Reforma previdenciária ou Revolução francesa, faça sua escolha ou morra de fome na velhice

“Aposentadoria é subsistência; quem quiser faça outra poupança”, estas são as palavras do relator na Câmara dos Deputados da reforma previdenciária proposta por Michel Temer http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/03/1864348-aposentadoria-e-subsistencia-quem-quiser-faca-outra-poupanca-diz-relator.shtml?cmpid=fbpoder.

A reforma, contudo, não reduzirá as regalias previdenciárias desfrutadas por Ministros do STF, STJ, TST, TSE e STM, também não afetará os valores recebidos por aposentados e pensionistas dos TJs, TRFs, TRTs, ídem para os membros do MPF e dos MPs estaduais e para os Procuradores estaduais e municipais. Senadores, Deputados Federais e Estaduais, governadores, prefeitos, vereadores também não serão prejudicados pela reforma da previdência de Michel Temer. A subsistência nababesca de diversas castas do serviço público continuará custando aos cofres públicos bilhões de reais mensalmente.

O esforço do governo se restringe à reduzir os direitos e benefícios dos aposentados e pensionistas do INSS. Daqueles que, além de custear com impostos as aposentadorias dos “donos do Estado”, pagam as contribuições sobre seus salários para  manter o sistema público de previdência para quem trabalha na iniciativa privada.

É evidente que o argumento do relator do projeto de reforma previdenciária não passa de retórica. O que Michel Temer pretende fazer é reforçar o abismo que existe entre os que conservarão seus privilégios e aqueles que custearão as aposentadorias e pensões dos privilegiados sem ter direito de receber aposentadorias e pensões dignas. Apesar de adotar a forma republicana, o Brasil passará a ter duas populações submetidas a duas regras previdenciárias muito distintas.

Atualmente um aposentado da previdência pode ganhar no máximo 10 salários mínimos, ou pouco mais que 8 mil reais. Isto não é nada se comparado às aposentadorias recebidas pelos donos do Estado http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/abrimos-a-caixa-preta-da-aposentadoria-dos-politicos/. No caso dos Juízes, as distorções são ainda mais gritantes, pois milhares deles ganham acima do teto constitucional http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/06/juizes-estaduais-e-promotores-eles-ganham-23-vezes-mais-do-que-voce.html. Além disso, até os juízes que são condenados pelo CNJ continuam recebendo aposentadorias suculentas https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2016/12/05/brasil-gasta-r-164-mi-ao-ano-com-aposentadorias-de-juizes-condenados-pelo-cnj.htm.

Resumindo: as aposentadorias e pensões que deveriam ser rebaixadas (aquelas referidas no segundo parágrafo e no parágrafo anterior) não sofrerão qualquer corte. O que o usurpador pretende fazer é empobrecer ainda mais uma parcela da população que já tem sido esmagada por ser obrigada a custear sua própria previdência minguada e a pagar os impostos que garantem aos políticos, desembargadores, juízes, promotores e procuradores privilégios previdenciários dignos das odiosas aristocracias que sustentavam as monarquias absolutistas européias do século XIX.

Tudo bem pesado, a reforma da previdência promovida por Michel Temer pode acabar provocando uma sangrenta revolução francesa no Brasil. Assim seja.

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