Roda Viva: Moro é cobrado sobre vazamentos que atingiram Lula e PT

"É muito fácil olhar para 2016 e dizer que não teve culpa, que foi manipulado. Ele [Gilmar Mendes] que assuma a decisão que tomou", diz Moro sobre Lula ter sido impedido de assumir ministério

Jornal GGN – O ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro negou nesta segunda (20), em entrevista ao Roda Viva, que tenha manipulado informações a respeito do grampo irregular no ex-presidente Lula, levando o ministro Gilmar Mendes a conceder uma liminar para impedir o petista de participar do governo Dilma, em 2016.

À época, Moro vazou à imprensa a conversa de Dilma e Lula sobre um termo de posse na Casa Civil, com o objetivo de gerar polêmica e evitar que o processo do ex-presidente fosse transferido da 13ª Vara Federal de Curitiba para um tribunal superior.

Ao Roda Viva, Gilmar admitiu que se arrepende da decisão e afirmou que o vazamento foi uma manipulação.

“Não houve manipulação nenhuma. Os áudios revelavam que houve tentativa de obstrução de Justiça”, defendeu Moro.

“É muito fácil olhar para 2016 e dizer que não teve culpa, que foi manipulado. Ele [Gilmar] teve acesso aos autos, ele que assuma a decisão que tomou. Nada ali foi manipulado.”

Segundo Moro, o grampo foi divulgado “a pedido da polícia federal, a pedido do Ministério Público.”

“O juiz tem que tomar a decisão que é correta para o processo. Naquele momento argumentei. Podem olhar e dizer que não concordam, mas as razões estão lá [nos autos]. Não têm razões obscuras.”

DELAÇÃO DE PALOCCI

Questionado sobre a divulgação de uma delação requentada de Antonio Palocci durante o segundo turno da eleição presidencial de 2018, Moro negou que tenha feito o movimento com o objetivo de interferir nos resultados em favor de Jair Bolsonaro, prejudicando, consequentemente, Fernando Haddad, então candidato pelo PT.

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Segundo Moro, o episódio foi “superdimensionado” porque a imprensa tratou a delação de Palocci como se fosse algo “inédito”.

“Não havia nenhuma novidade ali. O conteúdo já tinha vindo a público antes, e foi anexado ao processo [naquela decisão, durante o pleito eleitoral]. E se fez toda uma exploração naquele momento, como se fosse algo inédito. (…) Aquilo foi determinante para a eleição? Sinceramente acho que não interferiu em nada”, respondeu Moro.

O GGN mostrou, à época, que a delação de Palocci era praticamente inútil para o processo.

VAZA JATO

Sobre as mensagens da Vaza Jato, Moro afirmou que “é um monte de bobagem que foi usada politicamente” para prejudicar a imagem do ex-juiz e investigadores.

“Estou com consciência absolutamente tranquila do que eu fiz com juiz. Houve condenações, sim, mas de pessoas que se corromperam”, sustentou.

Ainda segundo Moro, ao contrário do que mostram as mensagens de Telegram, “não houve conluio” entre o ex-juiz e a força-tarefa da Lava Jato.

DERROTAS NO MINISTÉRIO

Sobre o primeiro ano de governo Bolsonaro, no comando da pasta de Justiça e Segurança Pública, Moro avaliou que foi bem.

“Nem sempre tudo que se pretende, se consegue, mas a minha visão geral é de que foi um ano de sucesso para a área de justiça e segurança pública no País, ilustrada pela queda, sem precedente histórico, dos números dos principais crimes, latrocínios, assassinatos, roubos, todos esses indicadores caíram.”

“O que é mais visualizado é o trabalho junto ao Congresso. O trabalho executivo acaba passando despercebido”, tangenciou Moro.

3 comentários

  1. Em que parte da lomam está escrito que juiz tem que repassar áudio pra imprensa de processo sob sua responsabilidade? Que eu conheça ali diz o contrário……e mque parte da constituição do que um presidente da República não pode nomear um cidadão livre e desimpedido ministro? Ora, foi uma patranha grotesca, que se completou com o golpe e prisão de Lula….o resto é conversa fiada e estorinha pra boi dormir…..todos esse personagens estão com o x do golpismo marcado na testa…. por.mais que esperneiem e neguem…..

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  2. Bem, alguém esperava que o Roda Viva fosse algo diferente de chapa-branca?

    Se até agora vinha sendo muito difícil encontrar algum argumento para defender os crimes de Moro e Dallagnol, agora ficou fácil para os bolsonaristas, moristas e demais golpistas responderem quando questionados sobre o golpe: basta repetir a mensagem oficial de Moro.

  3. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK. Levanta que eu corto. Até agora a única “bola dentro” foi pra cima do gilmau – e com toda a razão. O gilmau na época comeu mosca não só proibindo o Lula de assumir, como, pior e principalmente, dando guarida ao vazamento criminoso do desMoronado. No restante, mais do mesmo: a mesma safadeza, a mesma cretinice, a mesma calhordice. Queriam o quê, que o basbaque fosse fazer sua mea culpa pel concluio criminoso com o mpfedido eou com seus ímpares do tribunal da quarta sem qualquer razão?
    E não houve qualquer “cobrança” por conta da banca: apenas deram ao desMoronado a oportunidade de sempre: mentir, mentir e mentir.

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