Relatório aponta diretrizes para reduzir emissões

Um incisivo controle da emissão de carbono, em nível global, pode ser uma importante ferramenta para minimizar as alterações climáticas. Caso o método seja implementado agora, até 2050 o aumento da temperatura global poderá ser abaixo de 2ºC.

O dado é de relatório intitulado “Compartilhando esforços em um orçamento global de carbono” (Sharing the effort under a global carbon budget, em inglês), produzido pela Ecofys e WWF. A metodologia apresentada, porém, não considera a emissão de gases, decorrentes do desmatamento e da degradação ambiental, e a retirada de gases da atmosfera em razão da recuperação das florestas. De acordo com a WWF, a ausência desses indicadores se deve ao elevado grau de incerteza sobre o comportamento dos ecossistemas no balanço do carbono.

Para solucionar a lacuna, o estudo considerou valores totais das problemáticas, partindo de um cenário onde as emissões relativas à florestas reduzem gradativamente a partir de 2020, chegando a zero em 2050. O seqO seqüestro de carbono é contabilizado a partir de 2030.

Metodologia


O relatório aponta que as emissões devem ser definidas em aproximadamente 1.600 gigatoneladas de CO2, equivalentes para o período entre 1990 e 2050. Como uma grande parcela destes gases já foi emitida globalmente, o balanço até 2050 é reduzido para 970 gigatoneladas de CO2 equivalentes.
O projeto apresentou diferentes meios para reduzir as emissões de carbono em pelo menos 80% até 2050, tendo 1990 como ano base, são eles:

– Direitos de Emissão de Gases de Efeito Estufa por Nível de Desenvolvimento (GDR), indica que todos os países precisam reduzir as emissões abaixo do nível da tendência de crescimento atual com base em suas emissões per capita, limites de pobreza e PIB (Produto Interno Bruto) per capita.
– Sistema Contração e Convergência (C&C), indica que as cotas per capita convergem do nível atual de cada país para um nível igual para todos os países dentro de um determinado período.
– Sistema Convergência Comum, mas Diferenciada (CDC), indica que as emissões per capita dos países desenvolvidos convergem para um patamar igual.
Brasil

Aplicados no Brasil, os métodos C&C e CDC, permitem um arrefecimento de emissões de 73%, no mínimo. No mesmo parâmetro, a China ficaria com 70% de redução e a índia, entre 2% e 7%. Já pelo GDR, conforme o documento, há possibilidade de um aumento nas emissões para a maior parte dos países em desenvolvimento.

Na avaliação do superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, é fundamental para países com grandes extensões de florestas, como o Brasil, entender o papel da vegetação. Essa compreensão deve ocorrer tanto na sua dimensão espacial como temporal, no balanço total de carbono.

Scaramuzza complementa que a inclusão de florestas nestas análises poderia modificar a distribuição das reduções entre os países. “É uma possibilidade relevante para quem tem emissões ou remoções elevadas neste setor, mas requer melhorar significativamente a qualidade das informações”.

Clique
para ler o relatório na íntegra, em inglês.

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