Pitaco na geopolítica

    por Renato Aroeira

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    Leia também:  Trump afirma que seu movimento político ‘está apenas no começo’

    3 comentários

      • Miopia?

        Que mais o Putin poderia fazer além da advertência?

        Uma ação militar, abrindo mais um confronto com os EUA?

        A Rússia tem base militar na Síria. Não tem no Brasil.

        Convém lembrar que todos os poderes da nossa República estavam comprometidos com o golpe e dizem que até mesmo as forças armadas entraram no barco “com o supremo, com tudo”. Sem qualquer apoio das instituições brasileiras, o que ela poderia ter feito, além de defender -se (e com brio) seguindo o rito legal?

         Erdogan, da Túrquia, que foi avisado pelo Putin do golpe iminente em seu país, também alertou à Dilma.

        Consta que a Dilma disse ao mandatário turco que o Brasil não era a Túrquia. Estava certa.

         

    1. Novas oportunidades se abrem

      Novas oportunidades se abrem no comércio mundial, mas o Brasil não tem como aproveitar

       

      Como se sabe, o presidente Trump, depois da Cúpula com Vladimir Putin, resolveu fechar a porta da guerra total contra a Rússia, cujo processo estava já em adiantada fase de execução. Esta guerra não poderia ser paralisada sem consequências sérias, pois nela os Estados Unidos, dentro da orientação belicista que vigorou até o mandato Obama, já tinham investido somas incalculáveis de dólares. Estes dólares foram gastos para mudar o regime político na Ucrânia e para fomentar o ódio da russofobia pelo mundo todo, principalmente na Europa e, dentro da Europa, principalmente nos países da Europa Oriental, nos quais a propagação do ódio veio em conjunto com providências bélicas para objetivá-lo militarmente. Tudo isso, sem sombra de dúvida, fazia parte dos preliminares bélicos contra o demoníaco “inimigo” russo. A guerra nuclear era o foco final, com a Europa levando no lombo as primeiras descargas atômicas da retaliação. Segundo importantes teóricos neocons, os Estados Unidos sobreviveriam sem grandes danos.   

      Era óbvio que a guerra contra a Rússia não poderia ser paralisada subitamente. O projeto de Trump para seu país, apesar de parecer abusivamente agressivo contra a ordem comercial estabelecida internacionalmente, tem entretanto nacionalista de natureza construtiva. Já aquela guerra contra a Rússia, por mais absurdo que possa parecer, corporifica o próprio projeto de país imaginado pelos Democratas, pelos Neocons de ambos os partidos e por quase toda a mídia empresarial americana e periférica. Todos eles entendem esta guerra como sendo a única tábua de salvação para evitar o desmoronamento do Império Americano. Assim posto, loucura por loucura, a de Trump é mil vezes menos louca. Ou vencer a Rússia em uma guerra total, ou morrer tentando, esta seria a máxima da posição política que era dominante nos EUA até a posse de Donald Trump.

      Depois da Cúpula com Putin, a grande mídia americana, dentro de uma marcação colada contra Trump, resolveu atacá-lo também com a cobertura milimétrica da guerra comercial que ele está travando contra boa parte do resto do mundo. E assim, passou a denunciar que a União Européia está a se afastar dos Estados Unidos para buscar novos parceiros comerciais que possam amenizar o estrago em sua economia que os americanos estão a provocar com suas novas exigências em taxas e cotas restritivas. Dentro desta orientação, o New York Times de ontem traz interessante artigo intitulado “União Européia corteja novos parceiros através do acordo de comércio com o Japão” ( E.U. Courts New Partners With Japan Trade Deal ). Nele o articulista Jack Ewing explicita que a União Européia está em busca de novos parceiros, mas não para cobrir totalmente o rombo econômico deixado pela investida protecionista de Donald Trump, porque isto seria impossível dado à enormidade das relações com os EUA, mas para minimizar o quanto possa aquele prejuízo, através da diversificação de suas relações econômicas e da intensificação dessas relações diversificadas.

      Diz o texto do artigo, onde Trump aparece evidentemente com tintas carregadas:

      “O presidente Trump está incitando uma guerra comercial, minando a OTAN e pintando a Europa como inimiga. Não é de admirar, portanto, que a União Européia esteja procurando por outros amigos. Na terça-feira, em Tóquio, assinou seu maior acordo comercial, um pacto com o Japão que reduzirá os impostos alfandegários em produtos como vinho e queijo europeus, reduzindo gradualmente as tarifas dos carros. O acordo cobrirá um quarto da economia global – de certa forma, a maior área de livre comércio do mundo – e é o último de uma série de esforços concluídos ou em andamento com países como a Austrália, o Vietnã e até a China. O acordo com o Japão e os outros que estão sendo negociados apontam para uma Europa mais assertiva, que está superando os laços frios com os Estados Unidos, e até mesmo o advento da retirada da Grã-Bretanha do bloco. Nos últimos meses, os líderes da União Européia manifestaram apoio cada vez mais confiante ao livre comércio, recusando-se a recuar diante da ameaça de tarifas de Washington e, ao invés disso, cortejando agressivamente novos relacionamentos. Enquanto o presidente ameaçava rasgar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, a União Européia estava dando os retoques finais em um pacto de livre comércio com o Canadá. Entrou em vigor no final do ano passado. A Europa também chegou a um acordo de princípios com o México para atualizar um acordo de livre comércio existente, que deve ser concluído até o final do ano. Acordos com o Vietnã e Cingapura estão passando pelos estágios finais de aprovação. Também estão em andamento negociações entre a União Européia e uma longa lista de países que inclui Austrália, Chile, Indonésia, Nova Zelândia, Tunísia e os chamados países do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A União Européia e a Índia retomaram as negociações que ficaram paralisadas em 2013”. https://www.nytimes.com/2018/07/17/business/trade-europe-japan-china.html?emc=edit_th_180718&nl=todaysheadlines&nlid=605991410718

      Como se vê, dentro da guerra comercial que abala o mundo abrem-se grandes oportunidades para quem sabe, para quem quer e para quem tem condições de fazer bons negócios. Infelizmente o Brasil, que agora encontra-se amordaçado e fortemente amarrado em uma cadeira enquanto por ele falam os bandoleiros que tomaram conta do pedaço, não tem a mínima condição de participar ativamente e de maneira independente deste novo frisson de renascimento do comércio mundial sob condições diferentes daquelas antes impostas pelos Estados Unidos e obedecidas sem qualquer contestação. O México, até agora tido como a segunda economia da América Latina, com sua independência reafirmada por uma vibrante eleição democrática, legitima e inquestionavel, vai crescer como nunca, e tada a certeza vai nos ultrapassar muito em breve, no PIB e nos outros índices econômicos. Com a vitória de setores políticos que não são representantes incondicionais dos interesses mesquinhos de classes dominantes subdesenvolvidas, o México mostrou que tem estabilidade democrática e que devota respeito por esta estabilidade.

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