Professores de direita formam associação nacional “Docentes Pela Liberdade”

Idealizador quer que o grupo antipetista e liberal na economia aumente influência sobre o governo e nas universidades

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – Professores de ensino básico e universitário que formam um “bloco mais ou menos coeso (antipetista, liberal na economia)” decidiram se reunir em torno de uma associação nacional batizada de “Docentes pela Liberdade”.

A ideia é “elaborar planos para aumentar sua influência sobre a universidade e, por que não, também sobre o governo”, narrou a Folha de S. Paulo desta quarta (3).

O grupo já tem 270 cadastrados em 23 estados e no Distrito Federal. A maioria é de humanas, mas 42% se dividem entre as áreas de exatas e biológicas. Cerca de 85% são professores do ensino básico ou superior.

Idealizador do grupo, o biólogo Marcelo Hermes-Lima, professor da UnB, afirmou ao jornal que o grupo procura pessoas de centro que se comprometam com a “liberdade”. O diário entrevistou inúmeros docentes que integram a organização, e a maioria reclamou da hegemonia da esquerda nos espaços acadêmicos e da má aplicação dos recursos públicos em projetos científicos ligados à agendas identitárias.

A doutora em educação pela USP e coordenadora da ONG Ação Educativa, Denise Carreira, avaliou que o grupo tem o direito de se reconhecer e organizar, mas questiona as “pautas defendidas individualmente por alguns participantes do grupo”, como o Escola Sem Partido.

“A gente pode ler essa situação como um grupo que retoma agendas tradicionais, elitistas, ligadas à meritocracia e em reação às conquistas de democratização das universidades. Será que essa associação vai defender as instituições de ensino? Será que vão lutar por mais dinheiro para a educação e para a ciência e tecnologia?”, comentou.

8 comentários

  1. Sinto alegria por saber que os professores direitistas estão saindo do armário.
    A notícia dos professores de direita procurando formar uma associação nacional batizada de “Docentes pela Liberdade” me deixa extremamente satisfeito, e quem ler entenderá o porquê.
    Por muito tempo sempre procurei preservar a Universidade de críticas que as tenho em grande quantidade porque não queria mostrar fragilidades causadas por elementos que denigrem a sua imagem jogando ao chão o trabalho honesto da imensa maioria dos docentes que conseguem levar uma vida impecável em todo o seu trajeto de vida acadêmica.
    Para começar elogiando e falando de uma pessoa que levou uma vida acadêmica e profissional impecável, citarei nominalmente o Professor Eurico Trindade Neves (apelido carinhoso de seus alunos e colegas: Pingo d’água – atenção ele era professor de hidráulica), que tenho a felicidade de ser convidado para participar em breve de seu aniversário de 100 anos de idade, um verdadeiro exemplo de dedicação extrema à instituição e aos seus milhares de alunos em décadas que ele lecionou e que acompanhei desde 1974 quando comecei a ser seu monitor.
    Como sei que jamais o professor Eurico e mais dezenas de outros professores e meus colegas, que apesar de muitos serem pessoas conservadoras não participariam de um grupo de direita montados nos dias de hoje, poderia fazer uma lista de fantásticos mestres que qualificariam antes de tudo de pessoas honestas e não cínicas, mas a lista ficaria muito longa.
    Porém por outro lado fico leve e solto para criticar, não nominalmente, determinados grupos que enxovalham mais a Universidade do que contribuem.
    Alguém poderia dizer que há tanto professores de direita como de esquerda que fazem este papel de denegrir o nome da academia, porém posso dizer com certeza, e explico logo a seguir, que há muito mais professores de direita (assumida como tal e apoiando o atual governo) que trabalham contra a instituição do que nas grupos de esquerda.
    Vamos explicar o porquê da última afirmação, pois não é a ideologia professada que molda o caráter, mas sim os valores materiais que a direita e a esquerda professam que levam a uma concentração de vigaristas mais a direita do que a esquerda.
    Quem é de direita tem por base conceitual a aceitação da falsa meritocracia e do mercado como a mola propulsora do mundo, logo quando há oportunidade de obterem ganhos extras via contratos junto com a universidade, simplesmente aceitam com maior intensidade e há uma divisão mais clara daqueles que entram no jogo de acordo com o carácter individual de cada um. Aqueles que tem apreço por ideologias de direita dividem-se muitos entre os oportunistas e os que se valendo, por exemplo, de uma postura positivista do início do século XX (não a atual) fazem uma divisão correta entre o público e o privado, porém como estas ideologias positivistas e outras do início do século XX vem perdendo intensidade e se passa a famosa “logica do Gerson”, ou seja, tem-se que tirar vantagem em tudo.
    Por outro lado, quem adota um discurso de esquerda, tem padrões mais rígidos entre a divisão entre o público e o privado, excetuando aqueles que com o mesmo discurso por convicção ou oportunismo, mas possuem deficiências de padrões morais ou mesmo desvios de personalidade, entram no grupo que utilizam a Universidade para seus nada democráticos projetos pessoais. Aí estão algumas pessoas com discurso de esquerda que não devem ser poupados.
    Porém voltando à razão da minha felicidade, a saída do armário desses grupos de direita, deixa bem mais fácil a identificação das origens das distorções e por consequente a crítica.

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  2. Nassif: diga o que quiser, mas que essa DIREITA é manhosa, isto é. Essa de professores liberais é pra fazer a cabeça da meninada. Vão querer levar a balburdia para a sala de aula com muito mais intensidade que aqueles que condenam e atacam. Vai ser tipo guerra na Maria Antônia, quando mataram aquele menino. Por trás devem estar os VerdeSauvas. Adoram uma pra incriminar estudante. Até infiltram capitão na parada.

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  3. Entramos num perigoso caminho. As colocações de um ministro da Educação e de um presidente clamando por uma perseguição ideológica contra quem pensa diversamente abre brecha para oportunistas que ora tentam se cacifar para um cargo ou posto ou quem sabe uma reitoria que se promete alinhada com o ministério. Um discurso falsamente meritocrático começa com falseamento de dados sobre a produção científica no Brasil. Usando os mantras usuais a sempre difundida imagem de que no Brasil tudo vai mal, tratam críticas como perseguições, mas falam de mérito, quando nem sempre o tem. Este movimento é similar à associações de artistas como um certo Alvim que parece querer um naco privilegiado e garantido, ao mesmo tempo que criticam os outros e a lei Rouanet. Com a promessa de intervir nas Universidades, e indicar reitores alinhados, um certo número de professores parecem querer se colocar na vitrine.
    Jamais colocam uma pauta clara, mas sempre falam em gestão de recursos, mérito e luta ideológica. Estes mesmos tem estimulado os denuncismos. São várias as denuncias vazias dirigidas diretamente ao MInistro, por professores que pedem sigilo mas não são anônimos. Estas pessoas esquecem que qualquer dos nosso economistas liberais e juristas conservadores que abundam em todos os governos e foruns , sairam da universidade e vários deles são professores respeitados e de forte influencia na Universidade. Não me parece que tenham sido perseguidos. Não creio que estes venham a se associar a este grupo. Este é um movimento claramente por poder e o seu mentor quer ser o primeiro da fila, pois com certeza querem principalmente colocar o proprio nome na vitrine.

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  4. Daqui a pouco fundam o movimento “consciência ariana”. Acho que se inspiraram nos criadores do “orgulho hétero”.

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