Os vereadores de Porto Alegre e a Banalidade do mal.

A tendência natural nos dias de hoje é atribuir ao neoliberalismo e a direita que se diz como tal todas as mazelas do que acontece a república nos dias atuais, porém esta postura simplesmente esconde ações extremamente perversas que são levadas por grupos que se escondem atrás de bandeiras progressistas se tornando na realidade mais cruel e mais perniciosa do que a ação de dir portal da Câmara de Vereadores de Porto Alegre (http://projetos.camarapoa.rs.gov.br/processos/69324eitistas mais exaltados e neoliberais clássicos.

Vamos demonstrar isto através da famigerada lei das Carroças que tirou as carroças das zonas centrais de Porto Alegre e agora tira os catadores de resíduos recicláveis que utilizam carrinhos de propulsão humana. É necessário desta forma reestabelecer alguma verdade histórica mostrando que há uma verdadeira tentativa de higienização da cidade de Porto Alegre, movida por motivos aparentemente nobres que seria a proteção dos animais.

No censo de 2010, quando o emprego ainda estava em alta, segundo o sociólogo e integrante do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) Cristiano Oliveira, existiam na cidade 9.000 pessoas estes catadores e em 2005 catavam aproximadamente 140 toneladas por dia, a custo zero para a cidade, enquanto o brilhante serviço público operado por empresas terceirizadas privadas catavam 60 toneladas a custos altíssimos.

Na época de proposição deste projeto de retirada das carroças com tração animal que deu origem a retirada das carrocinhas de tração humana, ouve uma grande aliança de setores “ditos de esquerda (PT e outros partidos) ” associados aos ecoloucos, veganos e elegantes senhoras protetoras dos animais para em última instância LIMPAR O CENTRO DA CIDADE DESTE LIXO ANIMAL E HUMANO que poluíam a sua visão.

O caso da tramitação deste projeto de lei 043/2005, que eliminou a possibilidade de carroças ou de humanos puxando carrinhos pode ser visto no)

Ao se olhar com cuidado se desnuda por completo a visão de uma cidade progressista e com tendência de esquerda se mostra na realidade uma conspiração de uma sociedade pequena burguêsa representada pela praticamente maioria dos vereadores da cidade. Este projeto é um verdadeiro CRIME contra os mais vulneráveis na cidade e vem sorrateiramente disfarçando a sua visão higienista numa humana e caridosa lei para proteger os animais.

Poderíamos dizer com toda a certeza que esta ação, que contou com a ajuda de vereadores de partidos que teoricamente deveriam ser de esquerda como o PT, PDT e PCdoB, todos estes aderiram totalmente à lei ou de forma sínica e mentirosa propuseram por seus representantes substitutivos ou propostas mirabolantes de fornecer cursos de formação (e não empregos) para que os catadores, que já tinham a sua forma de subsistência, para disputar o mercado de trabalho com pessoas já com experiência nestas atividades mais simples.

Muitos perguntam por que os nazistas colocaram judeus, comunistas, homossexuais e outros em campos de extermínio para morrerem. Eu responderia esta questão também perguntando como uma cidade como Porto Alegre em pleno século XXI tem a capacidade de tirar os meios de subsistência de grupos de população que já eram vulnerabilidade social.

Parece que todos esquecem o que significa as palavras vulnerabilidade social, pois para relembrá-los digo que estas palavras indicam que estes seres humanos pelos mais diversos problemas possíveis estão apresentando dificuldade na manutenção da sua própria subsistência. Como uma consequência do termo se pode facilmente concluir que quando se retira a possibilidade de grupos que estão em situação de vulnerabilidade social a capacidade de manter a sua subsistência, é de se esperar que muitos deles venham simplesmente sofrer ou mesmo morrer pelos mais diversos problemas.

