Para entender os dilemas e a estratégia do PT para as eleições em São Paulo, por Luis Nassif

Lula continuará fazendo apelos pela unidade enquanto vai preparando o terreno para sua estratégia aliancista.

Nesse início das prévias para a escolha do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, a sinuca que Lula (e o PT) enfrentam em São Paulo é a seguinte:

  1. O candidato de consenso, Fernando Haddad, não quer se candidatar. Em parte devido aos receios de nova derrota, ante o antipetismo que se espalhou pela cidade e pelo estado.
  2. Os irmãos Tatto controlam as bases do PT, através de um trabalho diuturno de muitos anos. Se a escolha for entre os filiados, ganha Jilmar Tatto. E as possibilidades de vitória são objetivamente de zero.
  3. Todos os demais pré-candidatos – Alexandre Padilha, Carlos Zarattini, Paulo Teixeira, Nabil Bounduki – defendem a ampliação da aliança, compondo com candidato de fora do partido.
  4. O único candidato fora do partido com potencial eleitoral é a ex-prefeita Martha Suplicy. Mas, devido às suas posições polêmicas no processo do impeachment, todos os defensores da candidatura ficam pisando em ovos.

A partir dessas constatações, a estratégia adotada parece ser a seguinte:

  1. Lula continuará fazendo apelos pela unidade enquanto vai preparando o terreno para sua estratégia aliancista.
  2. As prévias não serão definitivas para a escolha do candidato. Mas serão essenciais para se reaproximar das bases, voltar a ouvir a periferia, retomar políticas urbanas de cunho social.
  3. Haverá a tentativa de ampliar as discussões, incluindo gente de fora – leia-se Marta Suplicy e talvez Luiza Erundina. Seria uma maneira de naturalizar a aproximação com Marta.
  4. Nesse ínterim, serão intensificados os esforços para convencer Haddad a se candidatar. Enquanto não decide, o grupo aliancista lança o advogado Marco Aurélio Carvalho como pré-candidato para, digamos, guardar lugar. Marco tem tradição associativa, organizou grandes eventos e grupos de militância entre advogados; tem sido um fiel defensor do PT desde que entrou na vida pública. E tem suficiente discernimento para saber que a candidatura ideal seria Haddad-Marta.
  5. Tenta-se animar Haddad com as pesquisas eleitorais. Nelas, quase 50% da população diz poder ser influenciada pela opinião de Lula. Marta tem posição sólida na periferia e ajuda a diluir resistências nos Jardins. A dobradinha Haddad-Marta teria lugar assegurado no segundo turno.
  6. Próximo ao final do prazo, se a militância tiver assimilado Marta, e se Haddad tiver assimilado as possibilidades de vitória, lança-se a chapa.

 

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