Os cabeças de planilha e a dívida pública, por Luis Nassif

O numerador (a dívida pública) é influenciado pela taxa real de juros e pelo superávit/déficit fiscal primário.

As redes sociais geraram duas espécies de terraplanistas: os que abominam toda forma de ciência; e os que estupram a ciência, com análises enviesadas sobre fenômenos econômicos, e sem a mínima competência para estabelecer correlações lógicas.

É o caso da discussão sobre o peso dos juros na dívida pública.

De um lado, há os que propõem a auditoria da dívida, devido à incorporação histórica de um conjunto de moedas que já tinham perdido a validade. E criticam o peso dos juros no orçamento público.

A resposta dos terraplanistas da planilha é questionar o cálculo do peso dos juros. Como parte da dívida é rolada, dizem eles, então não se pode comparar o peso dos juros com o orçamento, já que parte do pagamento saiu da venda de outros títulos públicos.

Trata-se de um sofisma primário. O fato da dívida ser rolada não significa que os juros deixarão de ser pagos.

Primeiro, basta conferir os dados do orçamento para avaliar o peso dos juros. Por qualquer indicador que se analise, é um peso brutal sobre o orçamento.

Em milhões % do PIB
Orçamento R$ 3.500.000,00 50%
Serviço da divida interna R$ 639.000 9%
Refinanciamento R$ 861.000 12%
Deficit Previdencia R$ 195.000 3%

Considere que déficit da Previdência é um conceito manipulado. Coloca-se como Previdência todos os gastos de assistência social que deveriam ser cobertos pelo Cofins.

Vamos a uma simulação matemática simples.

A medida utilizada para avaliar a dívida pública é a proporção que representa do PIB.

O numerador (a dívida pública) é influenciado pela taxa real de juros e pelo superávit/déficit fiscal primário.

Já o PIB é influenciado pela variação, crescimento/queda.

Vamos imaginar a seguinte simulação:

PIB 1,5%
Taxa Real 4,0%
Superávit -2,0%
Divida/PIB                40
Limite divida/PIB                50
Novo superávit 1,1%

Ou seja, o PIB crescendo a 1,5%, a taxa real em 4%, um déficit primário de 2% e uma relação divida/PIB que sai dos 40% e pode ir até os 50%. Chegando nos 50%, obrigará o governo a fazer um superávit primário para poder estabilizar a dívida nesse patamar de 50%.

Nesse exemplo, o superávit terá que ser de 1,1% do PIB para estabilizar a dívida no patamar de 50%. Como o orçamento representa 50% do PIB, significará um corte de 2,2% no orçamento, ou R$ 77 bilhões, cerca de 30% do déficit da Previdência. Tudo isso para pagar juros, mesmo a dívida tendo sido rolada nos anos anteriores.

Vamos, agora, alterar nossas hipóteses, com a relação divida/PIB saindo de 70%, podendo ir até 80%. Nesse caso, para estabilizar a relação no patamar de 80%, o superávit primário teria que saltar para 2,5% do PIB, ou 5% do orçamento. Esse valor é de R$ 175 bilhões, e corresponderia a 90% do déficit da Previdência.

PIB 1,5%
Taxa Real 4,0%
Superávit -2,0%
Divida/PIB                70
Limite divida/PIB                80
Novo superávit 2,5%

Com a queda na taxa básica de juros, o esforço fiscal será menor. Mesmo assim, nesse longo histórico de taxas de juros elevadas, o montane desviado para pagamento de juros não tem paralelo na história do país.

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7 comentários

  1. Estaria Nassif se referindo ao tal gráfico pizza da ACD? Em teoria, ele está certo porque a lei de “responsabilidade fiscal” determina que a contabilidade seja feita daquela maneira mesmo: repactuação, gastos com juros e endividamento são todos gastos financeiros, além da previdência social se misturar com o orçamento público federal. O problema é que, em se fazendo a contabilidade assim, perdemos a possibilidade de entender melhor o peso das despesas com juros no orçamento federal e também deixamos de ver a previdência social como um ente separado do orçamento público federal misturando contas que deveriam ser separadas.

  2. Nassif é meu amigo por vários motivos,por isso mesmo profiro as palavra seguintes:É imperativo atentar-se para a Ditadura Civil/Militar efetivamente já instalada no País.Bolsonaro,um estrume, sórdido,capadócio,cafajeste,desqualificado,bandido sem tirar nem por,chefe de milicias,genocida dos mais perigosos,um espinossauro com traços humanos,jamais falaria o que falou contra a repórter da Folha de São Paulo(está colhendo o que plantou),Patricia Campos Mello se não tivesse a certeza que o segmento militar e quase a metade do STF lhe acoberta.Aos meus olhos.ainda que tenha seu valor,reportagens,textos,artigos,o que for,fora do espectro da ditadura a que me refiro,perderam o sentido.Prova maior do que falo,pode-se aferir pela quantidade de comentários postados abaixo de cada texto.Da blogosfera suja,limpa ou mal lavada,esse espaço daqui,sem a menor sombra de dúvidas, é a trincheira maior,mais significativa,importante e corajosa pela bravura do seu editor.O GGN não pode nem deve achar,sequer imaginar que caminhamos um milimetro dentro da normalidade democrática,se tem está quadradamente enganado.Zé Dirceu está corretíssimo,ou o confronto ou vaca vai pro brejo sem berrar.Ultrapassamos há tempos o limites da civilidade,e pelos ares já se foram quaisquer resquícios do estado democrático de direito.Impera-se a barbárie oral,escrita e televisada.A física pode ser questão de horas.

  3. Nassif,
    Desde o último agosto ou setembro, a situação econômica só não se torna explosiva a cada mês que passa graças àquela terrível “guerrilheira” chamada DRousseff.
    Até agora, esta equipe desastrada de cabeças de planilha já torrou mais de U$ 50 bilhões dos U$ 390 bilhões das reservas.
    Tentativa de conter a alta do dólar é imaginar que o mercado de câmbio se auto-regula, não alcançar uma eventual consequência em função de China-USA, é ou não é uma demonstração de suprema burrice?
    As reservas internacionais “fabricadas pela guerrilheira’ se tornaram a única salvação para um país com grave crise fiscal, baixo crescimento e baixíssima expectativa de reviravolta na economia. País esquisito com uma sociedade ainda mais esquisita.

  4. Nossas reservas internacionais estão lastreadas em títulos da dívida pública americana e depósitos em metais ouro, prata…) nos cofres dos USA. Ninguém ouse resgatar essas aplicações para turbinar o crescimento da economia local. Apenas é autorizado para pagar dívidas de empréstimos e juros com a banca financeira internacional. Fora disso, encrenca na certa via embargos, interferência política interna e, no último extremo, guerra. Dinheiro posto lá é para sempre, para financiar a inflação americana, os gastos com armamentos e o enorme déficit público dos USA. Trouxas, é o que somos!

  5. Outra figura abjeta,asquerosa,nojenta,um brutamontes sem escrúpulos,figura patética,um anão de jardim.Parlapatão nato,a lembrar a figura do personagem Tattoo da série Ilha da Fantasia,é esse General Heleno.Não serve a coisa alguma,se atirarem nas partes íntimas do Clã Bolsonaro corre -se o risco de alvejar a mão do energúmeno.Nem para General da Banda esse elemento serve.

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