PT busca reaproximação com movimentos sociais, mas não reconhece erros

Registro minhas primeiras impressões do 6º Congresso Nacional do PT, que elegeu senadora Gleisi Hoffmann (PR) como nova presidenta da legenda.

A CNB manteve sua hegemonia com larga maioria de votos.

Ou seja, o PT seguirá sem mudanças significativas, devendo continuar com uma política “aliancista” e sem uma guinada “mais à esquerda”. 

Se o PT não muda, se quer “conservar”, como vamos propor mudanças na sociedade e lutar contra o conservadorismo?

Não trato aqui de nomes de pessoas, mas de ideias, de compreensão da conjuntura e de formulação de propostas.

A convenção partidária, pela sua maioria, decidiu não reconhecer erros, o que demonstra, para mim, que o PT ainda está naquela fase de “negação” da doença que prejudica seriamente sua saúde.

Reconhecer erros não significa admitir que errou em tudo. Mas tem o simbolismo de mostrar para a sociedade que o PT deu-se conta de determinados equívocos políticos que cometeu e que não vai mais tolerar práticas que exigem relações com os subterrâneos da política e do poder econômico.

Pelo que entendi, o PT assumiu no seu Congresso as seguintes bandeiras como principais: a regulação da mídia e reformas tributária e no sistema Judiciário. 

Portanto, a reforma política, que seria a principal, vai ficar para um segundo plano.

Aliás, reformar o Judiciário sem reformar a própria política soa como uma proposta sem sentido ou até mesmo uma vindita. Lembro que a configuração atual do STF, por exemplo, tem o dedo do governo do PT, que preferiu “conciliar” ao invés de nomear juristas comprometidos com uma visão social e garantista.

No meu sentir, nossas bandeiras principais deveriam ser a defesa dos direitos sociais, das políticas públicas de inclusão social e a reforma do sistema político. Sem rever o modelo de financiamento de campanhas eleitorais não há como combater a corrupção com efetividade.

Por derradeiro, menciono o acerto do PT ao assumir a meta de fomentar a “reaproximação com as nossas bases“. Restabelecer o diálogo entre o PT e os movimentos sociais é uma condição básica para o partido retomar seu fôlego e enfrentar as lutas que vêm por aí.

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1 comentário

  1. Mais um com o papo da

    Mais um com o papo da auto-crítica. Duvido que não se faça auto-crítica, ainda mais depois de tanto erros cometidos, mas o que os defensores da “auto-crítica” querem na verdade é uma expiação pública, de tom udenista, e de preferência, no JN ou por uma entrevista do Lula nas páginas amarelas da Veja. 

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