Pesquisa Datafolha sobre condenação de Lula gera críticas nas redes

"Com esta inovação metodológica, a Folha transforma o julgamento de um cidadão pelo Poder Judiciário numa imitação barata de paredão do BBB", reclamou a ex-presidente Dilma

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha divulgada nesta segunda (22) despertou críticas, nas redes sociais, entre os aliados do ex-presidente e críticos da Operação Lava Jato. O instituto perguntou a cerca de 2 mil brasileiros se eles consideram a condenação do petista no caso triplex justa, apesar de o Supremo Tribunal Federal ter anulado o processo. Para a maioria, 57%, a sentença de Sergio Moro estava correta. Outros 38% consideram a condenação injusta e apenas 5% não souberam opinar.

Internautas e sites de imprensa alternativa trataram a pesquisa como manipuladora. Em nota, a ex-presidente Dilma Rousseff ressaltou um dos problemas da pesquisas, que ela chamou “inovação metodológica”: o Datafolha aferiu a opinião de leigos sobre um assunto que deveria ser tratado sob uma perspectiva técnica.

“(…) o Datafolha transforma os seus cerca de 2 dois mil entrevistados em juristas amadores, porque os induz, de maneira totalmente indevida e absurda, a se colocar no papel de juízes para decidir se Lula é culpado ou inocente num dos julgamentos a que foi submetido. Justamente o julgamento que o STF acaba de declarar nulo, sem valor jurídico. Com esta inovação metodológica, a Folha transforma o julgamento de um cidadão pelo Poder Judiciário numa imitação barata de paredão do BBB“, escreveu Dilma.

Esta não é a primeira vez que o Datafolha sonda se a condenação de Lula foi justa. Em abril de 2018 – ou seja, cerca de 3 anos atrás – 54% dos entrevistados disseram que a condenação era justa, ante 40% que consideraram injusta e 6% que não souberam responder.

A pesquisa reflete como o espírito lavajatista da grande mídia impacta sobre a percepção da sociedade sobre Sergio Moro e os processos de Lula. Em 2019, o Intercept Brasil surgiu com uma série de reportagens baseadas em mensagens hackeadas da Lava Jato, que mostram inúmeras irregularidades nas ações penais e investigações conduzidas em Curitiba. Mas essas mensagens não são lidas em grandes veículos, como aqueles associados à Rede Globo.

FACHIN

A pesquisa ainda questionou se o ministro Edson Fachin, do STF, agiu bem ou mal ao decidir, sozinho, cancelar 4 ações penais que tramitaram em Curitiba contra Lula – incluindo os casos sítio de Atibaia e triplex. Neste caso, 51% dos ouvidos pelo Datafolha rejeitaram a medida do ministro, enquanto 42% apoiaram sua decisão. Não souberam responder 6%.

LULA ELEGÍVEL

Questionados se Lula deveria ou não concorrer à eleição presidencial em 2022, 51% disseram que não ao Datafolha, enquanto 47% opinaram pelo sim. É um empate dentro da margem de erro, de dois pontos para mais ou menos.

Confira, abaixo, a nota à imprensa na íntegra.

A FOLHA TEM MEDO DE LULA
Viúva inconsolável de Moro, jornal fabrica matéria e transforma pesquisa em imitação barata de paredão do BBB.
Por DILMA ROUSSEFF

A maioria dos colunistas e parte do próprio noticiário da Folha de S. Paulo têm mostrado que Bolsonaro ficou assustado com a devolução dos direitos políticos do ex-presidente Lula, a ponto de defender a vacina e usar máscara, contrariando sua própria natureza de negacionista. Mas o que ficou claro nos dois últimos dias é que também a Folha está com medo de um Lula que, com suas condenações anuladas e diante da justa e provável declaração de suspeição de Moro pelo STF, retoma seu protagonismo natural na política brasileira e pode ser ele mesmo candidato à presidência e/ou liderar um processo de reconquista da democracia e reconstrução do país. Na edição de domingo, a Folha fabricou um longo texto cujo único objetivo é tentar manter a perseguição jurídica movida contra o ex-presidente Lula, na contramão da decisão e da tendência do STF. O jornal produziu uma espécie de “cozido” em que mistura e repete todas as acusações forjadas, fabricadas e inventadas no contexto do lawfare promovido para me destituir do governo e, depois, impedir Lula de ser candidato a presidente em 2018, quando era favorito. A Folha destaca processos que nunca tiveram andamento, inquéritos que não prosseguiram porque Lula sequer foi interrogado, acusações que prescreveram, ações que foram arquivadas por falta de provas a pedido do ministério público, denúncias rejeitadas, por ineptas, pela Justiça federal e até pelo TRF-3. A intenção óbvia é manter a narrativa midiática persecutória que a própria Folha construiu, junto com o resto da mídia comercial brasileira. A fragilidade do texto publicado domingo só é superada pela grosseira manipulação de uma pesquisa que a Folha mandou seu instituto de opinião fabricar sob medida para ser manchete da edição desta segunda-feira. Nesta pesquisa, o Datafolha transforma os seus cerca de 2 dois mil entrevistados em juristas amadores, porque os induz, de maneira totalmente indevida e absurda, a se colocar no papel de juízes para decidir se Lula é culpado ou inocente num dos julgamentos a que foi submetido. Justamente o julgamento que o STF acaba de declarar nulo, sem valor jurídico. Com esta inovação metodológica, a Folha transforma o julgamento de um cidadão pelo Poder Judiciário numa imitação barata de paredão do BBB. Obriga leigos a prolatar sentenças por telefone, como se fossem juízes, mesmo sem terem sequer tido condições de ler os processos. E fabrica sob medida uma pesquisa para ser replicada no Jornal Nacional e na Rede Globo. Com a Lava Jato desmoralizada pelo vazamento legalmente autorizado de seus abusos e com a decisão do ministro Fachin, a Folha assume o papel de viúva inconsolável de Moro. Espera com isso influenciar no julgamento da suspeição do juiz, buscando absolver quem liderou crimes contra a imparcialidade da justiça e o sagrado direito de defesa. Assim, a Folha se volta para a manipulação mais descarada e culpa Lula. Pratica essa ignomínia porque tem medo. O medo ao ex-presidente Lula leva a Folha ao desespero. E o desespero faz a Folha querer, novamente, interditá-lo. Mais uma vez subestima a inteligência e a memória do povo deste País.

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