Polícia ataca, e Quilombo Campo Grande pede socorro

Em Minas Gerais, policiais efetuam desapropriação atacando lavradores com bombas e fogo, colocando todos em risco

Jornal GGN – O Quilombo Campo Grande continua sob forte ataque. Policiais atacaram os lavradores com bombas e fogo, colocando todos em risco. A pressão é grande para que o despejo seja realizado e as terras, hoje produtivas, sejam devolvidas aos donos originais, que as querem justamente por isso.

A terra foi abandonada há mais de 20 anos e os proprietários devem uma fortuna ao poder público. Romeu Zema, governador de Minas Gerais pelo NOVO, foi às redes sociais dizendo que o assunto estava resolvido, enquanto isso a sua polícia atacava o Quilombo.

 

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2 comentários

  1. Para entender a situação do Quilombo Campo Grande.

    “De um lado temos uma usina de cana de açúcar com uma única família proprietária. Depois de décadas de uso excessivo da terra, desmatamento, trabalho escravo e muitos processos trabalhista e dívidas, a usina pede falência.
    Faliu não pagando salário pra ninguém, claro. Centenas de pessoas. Faliu devendo o valor das terras multiplicado por dez.

    Do outro lado temos as famílias que trabalhavam nesta usina e que ficaram sem seus baixos salários. Sem nada. Se organizaram e lutaram para conseguir uma parte da terra como o pagamento que não receberam. Para produzir alimentos. Para alimentar os filhos.

    Duas décadas de trabalho. Temos hoje mais de 450 famílias e a produção de toneladas de alimentos agroecológicos. Uma parte é certificada Orgânica pelo SPG que faço parte da Orgânicos Sul de Minas.

    Centenas de árvores plantadas. Diversas nascentes e mina d’água reapareceram nas terras. Centenas de famílias produzindo alimentos de qualidade. Não são ultraprocessados ou comida envenenada, é milho de semente boa, feijão orgânico, abóbora, hortaliças, ervas medicinais aos montes, o Café Guaií. 15 mil sacas de café/ano ORGÂNICO. Muito trabalho e renda para CENTENAS de famílias.

    Durante a pandemia essas famílias doaram muitos quilos de comida orgânica na região para pessoas necessitadas.

    A P&G e a Unilever também doaram. Apareceu em todos os jornais e sites, até nas propagandas da tv, só esqueceram de mencionar que eles doaram comida ultraprocessados, sem qualidade nutricional, algumas com prazo de validade expirando.

    Ontem li de um brasileiro que essa mamata iria acabar. Perguntei qual mamata? A mamata do latifundiário que deve milhões pra União? Ele vai pagar? Vai pagar finalmente o que deve? Ou a “mamata” de pegar na enxada e trabalhar de sol a sol pra produzir comida orgânica? De cuidar do solo? A mamata de não usar veneno na terra?

    O brasileiro médio que aos quarenta anos recebe mesada do papai porque não consegue produzir renda mensal para pagar as próprias contas. O brasileiro que fala de boca cheia da meritocracia ou do nepotismo.
    Ou ainda o brasileiro que é pobre mas que sente um prazer danado em defender o latifundiário escravocrata, chamo de síndrome do Capitão do Mato, porque só pode né? Adoram falar que essas histórias de MST não são boas não, é mentira, é tudo coisa de vagabundo.

    Eu sinto que falar de Reforma Agrária desperta um impulso de raiva em algumas pessoas, de inveja. Onde já se viu esse monte de família pobre lutando para conseguir um pedaço de terra pra plantar comida orgânica? Que absurdo, esse monte de pobre aprendendo a plantar agrofloresta, a fazer agroecologia. Construir escolas? Onde já se viu, que AUDÁCIA deles. Tudo vagabundo. “Tem que comprar terra com dinheiro, suor”. De preferência terra de grilagem ou desmatamento de família latifundiária escravocrata.

    Esse proprietário latifundiário comprou essas terras de quem né? Ah é, não comprou nada, só cortou todas as árvores, plantou cana até a terra ficar desgraçada, gritar e não produzir mais, então depois ele pediu falência.

    Se fosse na Europa que o brasileiro médio adora usar como referência, o MST ganharia um prêmio pelo trabalho que faz no Quilombo Campo Grande e ainda receberia subsídio do governo.

    Ah, magina.

    Eles ainda tem a AUDÁCIA de querer comercializar comida orgânica por preços acessíveis, colocando no chão essa a história do orgânico como nicho de mercado, de comida de rico. Afinal, não é pra vender feijão orgânico por 8 reais/kg, é pra vender por 25! Onde já se viu querer alimentar o povo com orgânico?!

    Bonito também é ver rico estudado montar “startup” de orgânico. Com marketing bonito, com a foto do agricultor na lavoura de mãos calejadas. É tão bonito que a gente vê essas startup ganhar MILHÕES de dinheiros para desenvolver esse trabalho. E olha que uma cabeça de brócolis deles passa de OITO reais no site bonito. O Armazém do Campo vende por TRÊS, praticamente sem subsídio. Ah que absurdo reforma agrária. Bonito é ver branco fazer permacultura na EcoVila.

    Vai passar um dia com alguma dessas famílias do Quilombo Campo Grande. Um dia. Fica quietinho só olhando. Vai ver as hortas, conhecer o viveiro de mudas que produzem, o trabalho das mulheres com as ervas medicinais. Conhecer a dona Ricarda, a Débora, a Tuira, o Lucas e outros agricultores da Cooperativa Camponesa. Vai ver as crianças que crescem ali. Você volta sentindo estupidez da sua existência. Sentindo que é um bosta, um frouxo.

    Vai conhecer a ESCOLA que eles construíram com as próprias mãos onde era um curral de gado que só tinha merda e que foi o primeiro lugar que a polícia reintegrou ontem e colocou no chão hoje. Passaram com o trator por cima da escola.

    Ontem recolheram os montes de livros no colo, juntaram as mesas e carteiras das crianças nas costas. Não tem mais escola.

    Essa história escancara o Brasil ao contrário.

    Hoje a polícia ainda está lá. Zema twitou (porque parece que só sabe fazer isso) que suspenderia a reintegração, mas foi tudo papo furado pra desmobilizar a militância online. Estão lá de prontidão, babando de ânsia para passar o trator por cima das casas, das hortas e das árvores desses agricultores. Passar o trator na terra de décadas trabalhada com cuidado. Pra dar pro latifundiário que deve milhões, pra voltar a plantar com veneno e a fazer escravidão.

    Por Roberta Pessoa Tanu”

    • Roberta, o brasil tem dono, e não somos nós.
      Ele não pode dar certo, assim como a grande África, um incalculável repositório de riquezas com gente “própria” para ser escravizada.
      O viver do povo pobre e explorado é um lento cataclismo, só superável por um grande e natural cataclismo, por um curto espaço de tempo, porque assim que a sociedade se reorganiza a ganância começa e quem pode mais chora menos.
      Está na gênese do homem.
      `A gente que tem que conviver com isso sofrendo engulhos diários, só resta se munir de uma reserva de antiácidos.

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