Sem vaga no STF, Moro apostará na indústria do compliance

O mercado do compliance gera polêmica porque pode ocorrer de ex-agentes públicos passarem a atuar em favor uma empresa que eles próprios ajudaram a investigar no passado

Foto original: Agência Brasil

Jornal GGN – Se Jair Bolsonaro não indicar Sergio Moro para uma das vagas no Supremo Tribunal Federal que abrirão nos próximos anos, com a aposentadoria de Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, o ex-juiz da Lava Jato deve sacar do bolso o plano B: migrar para a indústria do compliance.

Segundo a coluna de Lauro Jardim (O Globo) deste domingo (15), Moro não pretende fazer novo concurso público para a magistratura e tampouco advogar. “Se não virar ministro — ou candidato em 2022 — [Moro] planeja migrar para a área jurídica e de ‘compliance’ de uma grande empresa.”

O colunista não revelou o nome da companhia cogitada.

O GGN prepara uma série especial de 5 vídeos explicando a influência dos Estados Unidos na Operação Lava Jato e a indústria do compliance, que é um dos fatores que levam procuradores de várias partes do mundo a cooperar juridicamente (inclusive, de maneira informal) com as autoridades norte-americanas, mesmo ao custo de comprometer a soberania e o crescimento econômico de seus países de origem.

A lógica financeira por trás de grandes operações anticorrupção é a indústria do compliance, com a entrada de ex-procuradores e ex-juízes em grandes escritórios de advocacia especializados nesse tipo de serviço.

O assunto gera questionamentos, porque pode ocorrer de ex-agentes públicos passarem a atuar no setor de compliance de uma empresa que eles próprios ajudaram a investigar no passado.

Além disso, para os críticos, esses ex-agentes estão vendendo influência ou proteção aos clientes, a partir da rede de relacionamentos que construíram nos órgãos do Estado.

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O DESTINO DE MORO

Na semana passada, algumas colunas políticas de Brasília publicaram que se Moro não for vice de Jair Bolsonaro em 2022, pode se filiar ao Podemos e ser o candidato a presidente da República do partido de Álvaro Dias. Em entrevista à Folha, Moro descartou essa possibilidade.

Sobre o plano B, Moro não seria o primeiro ex-Lava Jato a entrar para o mercado milionário do compliance.

O ex-procurador de Curitiba Carlos Fernando dos Santos Lima se aposentou do Ministério Público Federal justamente para atuar com compliance, com foco na gestão de crise para empresas que sem veem arrastadas para grandes escândalos de corrupção.

Marcelo Miller foi outro caso famigerado, o primeiro a chamar atenção da mídia para as migrações de membros do MPF para o setor privado, graças à polêmica envolvendo os acordos de delação e leniência da J&F.

Rodrigo Janot também deixou a Procuradoria-Geral da República rumo à indústria do compliance.

Na série do GGN, outras figuras no Brasil, Estados Unidos e Suíça serão apresentadas. A série em vídeo é fruto de financiamento coletivo no Catarse, está em fase de produção e deverá ser publicada em breve.

Para ler mais sobre a indústria do compliance, clique aqui.

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7 comentários

  1. Que sina. Sérgio Moro perdeu o cargo no Judiciário. No Ministério se tornou COITEIRO da familícia. Nunca chegará ao STF. Em breve se resignará a traficar influência para grandes empresas, até que um dia terminará sendo preso por causa de um escândalo igual ao que inventou.

  2. Nas discussões de fubebol no boteco , alguém fala.
    “Se Bigorrilho marca aquele penall..”
    “Se minha mãe fosse homem eu teria dois pais !” interrompido antes do fim da frase…
    Começar e fazer um matérua com SE , |•@[email protected] velho …

  3. É difícil crer que SM vai abandonar os cliques, likes e afagos da classe média. Impossível! A cortina de fumaça dos colunistas globais em aventarem o futuro do ex-juiz são meras medidas protetivas de sua imagem. Se for pra dar palpite crível, o mais provável é a tentativa de eleição a governador estadual.

  4. Nassif: por quê o meliante TogaSuja iria se bandear pra essa tal de “indústria de complicância” se já tem casa, comida, roupa lavada, tudo em BerverlyHills e grana nas Cahymãs? Se começarem a encher o saco ele faz uso do seu greencard e se manda. Deixa aqui os abestados do TemploDeSalomão e vai à sua pátria afetiva. Nem precisará do MessiasDoBras pra tal façanha. Dizem que daquela outra indústria, a da delação, já lhe rendido bons pre$$ágios. Tenho cá minhas dúvidas. Mas à boca miuda esse povão fala…

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