Para Eduardo Viveiros de Castro, governo decretou guerra contra índios

Em entrevista, antropólogo diz que desmatamento e pressão sobre indígenas aumentaram após a eleição de Jair Bolsonaro

Eduardo Viveiros de Castro, antropólogo e professor da UFRJ. Foto: Reprodução

Jornal GGN – Para o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, a metáfora de que governar é criar desertos descreve com perfeição a relação dos donos do poder com o meio ambiente, e a situação ficou ainda pior desde a posse de Jair Bolsonaro.

Em entrevista ao jornal O Globo, o professor da UFRJ atribui a recente escalada do desmatamento a uma aliança firmada entre a gestão atual e os setores mais atrasados da economia, que desmatam para plantar soja e extrair minério. “Há uma ofensiva econômica e religiosa contra os povos indígenas. O grande capital quer as terras, e os evangélicos querem as almas”, diz Viveiros.

“O Brasil está retomando sua vocação de colônia de exportação de produtos primários. Tivemos o ciclo do açúcar, o ciclo do ouro, o ciclo do café e o ciclo da borracha. Agora temos o ciclo da soja e da carne”, diz o antropólogo, ressaltando que o Brasil vive algo relativamente novo, que é a união dos grandes interesses econômicos com o fundamentalismo religioso.

“Este governo tem três braços: o econômico, o religioso e o militar. Os militares veem os índios como ameaça à soberania. Os evangélicos tratam os índios como pagãos que devem ser convertidos. E o grande capital quer privatizar ao máximo o território brasileiro, o que significa reduzir as reservas ecológicas e as terras indígenas”, afirma o antropólogo.

Para Eduardo Viveiros de Castro, o que predomina no governo e em sua base de apoio é o ressentimento, que pode ser visto nos ricos que não toleram ver a empregada doméstica viajando para a Disney, e nos pobres que pararam de ascender por conta da crise. “O Brasil é um país que não aboliu a escravidão, um país racista. A frase do Paulo Guedes sobre as empregadas indo à Disney pertence ao universo moral da escravidão”.

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