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PIB reduz queda trimestral, mas como um sinal de acomodação

Dados dessazonalizados mostram desempenho econômico na margem

Jornal GGN - O Produto Interno Bruto (PIB) encerrou o ano de 2015 com queda de 3,8%, a maior perda apurada desde o início da série histórica atual, iniciada em 1996, na série sem ajuste sazonal, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).  Em 2014, o PIB havia ficado praticamente estável (+0,1%).

Em relação ao terceiro trimestre, o PIB do quarto trimestre de 2015 caiu 1,4%, levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. É a quarta queda consecutiva nesta base de comparação. Segundo Fernando Sampaio, diretor da LCA Consultores, a comparação trimestre/trimestre imediatamente anterior é feita exclusivamente em termos dessazonalizados. “O PIB do quarto trimestre confirma que a economia está em contração, mas o ritmo de contração vem diminuindo embora ainda não seja desprezível. A leitura foi de uma queda pronunciada, embora menos pronunciada do que nas leituras anteriores”, explica.

Por exemplo: os dados de consumo de energia elétrica, efetuadas as correções de sazonalidade (no calor, o gasto com energia aumenta devido ao uso de ar condicionado), o nível de consumo desacelerou, embora o nível mais baixo de consumo tenha sido visto em agosto. “Desde então houve um ajuste gradual, mas é um indicativo de que a leitura do trimestre não foi, digamos, acidental, mas diminuiu a velocidade de queda, e outras informações conhecidas indicam que esse movimento prossegue. A economia continua muito fraca, mas o ritmo de contração já diminuiu no quarto trimestre e, provavelmente, no primeiro trimestre de 2016”.

Segundo Tatiana Pinheiro, economista do banco Santander, pode-se dizer que os dados divulgados apontam mais para uma acomodação dos dados. “Com as informações que temos hoje, o que existe é uma acomodação. O que está em expectativa, em média, é uma retração de 3,45% em 2016. E a avaliação trimestral tem que diminuir a queda senão você acaba tendo um resultado maior do que está na média de acordo com a pesquisa Focus”.

A economista explica que houve um momento de aceleração, mas que a perspectiva para 2016 aponta uma trajetória de desaceleração, que vai se reduzindo quando o ritmo do PIB se contrai. “Parte disso é efeito estatístico, porque você vai fazendo comparações com base pequena, e uma parte disso está nas expectativas que a gente tem ao longo de 2016 – a queda da confiança encontra seu piso, e você tem retomada de confiança por conta do efeito de todos os ajustes da política econômica ocorrida ao longo do tempo”.

Tatiana acredita que deve haver uma tentativa de ajuste nas contas públicas, apesar de lento, mantendo-se o ajuste da política fiscal e, mantendo-se o ajuste ao fim do ano, o balanço das variáveis macro deve estar melhor do que o visto atualmente, o que ajuda a melhorar as expectativas.

Na visão de Sampaio, da LCA, a expectativa para o futuro é que a recessão prossiga, mas que sua intensidade continue diminuindo. “A recessão que estamos tendo é muito intensa, mas o período mais forte é bem provável que tenha passado. Esperamos uma melhora muito gradual, não uma melhora no sentido de aumento de produção, mas um recuo mais lento, uma espécie de acomodação”.

Apesar da queda em bases trimestrais ter sido menor do que a vista anualmente, Alex Agostini, economista-chefe da consultoria Austin Ratings, diz que essa queda não pode ser interpretada como uma tendência. “Em geral, é importante ter a ideia de que os dados dessazonalizados mostram o desempenho na margem, e não mostram tendência. O que mostra tendência é o total acumulado em 12 meses, pois avalia a curva de médio prazo, e na margem é no curto prazo, para ver qual a reação da economia diante dos indicadores e do cenário econômico”, diz. 

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