Progredir em fase final de testes

O novo horizonte exploratório do pré-sal trouxe a necessidade de ampliar a capacidade da indústria fornecedora de bens e serviços à Petrobras, o que passa pela necessidade de financiamentos mais baratos – uma antiga reivindicação da classe. Há cerca de três meses em testes, que deverá ir até meados de março, o Progredir, linha específica de financiamento para os fornecedores diretos e indiretos, deverá atender parte dessa solicitação, e entrará em operação efetiva com ajustes diversos, que vão ampliar o número de fornecedores aptos ao crédito e simplificar o processo concebido inicialmente.

Lançado em setembro do ano passado, o Progredir está com cronograma de implantação estimado em 12 meses. O sistema de crédito amplia a segurança dos bancos credores e que pode chegar até o quarto elo da cadeia de fornecedores. O financiamento é lastreado em contratos da Petrobras. De um lado, a boa percepção de crédito da petroleira garante risco menor às empresas sem folga de caixa, de outro, a petroleira amplia sua segurança no fornecimento e consegue mais competição no setor, o que é essencial quando se trata de investimentos tão volumosos.  O programa foi desenvolvido pela Petrobras – que financiou o projeto e é responsável pelo site – em parceria com seis bancos comerciais: HSBC, Banco do Brasil, Santander, Itaú, Caixa Econômica Federal e Banco Bradesco.

Dentre os principais ajustes durante a fase de testes, está a inclusão do contrato global, caracterizado pela multiplicidade de usuários na empresa.  Na concepção do plano, o crédito foi pensado apenas para o contrato padrão da Petrobras, como explica o gerente geral de Finanças, João Carlos Ferraz. Com a inclusão da outra modalidade global o número de contratos passíveis de serem atendidos pelo financiamento amplia significativamente, mas também amplia o número de gerentes que aprovam as solicitações dentro da Petrobras. Ao todo são 8 mil gerentes de contratos, que vão receber treinamento.

“O pulo do gato é que os bancos aceitam financiar com lastro no crédito, mas não tinham acesso às informações”, diz Ferraz em relação às informações do contrato global, agora incluídos do sistema.  No contrato global são vários gerentes para cada usuário, cada um deles deve validar a  proposta submetida ao site específico do programa.

Outra mudança diz respeito à tecnologia. No começo dos testes, a inclusão das empresas era feita de forma manual. O gerente de cada projeto da Petrobras deveria incluir os dados após a manifestação de interesse das empresas, o que poderia estar sujeito à erros e até mesmo se tornar contraproducente, considerando o grande fluxo de informações contratuais que passam pela empresa. O site do Progredir foi, então, somado ao programa de gestão integrada da companhia (SAP R/3). As informações sobre o projeto e sobre a empresa são preenchidas automaticamente.

A Petrobras não tem uma meta estipulada para o programa, mas está confiante no aumento de crédito. Com uma carteira de projetos em crescimento, é necessário garantir que os fornecedores consigam dar conta das encomendas. De acordo com Ferraz, vários fornecedores já procuram informação sobre o plano durante a fase piloto. E não é para menos, uma vez que com mais garantias, os fornecedores tem uma alavancagem menos onerosa, conseguindo praticar preços mais competitivos.

Hoje, excluindo suas subsidiárias, a Petrobras possui em carteira 14 mil contratos elegíveis, os não-perfomados, para participar do Progredir. Entre ativos e inativos, a estatal possui 34 mil fornecedores cadastrados. O alto custo do financiamento é uma das principais reclamações da classe, além de ampliar a competitividade, a redução do custo também ajudará a formar massa crítica para atender a crescente demanda da Petrobras.

O novo horizonte exploratório e a capitalização da empresa despertam o apetite e o otimismo do mercado financeiro.  Somente a Caixa Econômica Federal espera abocanhar 10% dos financiamentos tomados pelos fornecedores para atender a Petrobras no período de 2010 a 2014, o que totaliza R$ 50 bilhões de acordo com o banco.

O Bradesco também tem perspectiva positiva em relação ao programa, e foi o primeiro banco a fechar proposta durante a fase piloto. De acordo com Renan Mascarenhas Carmo, diretor do Departamento Bradesco de Poder Público, considerando que as 45 empresas cadastradas hoje no portal possuem contratos que somam R$ 400 milhões, a expectaiva é de ticket médio de R$ 9 milhões por contrato. “Existe também a expectativa de inserirmos no Progredir as operações junto a PNBV (Repetro) hoje na ordem de US$ 8 bilhões”.

Implementação

Os aperfeiçoamentos do programa acompanham o treinamento dos gerentes de contrato da Petrobras e dos demais envolvidos nos bancos e nas empresas. Somente a Petrobras possui oito mil gerentes de contrato que vão passar por treinamento específico.

A petroleira estabeleceu um comitê interno envolvendo as principais áreas da Petrobras  para implementação do Progredir, divididas em quatro fases, denominadas ondas. Cada onda deverá ter duração de três meses e vai envolver um determinado número de fornecedores, tendo como critério os valores dos contratos. A instalação total do Progredir deverá ser concluída em 12 meses.

Etapas

Para o fornecedor integrar o Progredir, é preciso manifestar por escrito sua vontade em participar do programa, apontando quais contratos quer submeter à solicitação de crédito. É possível financiar até 50% do contrato, o saldo pode ser oferecido como garantia para o subfornecedor.

A Petrobras faz a inclusão da empresa no sistema. O fornecedor deve então colocar as informações adicionais, como expectativa de faturamento. Também é obrigado a informar os subfornecedores que podem solicitar crédito.

Os dados sobre faturamento incluído pela empresa são validados pela Petrobras, certificando-se de que o valor apresentado é razoável. Se o fiscal ou gerente não aprovar os dados, o fornecedor deve refazer os cálculos e submetê-los novamente à aprovação da estatal, até que se chegue a um acordo.

A tomada de crédito ocorre por meio de um leilão eletrônico, onde os bancos são obrigados a apresentar propostas. As empresas devem responder em até 48 horas se aceitam ou não as propostas apresentadas. Após escolher a proposta, o banco libera os recursos em até 72 horas.

Caso o fornecedor não aceite nenhuma das propostas, o processo é zerado. Mas de acordo com Ferraz, caso um fornecedor torne a desistência do processo uma constante, será realizada uma reunião com o mesmo para verificar o que está acontecendo.

No caso de inadimplência de um dos fornecedores, a Petrobras efetua o pagamento em uma conta garantia, assim, se um fornecedor não conseguir arcar com o compromisso firmado com o banco credor devido à falta do pagamento de seu contratante, o pagamento será feito nesse ambiente de liquidação, em que o banco paga o fornecedor, o montante tomado como empréstimo e devolve o saldo ao contratante.

Leia, aqui, a reportagem Bancos Entusiasmados com financiamento

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