Pobreza é principal causa da degradação

Pobreza é principal responsável pela degradação ambiental nas áreas rurais, dizem pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), a partir de indicadores econômicos, sociais e ambientais que criaram para identificar os motivos da degradação nos agropolos do estado nordestino.

O Baixo Produto Interno Bruto (PIB) per capita é o primeiro fator de degradação em 16 dos 18 agropolos (áreas econômicas agrícolas) cearenses. Assim como: a baixa Taxa de Esgotamento Sanitário e a maior Porcentagem da Área Colhida com Culturas de Subsistência. Todos, fatores relacionados diretamente às condições precárias de vida de boa parte da população do estado.

Segundo dados da fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), 10% do solo do Ceará encontra-se degradado. O levantamento dos pesquisadores permite concluir que a fragilidade ambiental somada a fatores antrópicos (ou seja, de ação humana), pressionados por situações de pobreza e baixos níveis tecnológicos, geraram a descaracterização do ecossistema.

A degradação do solo impulsiona um segundo processo que ameaça hoje áreas de 11 estados brasileiros: a desertificação. Dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para o Programa Nacional de Combate à Desertificação (PAN) apontam que mais de 1.400 municípios sofrem com o fenômeno, englobando uma área de 66 milhões de hectares de terras.

A desertificação antrópica decorre da mineração, uso de tecnologias inadequadas de manejo de solo, queimadas e desmatamentos, sendo que as regiões onde é menor a ocorrência de chuvas e com alta incidência de calor, como o Semi-Árido Nordestino, são mais suscetíveis ao processo geológico.

Acesse: Brasil prepara plano para barrar desertificação

Agropolos

Agropolos são espaços geográficos voltados para produção no longo prazo com sistemas sócio-econômicos e de planejamento capazes de melhorar a qualidade de vida da população local a partir do emprego e renda.

“Um agropolo deve ser visto como uma rede envolvendo produtores rurais, instituições públicas e privadas, para desenvolver ações integradas e sistemáticas que incrementem a produção, a qualidade e a competitividade das cadeias produtivas de uma determinada região”, completam os pesquisadores da UFC.

Cada agropolo possui características particulares com atividades diferentes e que resultam no aparecimento de problemas ambientais também distintos. E dentre as principais causas econômicas da degradação percebida no Ceará estão:

– Pobreza: que limita o acesso das populações a recursos incentivando práticas insustentáveis.
– Irrigação extensiva: promove a salinização do solo, aumentando a chances de desertificação local;
– Grau de industrialização: a atividade é responsável pela emissão de gases poluidores, e de componentes que prejudicam a qualidade da água, ar e solos;
– Produção de carvão vegetal;
– Produção de lenha;
– Produção de madeira.

“O desmatamento é muitas vezes necessário para a produção agrícola. No entanto, quando o seu propósito é a extração de lenha para combustíveis passa a ser agente de erosão, salinização e declínio da fertilidade do solo”, colocam os autores.

Sustentabilidade

Os autores da pesquisa “Desenvolvimento rural sustentável e os agropolos”, apresentado durante o 28º Encontro Nacional de Engenharia de Produção, em outubro de 2008, defendem que a agroecologia deve ser inserida nos agropolos.

O modelo atual de produção nasceu em meados do século XX, a partir da “Revolução Verde”, quando o homem passou a empregar técnicas (de manejo e uso de químicos no controle de pragas) para aumentar a produtividade das lavouras.

As práticas básicas da agricultura convencional são resumidas em:
a) monocultura;
b) irrigação;
c) cultivo mecanizado intensivo do solo;
d) manipulação genética das plantas cultivadas;
e) aplicação de fertilizantes químicos;
f) controle químico de pragas e doenças.

A agroecologia se trata da transição do modelo atual de desenvolvimento agropecuário para um com características sustentáveis – ou seja, aquele capaz de satisfazer as necessidades da geração presente sem comprometer os recursos às gerações futuras.

“A agroecologia pretende o manejo ecológico dos recursos naturais, através de formas de ação social coletiva que apresentam alternativas à atual crise de Modernidade, mediante propostas de desenvolvimento participativo desde os âmbitos da produção e da circulação alternativa de seus produtos, pretendendo estabelecer formas de produção e de consumo que contribuam para encarar a crise ecológica e social e, desse modo, restaurar o curso alternativo da eco-evolução social e ecológica”, sintetizam os pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFS).

Os autores concluem que a implantação de agropolos sustentáveis dependem do poder público, e parcerias entre este e empresas de assistência técnica, instituições de crédito rural e qualificação de mão de obra, que “criam um contexto que permitem maior segurança para o agricultor e sua família.

Os agropolos são uma alternativa a sobrevivência da agricultura familiar, mantendo populações no campo e contribuindo no resgate e reconstrução de valores éticos e culturais. Enquanto que a produção sustentável tem potencial econômico cada vez mais significativo nos grandes mercados.

Para acessar a pesquisa “Fatores de Degradação Ambiental nos Agropolos do Ceará”, clique aqui.

Já, para acessar o estudo “Desenvolvimento Rural Sustentável e os Agropolos”, clique aqui.

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