PM paulista não coíbe faixas a favor de golpe em atos bolsonaristas

Posicionamento contraria recomendação do Ministério Público, que diz que tal material deveria ser apreendido por extrapolar a liberdade de expressão

Foto: Governo do Estado de São Paulo

Jornal GGN – A Polícia Militar de São Paulo não vem coibindo a exibição de faixas e materiais que defendem a ruptura democrática no Brasil, algo que acontece com frequência nas manifestações a favor do presidente Jair Bolsonaro. Tal posicionamento contraria o entendimento do Ministério Público de São Paulo, que ainda exige a apreensão desses itens.

Um exemplo de tal posicionamento pôde ser visto no último dia 07 na Avenida Paulista, onde bolsonaristas se reuniam em torno de basicamente duas faixas, que pediam pela intervenção militar com Bolsonaro no poder, a elaboração de uma nova Constituição e a criminalização do comunismo.

Além dos pedidos de intervenção, os apoiadores de Bolsonaro evocam o artigo 142 da Constituição, o AI-5 e defendem o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, o governador João Doria (PSDB) é crítico às manifestações antidemocráticas, mas diz que as manifestações devem ser respeitadas apesar da pandemia, desde que não ocorra violência ou agressão, como aconteceu em 31 de maio.

Ao mesmo tempo, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e a PM não esclarecem se existe alguma ordem sobre recolhimento de faixas e apreensão de manifestantes, lembrando que a recomendação do Ministério Público não tem a obrigatoriedade de ser acompanhada pelo governo.

 

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8 Comentários

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Carlos Elisio

- 2020-06-14 14:43:50

PMs executarem a lei? Olha a covardia a que se prestam. https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/06/14/vizinho-de-homem-agredido-durante-abordagem-da-pm-na-grande-sp-diz-ter-sido-ameacado-por-policiais.ghtml

Ugo

- 2020-06-14 12:19:16

Vamos ter a reedição do 9 de julho.02. Quem nunca aprendeu perderá outra.

orlando balbino neto

- 2020-06-14 11:41:11

A PM é golpista ferrenha desde sempre e notadamente desde as épocas de 1964, quando inclusive receberam treinamentos "anti-guerrilhas" e "aplicação de torturas eficazes" dos eua! Estão pegando no pé deles agora em 2020 por qual motivo?

André Lameira

- 2020-06-14 10:49:13

A PM não tem que coibir faixas em manifestação. Isso é um absurdo. É uma posição extremamente reacionária. A proposta é de uma idiotice monumental: institucionalizar a luta contra o fascismo, como se isso fosse possível. Vamos parar de tirar ideias bestas da cartola e olhar para a história: como o fascismo foi desmobilizado? Só há uma resposta: o fascismo é desmobilizado quando os fascistas levam porrada da esquerda. Lembrar por favor de como o integralismo foi derrotado em São Paulo na "revoada das galinhas verdes". Exigir que a PM desmobilize o fascismo é a ideia mais estúpida e estapafúrdia possível.

Anabi

- 2020-06-14 10:15:22

A PMm paulista é aquela que toma café da manhã de graça nos hotéis, faz um lanchinho nas padarias de graça, pelas 10h, almoça em churrascarias de graça e depois vai às lojas de conveniência dos postos de gasolina fazer uma boquinha de graça antes de passar o bastão. Tudo em nome da necessidade da alimentação, claro. E depois não tiram faixas com dizeres ilegais, em nome da liberdade de expressão, ora bolas. É a desigualdade e uma de suas filhas: a liberdade de opressão!

fel

- 2020-06-14 09:55:23

A PM sempre foi bolsonarista mesmo quando não existia o bolsonarismo. Agora querem ver a PM agir é só haver manifestação a favor da legalidade. Daí, mesmo que seja no final, ela dá um jeito de criar um confusão e descer o cacete nos manifestantes. E ninguém vai fazer nada contra os provocadores. Não foi assim da última vez?

Jair Pinheiro

- 2020-06-14 09:46:07

Não é papel da PM apreender faixa em manifestação, ela erra quando apreende da esquerda. A PM deve limitar-se ao trabalho da segurança, julgar é papel do jucidiciário, se provocado. Damos um tiro no pé criticando a polícia por não apreender faixas dos golpistas.

321 321

- 2020-06-14 08:55:32

Recordar é viver: A participação (ostensiva) da P-2 em 13.06.2013 Da Folha. 14.06.2013 A PM começou a batalha na Maria Antônia Quem acompanhou a manifestação viu: distúrbios começaram pela ação da polícia, na mesma rua do confronto de 1968 ELIO GASPARI COLUNISTA DA FOLHA Quem acompanhou a manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus ao longo dos dois quilômetros que vão do Theatro Municipal à esquina da rua da Consolação com a Maria Antônia pode assegurar: os distúrbios de ontem começaram às 19h10, pela ação da polícia, mais precisamente por um grupo de uns 20 homens da Tropa de Choque, com suas fardas cinzentas, que, a olho nu, chegaram com esse propósito. Pelo seguinte: Desde as 17h, quando começou a manifestação na escadaria do teatro, podia-se pensar que a cena ocorria em Londres. Só uma hora depois, quando a multidão engordou, os manifestantes fecharam o cruzamento da rua Xavier de Toledo. Nesse cenário havia uns dez policiais. Nem eles hostilizaram a manifestação, nem foram por ela hostilizados. Por volta das 18h30 a passeata foi em direção à praça da República. Havia uns poucos grupos de PMs guarnecendo agências bancárias, mais nada. Em nenhum momento foram bloqueados. Numa das transversais, uns 20 PMs postaram-se na Consolação, tentando fechá- -la, mas deixando uma passagem lateral. Ficaram ali menos de dois minutos e se retiraram. Esse grupo de policiais subiu a avenida até a Maria Antônia, caminhando no mesmo sentido da passeata. Parecia Londres. Voltaram a fechá-la e, de novo, deixaram uma passagem. Tudo o que alguns manifestantes faziam era gritar: "Você é soldado, você também é explorado" ou "Sem violência". Alguns deles colavam cartazes brancos com o rosto do prefeito de São Paulo, "Malddad". Num átimo, às 19h10, surgiu do nada um grupo de uns 20 PMs da Tropa de Choque, cinzentos, com viseiras e escudos. Formaram um bloco no meio da pista. Ninguém parlamentou. Nenhum megafone mandando a passeata parar. Nenhuma advertência. Nenhum bloqueio, sem disparos, coisa possível em diversos trechos do percurso. Em menos de um minuto esse núcleo começou a atirar rojões e bombas de gás lacrimogêneo. Chegara-se a Istambul. Atiravam não só na direção da avenida, como também na transversal. Eram granadas Condor. Uma delas ficou na rua que em 1968 presenciou a pancadaria conhecida como "Batalha da Maria Antônia". Alguns sobreviventes da primeira batalha, sexagenários, não cheiram mais gás (suave em relação ao da época), mas o bouquet de vinhos. Seguramente a Polícia Militar queria impedir que a passeata chegasse à avenida Paulista. Conseguiu, mas conseguiu que a manifestação se dividisse em duas. Uma, grande, recuou. Outra, menor, conseguiu subir a Consolação. Eram pessoas perfeitamente identificáveis. A maioria mascarada. Buscaram pedras e também conseguiram o que queriam: uma batalha campal. Foi um cena típica de um conflito de canibais com os antropófagos.

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