Qual a diferença de um burocrata do partido nazista que preenchia uma ficha para enviar um ser humano para um centro de extermínio, a de um vereador de Porto Alegre que pertencendo ao que ironicamente denominada Comissão de Defesa do Consumidor e DIREITOS HUMANOS escreva o seguinte texto:

O Projeto aborda um dos principais problemas que nossa Cidade tem vivido nos últimos anos. O transito desordenado de “carroças” nas vias da Cidade tem causado um verdadeiro caos para motoristas e pedestres, não bastasse esse fato, ainda, presenciamos diariamente imagens de espancamento aos animais que muitas vezes são submetidos a um trabalho “escravo” e sem as mínimas condições de saúde.

Ou seja, esta fantástica comissão que deveria preservar no mínimo OS DIREITOS HUMANOS, mostra claramente que está mais preocupada com o “caos para motoristas e pedestres” e “trabalho “escravo” e sem as mínimas condições de saúde.” que são submetidos os cavalos. Nada é dito sobre os que conduzem as carroças, estes segundo dá para depreender pelo parecer desta verdadeira palhaçada de uma Comissão de Direitos Humanos, não estão sujeitos a nenhum trabalho degradante e penoso.

Logo adiante o parecer segue com outras joias do cinismo:

Ademais, o presente Projeto poderá, de forma junta estabelecer uma politica de retirada das “carroças” em um prazo razoável, a fim de possibilitar uma adequada discussão em torno do assunto pelos mais diversos órgãos do governo e da sociedade, debate de extrema importância para tragar ações de forma coerente e humanitária, respeitando também aqueles que diariamente necessitam deste tipo de veiculo para manter o sustento familiar.”

Fantástico, neste ponto a Comissão de Direitos Humanos lembra-se que as carroças são utilizadas para o sustento de famílias, porém isto vai ser resolvido através de um debate “pelos mais diversos órgãos do governo e da sociedade”, coisa que não foi feita neste período.

Mas terminando o parecer, vai surgir de novo a grande preocupação da Comissão de Direitos Humanos:

“Diante do exposto, contrariamente ao Parecer da Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e do MERCOSUL, s.m.j., entendemos que a matéria proposta pelo Vereador Sebastiao Melo tem mérito, insere-se no âmbito do interesse municipal (art. 30, I da Constituição Federal) e é necessária para equacionar e melhorar o convívio nas ruas de nossa Cidade, bem como possibilitara uma adequada trafegabilidade.

Ou seja, a grande preocupação é  “….melhorar o convívio nas ruas de nossa Cidade, bem como possibilitara uma adequada trafegabilidade.” o convívio provavelmente seria melhorado com a retirada de pobres da região com suas sujas e nojentas carroças e carrinhos de propulsão humana.

Este parecer que é uma verdadeira joia do cinismo humano, pois todos os vereadores que o assinaram já sabiam a priori que a prefeitura não teria recursos nem vontade para dar meios de forma contínua de sustento a pessoas que há anos ou mesmo décadas saíram do mercado de trabalho.

Este lixo promulgado por uma comissão de Direitos Humanos que era constituída pelos seguintes vereadores (que coloco o partido junto) Ervino Besson (PDT), Margarete Moraes (PT), Maria Celeste (PT), Maurício Dziedricki (PTB) Clênia Maranhão (PPS).

Poderia seguir com uma análise mais demorada de todo o seguimento da lei, demonstrando o grau de “espírito republicano de TODOS OS VEREADORES DA ÉPOCA, que chegavam a sugerir que as carroças fossem substituídas por outros veículos não poluentes que simplesmente não existiam.

O mais interessante que nas siglas que assinam não só o notável parecer da comissão de Direitos Humanos não vi nenhuma assinatura de um vereador do NSDAP (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei), porém certamente se fosse substituído o nome carroceiros ou carrinhos por tração humana, por judeus ou comunistas, nenhum vereador do NSDAP teria inibições de cortar as formas de subsistência dos sub-humanos.

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