Potências não cumprem Protocolo, aponta relatório

O processo de alteração no sistema climático já está acontecendo. Enquanto isso, são aguardadas medidas mais eficazes dos países no sentido de frear as emissões, com base em um desenvolvimento mais sustentável. A consideração é de Karen Suassuna, especialista sênior do Programa de Mudanças Climáticas e Energia da WWF.

Segundo o relatório G8 Climate Scorecards lançado pela Rede WWF e Allianz, o Canadá, Estados Unidos e a Rússia têm o pior desempenho no cumprimento das metas de clima do Protocolo de Quioto. O documento analisa ainda países em desenvolvimento que compõem o G8+5, que inclui as principais economias emergentes – Brasil, México , Índia, África do Sul e China. Essas nações, no entanto, não possuem metas obrigatórias de redução de emissão de gases.

De acordo com Suassuna, os 13 países foram responsáveis por 80% das emissões em 2008, período do levantamento dos dados. Ela ressalta que há falta de vontade política em fazer alterações necessárias para redução de desmatamento e emissões de CO². Além Além disso, em sua avaliação, ainda existe uma grande barreira das potências mundiais em auxiliar os países em desenvolvimento a ter práticas mais sustentáveis.

Há dados positivos, entretanto, como a Alemanha, que ultrapassou as metas do protocolo de Quioto. O país está investindo em energia renovável por meio de leis de incentivo. O país já ultrapassou a meta de 12,5% de energias renováveis em 2010, com patamar de 14% em 2007.

Brasil

Embora tenha sua matriz energética baseada na hidroeletricidade e esteja investindo em programas de incentivo ao uso de biocombustíveis, o Brasil perde muitos pontos pelo desmatamento. Em comparação aos seus pares do G5, o nível de emissão percapita de gases poluentes está na média, mas acima do registrado pelo México.

O problema está no fato de que a maior parte das emissões do Brasil são causadas pelo desmatamento, que tem apresentado uma tendência de declínio nos últimos anos. A devastação das florestas, porém, é sensível aos preços internacionais das commodities, devido a abertura de áreas para expansão da agricultura

Segundo o advogado Antônio Penteado Mendonça, especialista em planejamento regional para a ocupação do solo, a mudança climática já é realidade. Ele exemplifica com o processo de desertificação verificado no Rio Grande do Sul. Mendonça ressalta, sem muito otimismo, que o cenário no Brasil só mudará quando for permitido o uso da floresta sem desmatamento. “A verdade é que antes desse quadro melhorar, se é que vai melhorar, ele ainda vai piorar muito”.

Suassuna diz que há possibilidade de que as pesquisas no Brasil não estejam adiantadas a ponto de saber qual será o impacto dessas alterações do clima no território nacional. Ou seja, o Brasil não estaria preparado para saber onde seria melhor prevenir ou mitigar os impactos.

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