Para Bolsonaro, desmatamento de floresta é algo cultural e não vai acabar

Presidente foge de perguntas sobre aumento das queimadas na Amazônia, mas diz que pretende editar MP para regularização fundiária na Amazônia Legal

Jornal GGN – As queimadas e desmatamento das florestas não devem acabar, por serem algo cultural. A afirmação foi feita pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira.

“Você não vai acabar com o desmatamento nem com as queimadas. É cultural”, disse, segundo informações do jornal Correio Braziliense.

O presidente brasileiro fugiu de perguntas relacionadas ao aumento de 29,5% das queimadas da floresta amazônica, o maior patamar registrado desde 2008, mas confirmou que pretende editar uma Medida Provisória para a regularização fundiária nos Estados da Amazônia Legal, ressaltando que essa proposta prevê a autodeclaração como ferramenta dos títulos de terra – o que pode abrir espaço para grilagem e insegurança jurídica.

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6 comentários

  1. O NeoColonialismo Ambiental Europeus e NorteAmericano que financiam Nossos Ambientalistas de Shopping Center, querem acabar até com as tradições, ancestralidades, o modo de vida das Populações tradicionais e indígenas da Amazônia e toda a sua Cultura!!! É milenar que estas Populações derrubam a floresta e usam o fogo para limpar seus terrenos, fazer suas lavouras e suas vilas. O Imperialismo de ONG’s Estrangeiras pretendem determinar, burocratizar e criminalizar até milênios de cultura. O risco que corre a Amazônia com tentativas de Internacionalização, que não passam de colonialismos e assaltos.

    • Na tradição e ancestralidade que se refere, havia a de descartar os elementos considerados inúteis e com graves deficiências intelectuais.! Que sorte a sua, hein?!

  2. Tenho a impressão e parece que já se sabe, através de experiência histórica de que hábitos culturais podem ser induzidos por normas e leis governamentais. Num país onde a taxa de mortes no trânsito minoraram a partir da exigência do controle de velocidade, uso de radares, cintos de segurança e airbags nos veículos; onde também os índices de pessoas fumantes caíram bastante a partir de proibição de propaganda de cigarros e proibição de fumar em certos locais – entre outros exemplos, somente quem aposta na estupidez e quem não consegue dar exemplo bom e saudável aos filhos, partidários e a si acredita que seja assim.
    É a mentalidade miliciana, onde basta punir o agente fiscalizador (sem notar que isto aumenta a cultura do milicianismo) para formar a cultura do atraso.

  3. Nassif, se o desmatamento e a queimada é cultural e por isso Bolsonaro incentiva ambos, o mesmo se deve esperar da escalada de violência que ele incentiva – seja com a arminha naturalizando o tiroteio, seja com as leis autorizando o assassinato indiscriminado praticado por agentes policiais sob a alegação de estarem emocionado; seja  com as reformas destinadas a pauperizar ainda mais a pobreza da “pequena” classe média em benefício de banqueiros  e rentistas. Com “autodeclaração”  de grileiros e desmatadores sendo promovida a título patrimonial, somada à permissão para que a floresta amazônica abrigue canaviais, o desmatamento récorde que acaba de ser divulgado vai ser superado pelas próximas estatísticas do INPE, sem que o Ministério Público e o Judiciário intervenham nessa escalada de desertificação tanto da Amazônia quanto da região Sudeste. Muito embora seja fato indiscutível que os 85 milhões de sudestinos dependamos das nuvens de vapor d’água da Amazônia  para não ficarmos sem chuva, sem água nos reservatórios, nenhuma instância judicial se manifesta contra a devastação em curso da região  se fez sentir em São Paulo, quando a fumaça dos incêndios de lá escureceu o céu aqui  e a iluminação pública se acendeu no começo da tarde, como se já houvesse anoitecido (muito embora muitos ainda duvidem da existência dos rios aéreos que antes faziam da capital paulista a “terra da garoa”, apesar das imagens de satélites comprovarem sua existência).  Pretender justificar tais incêndios criminosos alegando que os mesmos são ateados imemorialmente pelos índios é desconhecer que as coivaras ou pequenos incêndios indígenas convivem com a Hiléia há milênios, por serem de reduzidas proporções e nunca escaparem do controle tribal ou colocarem em risco suas aldeias, cultivos ou matas ribeirinhas que alimentam seus peixes. Além da Justiça, o silêncio dos agropecuaristas chega às raias do suicídio empresarial,  pois além da desertificação do Centro Oeste e Sudeste, a derrubada da Amazônia implicará no boicote mundial a um agronegócio brasileiro lesa-humanidade, já que desencadeará o apocalipse climático no planeta. Será que o “marxismo cultural” vai virar conto de fadas perante esse “bolsonarismo cultural” que transforma o neoliberarismo em coveiro de toda economia porventura remanescente?

  4. Certo bozo, desmatar e queimar é tao cultural quanto:
    https://jornalggn.com.br/noticia/bolsonaro-pode-dar-carta-branca-para-policiais-que-matarem-em-servico/

    Porém com certeza são apenas mais dois temas pra esta barraca de abobrinhas disponíveis na xepa de feira livre em que se transformou este governo caricato.
    O objetivo? Desviar dos temas relevantes como assassinato de Mariele e Anderson, abafa COAF, estupro da previdência, déficit comercial, cancer religioso fundamentalista, fascismo, burrice, fakes news, etc etc

  5. Por esses dias, Nassif publicou um estupendo artigo sobre a revanche do homem comum, aqueles que crêem em saídas e soluções fáceis, baseadas apenas na vontade e força.
    Para muitos, é necessário extrair a riqueza do solo às custas de depredar o meio ambiente, afinal aqui em tudo se plantando, dá. A terra é rica e generosa, pode-se retirar tudo que ela se recompõe, ou a tecnologia encontrará soluções como a dessalinização ou recomposição do solo.
    Esta estranha combinação entre fé numa tecnologia que desconhece limitações técnicas ou de custo, aliada ao desprezo pela própria ciência que gera esta tecnologia, o otimismo absurdo quanto a generosidade da terra e a convivência com castástrofes como Mariana, queimadas e agora manchas de petróleo no mar, seria inacreditável, não fosse o homem comum.
    Bolsonaro começou seu governo espalhafatosamente falando da tecnologia de dessalinização de Israel (jamais havia ouvido falar do trabalho da UFCG), para que o cientista de Israel falasse do mau uso da água no país. Daí para frente, silêncio.
    Anunciou a exportação de nióbio (o idiota ignora que a quantidade de nióbio necessária para melhorar as propriedades do aço, é muito pequena) e futuramente, falará sobre terras raras, graças a preocupação dos EUA com a escassez promovida pela China. No entanto, se as relações entre estes se normalizarem, vai para o ostracismo a exploração desses minerais.
    Fala em fronteiras agrícolas novas, quando a produtividade é agrícola é baixa nas regiões que já se encontram. Pior, o faz às custas de devastação ambiental sem precedentes. Fala mais, em vender terras a estrangeiros, para produção no país. E há tolos que não percebem a inflação que isto haverá de gerar.
    Enfim o culpado é Bolsonaro ou o homem comum que o elegeu?

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