tais tabelas foram enviadas à Cesgranrio. Contudo, documento enviado pela Cesgranrio à UFSC aumentou a capacidade de alunos para 81%.

E os planos de aumento da capacidade se repetem em outros espaços da universidade. Por exemplo: no Centro de Comunicação e Expressão (CCE) da UFSC, a Cesgranrio queria colocar 36 estudantes em uma das salas, embora a UFSC houvesse indicado que o espaço tem capacidade para 44 alunos e que, portanto, deveriam ser alocados 18.

O percentual é bem superior aos 50% que o Inep, ligado ao Ministério da Educação, informou à Justiça e aos próprios estudantes nas publicações oficiais que detalhavam as medidas de biossegurança para o exame. Tal documento foi anexado ao procedimento de apuração aberto pelo Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União, que moveu ação pelo adiamento do exame e não teve o pedido aceito, afirma que o governo mentiu à Justiça sobre o cumprimento dos protocolos sanitários.

 

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