Refundação do Brasil: Ermínia Maricato e a defesa da reforma urbana

"Nós temos leis avançadíssimas para combater a especulação de terras e imóveis. Temos artigos na Constituição, estatuto na cidade, planos diretores, mas isso não é aplicado", diz

Luiza Castro/Sul21

Jornal GGN – A professora, arquiteta e urbanista Ermínia Maricato é a entrevistada da série “Refundação do Brasil” desta segunda (24). Em pauta, a visão sistêmica sobre a reforma urbana.

Na entrevista a Luis Nassif, Ermínia falou sobre a especulação imobiliária, as experiências em mobilidade urbana das prefeituras democráticas brasileiras, entre outros tópicos.

Ela destacou que “qualquer mercadoria não ligada ao solo, quanto mais você produz, mais abaixo o preço.” Mas isso não acontece na área de habitação. Ao contrário. “Na cidade, esse pedaço de terra tem condições que interferem no preço, como a localização. Se tem metrô próximo, infraestrutura, isso tem um preço. Em São Paulo, 20 anos de expectativa de vida separam Itaquera do Jardim Paulista.”

Para a especialista, “nós temos leis avançadíssimas para combater a retenção especulativa de terras e imóveis. Temos artigos na Constituição, estatuto na cidade, planos diretores, mas isso não é aplicado.”

Ainda de acordo com ela, todo o investimento do programa Minha Casa, Minha Vida, que chegou a 600 bilhões de reais entre 2009 a 2016, acabou, “por conta de não haver regulação sobre o solo, aumentando muito o preço das moradias e dos aluguéis”. Foi um aumento de 160% no preço dos imóveis, nesse período, e de mais de 100% nos aluguéis.

“Com esse boom imobiliário, o que aconteceu com as nossas cidades? Elas se dispersaram. Cresceram mais horizontalmente, ficou com vazios no tecido urbano, especialmente as metrópoles do Nordeste e Sul e as cidades de porte médio.”

“As câmaras municipais usaram o artificio de aumentar o perímetro urbano, e isso fez com que explodisse o preço da terra e teve um impacto forte nas viagens, que se tornaram mais longas. Aumentou o tempo de viagem, o custo e o preço das viagens”, disse Ermínia.

Segundo ela, em 2017, o IBGE já apontava que a população gastava mais em transporte do que alimentação. “É muito importante a gente reter uma regressão nas condições da vida urbana”, alertou.

Assista a partir de 10m37s:

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