Retratos de uma balança comercial empobrecida, por Luis Nassif

A cada mês que passa a pauta comercial brasileiro vai se empobrecendo. Confira os dados acumulados até março de 2021. Por lá se percebe uma queda na participação da Indústria de Transformação nas exportações totais, caindo de 63,7% nos acumulado de 12 meses até março de 2016, para 53,3% nos últimos 12 meses (Tabela 1).

Em geral, o predomínio da Indústria de Transformação demonstraria um maior vigor da indústria nacional.

Uma análise dos produtos principais, no entanto, mostra a fragilidade da indústria brasileira (Tabela 2). Os 10 produtos de maior peso representam pouco valor agregado em cima de produtos primários – derivados do açúcar, soja, carne, minérios de ferro.

Mesmo assim, na análise do saldo comercial, percebe-se a extraordinária vulnerabilidade da Indústria de Transformação (Tabela 3). O saldo comercial se funda exclusivamente na Agropecuária (US$ 42 bi) e na Indústria Extrativa (US$ 47 bi), enquanto a Indústria de Transformação acumula déficit de US$ 32 bi.

Quando se decompõe a Indústria de Transformação, fica claro a pobreza da pauta de exportações (Tabela 4). Os setores de maior valor agregado – Bens de Capital e Bens de Consumo – são inexpressivos. A maior parte das exportações é de Bens Intermediários, com US$ 12,8 bilhões.

Uma análise do comportamento das exportações de Bens de Consumo, mostra uma queda aguda nas curvas de curto prazo (que mede variação trimestral).

Mesmo assim, a cada mês que passa, mais aumenta a participação chinesa nas exportações brasileiras. No acumulado de 12 meses até março de 2021, a China representa 34,1% das exportações brasileiras, 4 pontos percentuais a mais do que há um ano.

Tabela 1

Tabela 2

Tabela 3

Tabela 4

Tabela 5

Tabela 6

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