Para Moomaw, ação do Brasil em conferência do clima foi “vergonhosa”

Em palestra, vencedor do Nobel ressaltou que apenas florestas maduras barram aquecimento global no curto prazo

William Moomaw, professor e especialista em clima. Foto: Reprodução/Brussells Diplomatic Academy

Jornal GGN – A preservação de florestas maduras é a única forma de contenção do aquecimento global no curto prazo, segundo declarações do professor e especialista em clima William Moomaw, autor principal de cinco relatórios do IPCC (painel da ONU sobre o clima, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007, junto com o ex-vice-presidente americano Al Gore).

De acordo com informações do jornal Folha de São Paulo, Moomaw fez diversas críticas ao governo brasileiro durante palestra organizada pela Academia Diplomática de Bruxelas. “O Brasil queria receber em dobro seus créditos de carbono. Mas a natureza não sequestra o gás carbônico em dobro”, afirmou ele, ao comentar o fracasso da COP-25, conferência climática da ONU realizada em dezembro, em Madri. Ao lado da Austrália, o governo brasileiro (representado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles) foi apontado como um dos principais bloqueadores dos acordos.

Moomaw também chamou de “aberração diplomática” a desistência do Brasil de sediar a COP 25 (a candidatura foi retirada em novembro de 2018, após a eleição de Bolsonaro) e criticou o que chama de fracasso brasileiro em preservar a Amazônia.

Segundo o pesquisador, já é tarde para se preocupar apenas em zerar as emissões de gás carbônico do ambiente – pelo contrário, agora é necessário retirar o excesso de poluentes da atmosfera, e o veículo mais importante para isso no curto prazo são as florestas crescidas (de 70 a 125 anos). As florestas mais novas são igualmente importantes, mas levarão décadas para ter efeito.

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