Pesquisa mostra como a condição bucal impacta na saúde mental

O Brasil é um país com altos índices de desigualdade social. No primeiro trimestre de 2019, o índice GINI da Renda do Trabalho nos Domicílios (monitorado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas – FGV/IBRE) detectou seu pico na desigualdade de renda no país. Isso explica alguns dados que nos levam de um extremo ao outro quando o assunto é a o panorama da saúde bucal dos brasileiros.

Imagem: Pixabay

Somos o país com a maior concentração de dentistas no mundo e também investimos 38% dos gastos dedicados exclusivamente à manutenção da aparência em procedimentos de estética dental, de acordo com dados divulgados por uma pesquisa sobre consumo realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Em contrapartida, os números da Pesquisa Nacional da Saúde (PNS 2013), realizada pelo IBGE, já contabilizava 16 milhões de brasileiros que viviam sem nenhum dente natural remanescente.

Por mais que o quadro impacte profundamente a população idosa, que soma 41% de pessoas sem dentes e que têm acima dos 60 anos, é importante ressaltar que somos uma população em que 39 milhões de pessoas usam algum tipo de prótese dentária. Neste contingente de indivíduos com dentes perdidos, uma em cada 5 pessoas tem entre 25 e 44 anos.

Além de fatores como acidentes, traumas, doenças específicas e uso de alguns medicamentos, as maiores causas das perdas dos dentes estão diretamente relacionadas ao surgimento de cáries e periodontite (inflamação severa das gengivas). Ambos os quadros poderiam ser evitados com uma rotina de higienização bucal adequada e visitas preventivas anuais ao dentista.

Integridade dos dentes e autoestima

Em 2018, a Edelman Insights se debruçou sobre o tema e realizou uma importante pesquisa nos países americanos. Segundo o estudo denominado Percepções Latino-americanas sobre Perda de Dentes e Autoconfiança, os dentes faltantes aparecem como o segundo maior fator que prejudica a qualidade vida dos adultos.

Foram entrevistadas 600 pessoas entre 40 e 75 anos no Brasil, Argentina, Colômbia e México. 54% dos voluntários da pesquisa afirmaram que é muito pior gargalhar ou sorrir depois da perda de seus dentes.

Afetando diretamente a autopercepção e a autoestima, 52% dos entrevistados consideram que a perda da dentição tornou a aparência do próprio rosto pior ou muito pior, 46% delas passaram a se sentir muito menos atraentes e 34% declararam que sua autoconfiança ficou pior ou muito pior.

Além dos notáveis problemas com a aparência e a satisfação pessoal, a maioria dos voluntários da amostra (78%) também relatou piora na mastigação dos alimentos, o que também pode resultar em problemas de digestão.

Outro aspecto que pode trazer ainda mais dificuldades para os edêntulos é a dificuldade para se destacar no mercado profissional. Uma pesquisa brasileira publicada no American Journal of Orthodontics & Dentofacial Orthopedic apontou que um padrão estético de de sorriso ideal pode alavancar as chances de um candidato ser escolhido para uma vaga de atuação comercial. A conclusão é que investir na saúde dos dentes é também investir no próprio bem-estar pessoal e profissional.

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