Planejamento reduz resíduos da construção civil

Resíduos da construção podem ser aliados na produção mais limpa. A análise é de estudo realizado pela engenheira civil Neidi Kunkel, à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), do Rio Grande do Sul.

O setor da construção civil é um dos maiores geradores de resíduos sólidos, em razão do desperdício de matérias primas e falta de planejamento. Entre os fatores apontados pela Caixa Econômica Federal, que contribuem na produção de resíduos no setor, a pesquisadora ressalta:

– Definição e detalhamento insuficientes, em projetos de arquitetura, estrutura, formas, instalações, entre outros;
– Qualidade inferior dos materiais e componentes de construção disponíveis no mercado;
– Mão de obra desqualificada;
– Ausência de procedimentos operacionais e mecanismos de controle de execução e inspeção.

Estima-se que somente na cidade de São Paulo sejam gerados 6 milhões de toneladas/ano de Resíduos de Construção e Demolição (RDC). “A criação de políticas voltadas para o gerenciamento dos RCC [Resíduos da Construção Civil], recentemente demandada aos municípios em função de regulamentação da resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA nº 307, exigi que as empresas de construção elaborem estratégias para minimização e destinação dos resíduos gerados durante o processo”, destaca Kunkel.

Dados do IBGE de 2003 apontam que o recolhimento de entulhos dispostos irregularmente, em municípios acima de 1 milhão de habitantes, gera gastos que variam de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhões. Mas a situação poderia ser revertida em lucros à atividade de construção civil a partir da reutilização dos RCD nas construções e do processo que a pesquisadora chama de P+L, ou Produção mais Limpa.

Mecanismos como projetos bem detalhados e Ecodesign são as principais ferramentas do sistema que tem como fundamento redução do impacto ambiental do setor de construção e ganho em qualidade e produtividade à empresa.

O Ecodesign se trata do modo como é desenhado o projeto arquitetônico, considerando otimização de espaço, por exemplo. Enquanto que, um projeto bem detalhado deve:

– Evitar retrabalhos ao facilitar a interpretação pelo responsável do serviço;
– Realizar compras de materiais de forma otimizada, como compras mais ajustadas às reais necessidades do projeto;
– Redução de desperdícios;
– E redução nos custos de produção.

“Constata-se que o programa tem uma melhor adaptação da metodologia em empreendimento urbano, em que não haja interferência do cliente. Neste sentido, pode-se citar os prédios ‘fechados’, ou seja, prontos para comercialização, as residências construídas para pessoas de baixa renda (blocos habitacionais) como passíveis de obtenção de significativos benefícios ambientais e econômicos, pois esses podem ser projetados de forma a otimizar o uso de matéria-prima, insumo e auxiliares”, conclui Kunkel.

As principais barreiras identificas pela engenheira ao modelo P+L se resumem em: resistência dos funcionários; dificuldade para realizar as medições em campo; e inexistência de um fluxo contínuo de atividades, ou seja, quando a construção civil produz um único produto, sendo obrigada a alterar constantemente seus sistemas de trabalho e projetos.

Para acessar o estudo na íntegra, clique aqui.

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