Raio X da indústria em 2019: o desastre reiterado

Algumas associações tentam ressuscitar a fada das expectativas com a alegação de que este ano a queda foi menos disseminada que no ano passado.

Ontem o IBGE divulgou os dados regionais do desempenho da indústria em 2019. Apenas reafirmam os dados desastrosos do levantamento nacional.

Por setor, o desempenho nacional foi o seguinte.


Por região, o que se tem é um quadro generalizado de retrocesso industrial. Algumas associações tentam ressuscitar a fada das expectativas com a alegação de que este ano a queda foi menos disseminada que no ano passado.

Não é o caso das regiões. Em 2019, em apenas 2 regiões a indústria registrou crescimento, contra 12 regiões em que houve retrocesso – contra 6 e 8 regiões respectivamente em 2018. Desde 2015, apenas 3 regiões registraram crescimento contra 11 com retrocesso industrial.

Na relação das maiores quedas, há números alarmantes, de 28,5% no Amazonas até 13,6% no Ceará. A razão maior é que o aumento de consumo na região atraiu indústrias do sul, sudeste para lá. Com o desmoronamento do mercado e das políticas de renda mínima, as empresa voltaram a seus estados de origem.

Por região, o desempenho industrial ficou assim:

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Leia também:  Casos de coronavírus na Alemanha aumentam 2.705 em um dia, chegando em 16.662

3 comentários

  1. E ainda apoiam o golpe e as anacrônicas políticas neoliberais.* Canalhas e incompetentes. Só há dois caminhos: 1) entrega tudo de uma vez para os EUA e vivamos na servidão voluntária; ou, 2) estatiza tudo!

    * Ultrapassadas para todos. Leiam o importante artigo “Comunidade de segurança dos EUA começa a discutir o fim da era do neoliberalismo” aqui mesmo no GGN

  2. Da série:

    A EFICÁCIA DO LOBBY DOS 3S do I

    https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2020/02/11/falta-de-mao-de-obra-qualificada-afeta-metade-das-industrias-do-pais.ghtml

    Esclarecimento ao ignorante:

    Como dentre milhares, talvez milhões, de desempregados dessas mesmas indústrias não se consiga contratar o suficiente para suprir essas vagas que dizem terem catastroficamente dificuldades para contratar ?

    Duvido, com poucas chances de erro, que essas indústrias não consigam pegar desempregados, ex-funcionários, reciclarem, atualizarem o cara em curtissimo periodo e voltarem a produzir em modernos parametros e, até, superarem a concorrência chinesa.

    Talvez o SOCIALISTA presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), do Serviço Social da Indústria (Sesi-SP), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP), do Instituto Roberto Simonsen (IRS) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/SP). E também o 1º vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) possa explicar.

  3. Bem, o “agora vai” se foi. Qualquer projeção que aponte crescimento não se sustenta, como não se sustentava antes. A indústria desde muito não é o maior setor da economia, mas ainda é o seu motor. Demanda serviços, abastece o comércio e por este é demandada. Gera emprego e renda contribuindo para o consumo ao tempo em que contribui para as receitas da União, estados e municípios. Indústria caindo pelas tabelas, em suma, é parte da causa e sintoma da anemia de todos os outros setores.
    Mas, aqui há outro fator, ainda não muito comentado, que pode criar um nó górdio atado no pescoço do “agora vai”, a inflação de custos. Chega a ser cômico ver-nos na eminência de discutir isso novamente. Foi tema recorrente nos tempos de antanho, quando Sarney lidava com a hiperinflação e os economistas tentavam chegar a um acordo sobre se a inflação era de demanda ou de custos. Mas, isso são águas passadas, vamos ao momento.
    Vamos pensar como a indústria frente à crise, ou seja, face à queda das vendas.
    Estabeleçamos que em mercado competitivo a decisão de preços é, ou deveria ser, orientada pelo planejamento de custo x volume x lucro. Lembremos que os custos podem ser divididos entre variáveis e fixos. Como os nomes indicam um varia em função do volume produzido, enquanto o outro permanece fixo não importando o quanto é produzido. Assim, quanto mais você produz, menor o seu custo total porque uma parcela do custo, a parte fixa, é diluída em um número maior de itens.
    Demonstrando, vamos considerar que um dada indústria X faz um único produto A e que esse produto tem um custo variável de 10 reais a unidade. Consideremos que o custo fixo total dessa empresa é R$ 1 milhão. Se fabricar 1 item de A o custo unitário total será => 10×1+1.000.000= 1.000.010. Se o preço unitário de venda for R$ 20, quando o item for vendido o prejuízo sera de R$ 999.990.
    Agora, se essa empresa X produzir 1 milhão de itens de A, o custo unitário total será =>(10X1.000.000+1.000.000)/1.000.000=11,00. Se essa empresa vender a produção – afinal esse é o objetivo já que ninguém produz para deixar no estoque – pelos mesmos R$ 20,00/un. a receita de vendas será R$ 20 milhões e o lucro somará R$ 9 milhões. Como vemos os custos unitários totais diminuem conforme a produção aumenta e a isso se chama diluição de custos fixos.
    Mas o que o fundilho tem a ver com as calças? Vamos lá. Enquanto a demanda pelo produto A estiver aquecida a empresa X poderá, em tese, manter ou até aumentar seu preço. Porém, quando a demanda desaquece, como ora ocorre, a disputa de mercado pelo consumidor aumenta. As empresas buscam defender seu preço de venda e resistem enquanto podem à pressão para baixá-los. Mas, quanto mais longa é a crise, menor a resistência a baixar preços. Quando o volume de vendas entra em curva descendente a maioria irá baixar preços para tentar segurar posição de mercado, o seu market-share. Assim, empresas buscam manter market share e lucratividade trocando preço por mais volume preservando a taxa de absorção dos custos fixos. O problema surge – como em alguns setores já registram – quando preços “congelados” ou menores não resultam em vendas maiores. Então, se essa tendência é mantida, chega o ponto em que a empresa aumenta seus preços numa tentativa cobrir custos fixos e fugir do prejuízo. Em uma economia desaquecida, com demanda fraca, aumento de preços, muito provavelmente, implica em perda de volume. Neste ponto está o tal nó górdio: se aumento preços e não vendo tenho prejuízo; se baixo preços e também não vendo tenho prejuízo. Como tenho pouco ou nenhum poder sobre a decisão do cliente, ao passo que tenho total poder sobre precificação de meus produtos, aumento o preço para tentar segurar a peteca, mesmo sabendo que corro o risco de perder mercado. Aqui, neste ponto, já não há mais opção, é a decisão possível se impondo.
    E como isso cria inflação? Bem, se dá por efeito cascata. Na medida em que todas ou grande parte das empresas encaram o mesmo fato, tomam decisões semelhantes. Isso não impacta somente na ponta do consumo final, mas ao longo de toda a cadeia onde, além da pressão por cobrir custos fixos, soma-se a pressão vinda do aumento do custo dos insumos. Em um efeito paradoxal, em confronto com o princípio de que os preços seguem a relação entre a oferta e a demanda, os preços entram em um espiral ascendente e temos um quadro inflacionário em uma economia em recessão, a esquecida estagflação.
    E eu aqui achando que nunca mais falaria disso… Eita, paisinho da porra!

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome