Queda do preço da carne leva IPCA a 0,21% em janeiro

Inflação oficial tem sua menor variação para o mês desde julho de 1994, segundo dados do IBGE

Inflação oficial tem menor resultado para o mês desde início do Plano Real. Foto: Reprodução

Jornal GGN – A inflação oficial medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) encerrou o mês em alta de 0,21%, ficando bem abaixo da variação de 1,15% vista em dezembro, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A inflação em janeiro atingiu seu menor resultado para o mês desde o início do Plano Real, em julho de 1994. No acumulado em 12 meses, o índice atingiu 4,19%. Em janeiro de 2019, a taxa havia ficado em 0,32%.

O recuo do preço das carnes puxou o índice para baixo, segundo o gerente de Índice de Preços do IBGE, Pedro Kislanov. “A desaceleração no grupo alimentação e bebidas (de 3,38% em dezembro para 0,39% em janeiro) deveu-se, principalmente, ao comportamento dos preços das carnes. Após a alta de 18,06% no mês anterior, as carnes apresentaram queda de 4,03% no IPCA de janeiro, contribuindo com o maior impacto negativo no índice do mês (-0,11 p.p.)”.

Segundo Kislanov, o aumento do preço das carnes nos últimos meses de 2019 se deu devido ao aumento das exportações da China, além da alta do dólar, que acabaram por restringir a oferta do produto no mercado doméstico. “Agora, percebemos um recuo natural dos preços, na medida em que a produção vai se restabelecendo para atender ao mercado interno”, avaliou ele.

Outra contribuição negativa partiu de saúde e cuidados pessoais (-0,32%, revertendo uma inflação de 0,42% em dezembro), afetado pelos produtos para pele (-6,51%) e perfumes (-4,66%). No lado das altas, os destaques foram o plano de saúde (0,60%) e os produtos farmacêuticos (0,33%).

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O maior impacto positivo no índice veio do grupo habitação, que também registrou a maior variação (0,55%, mesmo que a variação tenha sido inferior aos 0,82% registrados em dezembro) entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, puxada pelos preços de condomínio (1,39%) e aluguel residencial (0,61%).

O resultado dos transportes (0,32% em janeiro, ante 1,54% em dezembro) foi puxado pela gasolina (0,89%) e o etanol (2,59%). Os preços dos ônibus urbanos variaram 0,78%, devido aos reajustes nas tarifas em várias regiões. Já o maior impacto negativo (-0,05 p.p.) veio das passagens aéreas (-6,75%), que haviam apresentado alta de 15,62% no índice de dezembro. Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,48% em vestuário e a alta de 0,35% em despesas pessoais.

Kislanov observa que nenhum dos novos itens da cesta impactaram o indicador em janeiro, mas cita algumas variações: o transporte por aplicativo, cujos preços foram coletados pelo robô criado pelo IBGE, recuou 0,54%, com a maior queda em São Paulo (-2,89%) e maior alta em Goiânia (1,99%). Serviços de streaming não variaram. Higiene de animais domésticos recuou 0,19%, cabeleireiro e barbeiro avançou 0,20% e sobrancelha, recuou 0,26%.

Três das 16 regiões pesquisadas pelo IBGE tiveram deflação: Rio Branco (-0,21%), São Luís (-0,19%) e Brasília (-0,12%). A região metropolitana de Belém e o município de Aracaju apresentaram a maior inflação (0,39%) entre as áreas pesquisadas.

A variação dos preços no mês passado foi calculada com base na nova cesta de produtos e serviços, que foi atualizada, a partir da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, para acompanhar mudanças nos hábitos de consumo da população brasileira. O IPCA de janeiro contém ainda preços do transporte por aplicativo, coletados pela primeira vez por um robô virtual.

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1 comentário

  1. Um dos truques mais simples utilizados contra ou a favor de indicadores é escolher usar percentuais e/ou valores.
    Ex: Num país onde o PIB cresce 4% ao ano nos últimos 20 anos, de repente cai 10% de 10 trilhões em um ano (valor de 1 trilhão para 9 trilhões) e no ano seguinte sobe 5% (valor de 450 milhões para 9.450).
    Se for de interesse da miRdia bater, ela dirá que o valor continua abaixo desde 2 anos. Se for para elogiar, dirá que é o melhor resultado da História.
    E assim são feitas as cabecinhas…

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