Os prós e contras do aquecimento global

O foco das discussões da 15ª Conferência das Partes (COP-15) é o comprometimento efetivo dos países ricos na redução de emissões dos gases de efeito-estufa (GEE), estabelecendo um acordo climático global com metas quantitativas.

Nos últimos 140 anos a média de temperatura no planeta subiu 0,8 graus centígrados. Segundo o quarto relatório (AR4) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), o aumento percebido seria decorrente do efeito-estufa, fenômeno natural responsável pelo equilíbrio climático da Terra, mas que vêm sendo intensificado desde o início do século passado por razões antropogênicas, ou seja, pelas atividades industriais humanas que emitem basicamente o dióxido de carbono (CO2), gás que compõe a camada de efeito-estufa.

A concentração de CO2 teria subido de 278 partes por milhão (ppm) no início da revolução industrial (século XX) para 370 ppm nos dias atuais. A ONU avalia que os países desenvolvidos, classificados no Anexo I do IPCC, devem criar mecanismos de redução e captação do CO2 para que o gás volte a um nível considerado ideal a ponto de frear as mudanças climáticas, uma vez que são os principais responsáveis pelo aumento da proporção de GEE na atmosfera.

Mas segundo o engenheiro agrônomo, e um dos 17 cientistas brasileiros signatários do IPCC, Odo Primavesi, os modelos de simulação mostram que os gases de efeito-estufa explicam somente 30% do aquecimento médio global percebido desde os anos 1900.

Um famoso documentário inglês, veiculado desde 2008 na internet, intitulado ‘A grande farsa do aquecimento global’, também levanta dúvidas sobre a teoria posta no relatório das Nações Unidas, ao trazer cientistas que propõe:

1 – O aquecimento e resfriamento são comuns ao longo da história do planeta, independendo da ação humana, além disso, as medições realizadas no gelo e usadas como base nas explicações do IPCC estariam com atrasos de 800 anos;
2 – A concentração do dióxido de carbono (CO2) não influencia significativamente para a alta ou baixa temperatura média, pois representa apenas 0,035% de tudo que compõe a atmosfera;
3 – As atividades humanas não contribuem significativamente para o aumento do nível de CO2 medido na atmosfera, logo o homem não é responsável pelas mudanças climáticas;
4 – O IPCC é um relatório com intenções políticas, e tem o objetivo de invocar a ameaça de desastres climáticos impedindo progressos industriais vitais no mundo em desenvolvimento.

A seguir abordamos os 4 pontos:

1 – O aquecimento e resfriamento são comuns ao longo da história do planeta, independendo da ação humana

Os céticos afirmam que desde a metade do século XX a temperatura da Terra aumentou apenas meio grau Celsius, e que a maior parte desse aquecimento ocorreu antes de 1940, num período de baixa atividade industrial. Ao longo dos anos, a média total da temperatura do planeta de fato cresce, mas sua ascensão não acompanha a alta de concentração de CO2.

O glaciólogo e coordenador-geral da rede de pesquisas ‘Antártica, as Mudanças Globais e o Brasil’, no período 2002-2006, Jefferson Cardian Simões, afirma que de fato, no ciclo normal, a variação natural do CO2 em relação a temperatura precede de 800 a mil anos. “Os registros do gelo mostram que na história o que primeiro ocorre é o aumento da temperatura. Esse aquecimento determina aumento de atividades biológicas que por sua vez culmina no aumento da concentração do dióxido de carbono na atmosfera”, explica.

Simões defende, no entanto, que nos últimos 100 anos esse ciclo foi rompido e a concentração verificada de carbono no gelo recente passou a aumentar de modo significativo não sendo explicado por nenhum fenômeno ambiental, apenas pela atividade humana.

Mas se, ao longo da história, a concentração do CO2 cresceu após o aumento médio da temperatura o que teria ocasionado as altas e baixas estimadas pelos cientistas nos séculos anteriores? Um conjunto de fatores, sendo basicamente: ciclos do Sol, aquecimento e resfriamento dos oceanos, a espessura da camada de efeito-estufa, e “o calor gerado por atividade interna da Terra e liberado por erupções vulcânicas e fontes de água quentes superficiais ou submarinas, por atividade de atrito de placas tectônicas, por irradiação de calor magmático onde a litosfera é menos espessa”, completa Primavesi.

Ciclo do Sol – A maior parte da energia que aquece o planeta vem do Sol. A estrela, segundo Primavesi, atua de forma dinâmica diminuindo e aumentando a intensidade de energia que emite.

Os cientistas calculam que os ciclos da estrela variam entre 11 e 90 anos. O glaciólogo Simões afirma que o Sol vive atualmente um período de baixa atividade, contribuindo menos para o aquecimento da Terra.

Temperatura dos Oceanos – Os oceanos são grandes acumuladores de calor regulando o clima geral do globo. Devido ao espaço que ocupam no planeta demoram centenas de anos para se aquecerem e centenas de anos para se resfriarem, portanto, se forem a principal causa do aumento das temperaturas, as mudanças que sentimos hoje seriam decorrentes de períodos anteriores às atividades industriais humanas.

Primavesi considera os mares na explicação do aumento médio da temperatura registrado nos últimos 140 anos, mas ressalta que o calor em excesso é produzido por regiões áridas, semi-áridas, em processo de arenização e áreas degradadas. “Fotos de satélites mostram essas regiões que irradiam ondas longas (ROL; ou radiação de calor ou radiação infravermelha) em excesso, mais do que os oceanos”, diz.

