Quando vós fordes bem velha, por F. Ponce de León 

Este artigo oferece uma nova versão em português para um renomado soneto do poeta francês Pierre de Ronsard

Foto: https://www.abebooks.com/

Enviado por Felipe A. P. L. Costa

Quando vós fordes bem velha.

Por F. Ponce de León, do blogue Poesia Contra a Guerra.

Este artigo oferece uma nova versão em português para um renomado soneto do poeta francês Pierre de Ronsard (1524-1585) [1].

Ao menos três versões foram publicadas antes [2].

A minha proposta aparece logo abaixo. Em seguida, reproduzo o poema original, publicado em 1578 [3].

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1. UMA NOVA PROPOSTA DE TRADUÇÃO.

Quando vós fordes bem velha.

Pierre de Ronsard.

Quando vós fordes bem velha, à noite, à luz da vela,

Sentada perto do fogo, enrolando e fiando,

Direis, recitando meus versos e vos enlevando:

“Ronsard me celebrava ao tempo em que eu era bela”.

Então vós não tereis serva ouvindo tal novidade,

Já a labuta feita e meio sonolenta,

Que ao som do meu nome não fique atenta:

Bendizendo vosso nome, em louvor infindo.

Eu estarei sob a terra e, fantasma sem osso,

Entre as sombras do mirto terei meu repouso;

Vós sereis diante da lareira uma velha encolhida,

A lamentar meu amor e vosso fero desdém.

Vivei, se em mim crês, sem aguardar o que vem:

Colheis hoje – desde já – as rosas da vida.

2. O POEMA ORIGINAL.

Quand vous serez bien vieille.

Pierre de Ronsard.

Quand vous serez bien vieille, au soir, à la chandelle,

Assise auprès du feu, dévidant et filant,

Direz chantant mes vers, en vous émerveillant,

“Ronsard me célébrait du temps que j’étais belle.”

Lors vous n’aurez servante oyant telle nouvelle,

Déjà sous le labeur à demi sommeillant,

Qui au bruit de mon nom ne s’aille réveillant,

Bénissant votre nom, de louange immortelle.

Je serai sous la terre et, fantôme sans os,

Par les ombres myrteux je prendrai mon repos;

Vous serez au foyer une vieille accroupie,

Regrettant mon amour et votre fier dédain.

Vivez, si m’en croyez, n’attendez à demain:

Cueillez dès aujourd’hui les roses de la vie.

*

NOTAS.

[1] Sobre o poeta, ver Carpeaux, O. M. 2011. História da literatura ocidental, vol. 1, 3ª ed. Brasília, Senado Federal.

[2] Duas versões – publicadas em 1950 e 1968, em traduções de Guilherme [de Andrade] de Almeida (1890-1968) e José Lino Grünewald (1931-2000), respectivamente – podem ser lidas aqui. A terceira – publicada em 1952, em tradução de Heitor P. Fróes (1900-1987) –, pode ser lida aqui.

[3] Há pequenas variações em um ou outro verso, a depender da edição consultada (e.g., v. 7: em vez de ‘mon non’, pode-se ler ‘Ronsard’). Uma instrutiva análise do poema (em inglês) pode ser lida aqui. Uma análise em vídeo (em francês) pode ser vista aqui.

Felipe A P L Costa, é biólogo, pesquisador em ciências biológicas e ecologia.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]

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