2 – A concentração do CO2 não influencia significativamente para a alta ou baixa temperatura média

Os gases de efeito-estufa não geram calor. Graças ao fenômeno parte da energia, tanto decorrente dos raios que chegam do Sol durante o dia, como também produzido pelo próprio planeta, é mantida na Terra.

Os principais gases que compõe o fenômeno de efeito-estufa são:
– O vapor de água, que representa entre 2% e 4% da atmosfera e 95% da camada de efeito-estufa;
– O dióxido de carbono (CO2) – 0,035%;
– O metano (CH4) – 0,00015%;
– E o óxido nitroso (N2O) – 0,000001% a 0,00001%.

O professor Primavesi explica que o vapor da água é um gás dinâmico em relação aos outros responsáveis por esse processo, pois além de reter o calor, aquecendo certa região, pode também promover a queda de temperatura. Quando o calor é muito intenso o vapor se condensa formando nuvens que ao se precipitarem como chuva permitem o resfriamento local.

As áreas secas, sem cobertura vegetal e que não armazenam água, geram calor em excesso e dificilmente produzem nuvens. Logo o aumento de áreas degradadas estaria, ao lado da concentração de gases-estufa, contribuindo para ao aumento da temperatura no planeta.

“Os gases de efeito-estufa na realidade agravam um problema gerado pelas áreas degradadas, semi-áridas, áridas, desérticas (maior parte produzida pelo ser humano), e que já ocupam 47% da superfície dos continentes”, e completa:

“Antigamente entravam 47% da radiação solar (53% interceptados), atualmente chegam 60% ou mais (menos de 40% da radiação solar interceptada) até a superfície terrestre”.

Apesar da baixa ocorrência do CO2 em relação aos demais gases de efeito-estufa, os pesquisadores destacam que pequenas variações podem, sim, contribuir para o aumento percebido das temperaturas. “O caso mais exemplar é do ozônio. A concentração desse composto é muito baixa – sua camada é de 3 milímetros de espessura – mesmo assim é um filtro importantíssimo para a vida do planeta”, justifica Simões.

3 – O ser humano não é responsável pelas mudanças climáticas

O calor sentido no planeta é decorrente de diferentes fatores, como citado anteriormente. Os céticos consideram que o ser humano tem uma participação ínfima nas variações climáticas do planeta avaliando que a proporção de GEE produzidos pelas atividades industriais e econômicas pouco tem a ver com o aumento da temperatura registrado nos últimos anos.

Primavesi, que também não põe a culpa das mudanças climáticas unicamente sobre os gases de efeito-estufa, considera, no entanto que o aquecimento global existe e está sendo provocado pelo homem.

“A geração de áreas degradas pela ação do homem vem ocorrendo nos últimos 10 mil anos e se ampliou nos anos mais recentes, em especial, nas regiões tropicais e subtropicais. Essas áreas são mais secas e geram menos nuvens, permitem a entrada de mais radiação solar e geração de mais calor, que com o aumento da concentração de gases de efeito-estufa é impedido de ser irradiado totalmente para o espaço sideral”, completa.

Segundo o pesquisador, fotos de satélites mostram a ocorrência de períodos em que o clima de regiões do Sudeste, Centro-Oeste e Sul brasileiros se comportam como regiões do semi-árido nordestino, justamente nas áreas degradadas.

4 – O IPCC é um relatório com intenções políticas

O IPCC afirma que o grupo dos países do Anexo I, formado pelas nações mais desenvolvidas, deve criar mecanismos de redução de gases de efeito-estufa emitidos pelas atividades econômicas. As nações em desenvolvimento estariam desobrigadas a estabelecerem metas de corte de carbono, primeiro porque não são responsáveis pela maior parte do GEE emitidos desde o início do século XX, segundo porque necessitam superar problemas sociais internos, para tanto dependem do desenvolvimento de suas atividades industriais.

Logo, a teoria de que o IPCC seria um relatório pago pelas grandes indústrias e países desenvolvidos para impedir o pregresso das nações mais pobres não faz sentido.

Entretanto, o pesquisador Primavesi acredita que o documento, sendo financiado por governos e organizações econômicas, foi sim centrado na redução de gases de efeito-estufa, ficando de fora aspectos importantes responsáveis pelas mudanças climáticas que resultariam em alterações profundas nos modelos econômicos dos países.

“Se considerarmos o foco ‘gás carbônico’, o trabalho ficou excelente. Se considerarmos a questão ‘aquecimento global’, ficou falho”. Ele acrescenta que depois de produzido o relatório é submetido ao crivo de censores – do governo e da indústria – que mandam retirar ideias que não interessam.

“Passei por dois processos internacionais similares e sempre foi assim. Não foi um produto gerado por associações científicas, por isso, falham tremendamente em não assumirem algo similar em nível nacional e global. Sinto essa falha grave no Brasil – a produção de um relatório científico discutido, padronizado, unificado por assunto nacional (não somente do aquecimento global, mas como reter o avanço de áreas degradadas e a desertificação), por cientistas de diferentes áreas de conhecimento”, completa. Um trabalho dessas proporções ajudaria a mapear as informações sobrepostas e os excessos existentes no IPCC.

Para se interar mais sobre as discussões climáticas, acesse:
– Vídeo ‘A grande farsa do aquecimento global
Entrevista concedida por Odo Primavesi, na íntegra.

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