Shirley Verret e Grace Bumbry, as cantoras de ópera negras.

Shirley Verrett, uma cantora mezzo soprano, encantou o mundo com suas interpretações.  Verrett foi quem praticamente abriu os caminhos para as cantoras de ópera negras.  Em sua recente autobiografia, ela conta das grandes dificuldades que enfrentou por querer entrar num mercado tradicionalmente de brancos.  Conta todo o sofrimento e racismo que encontrou.  Dona de uma linda voz mas, sendo negra, sua luta foi intensa.  Conta, inclusive, uma passagem onde foi proibida de cantar assim que a direção do teatro viu que se tratava de uma cantora negra, isso na década de 60, depois de já ter estreado na Alemanha em 1959.

Grace Bundry é uma soprano pouco falada.  Hoje aposentada, Grace cantou tanto como soprano quanto como mezzo. Se aposentou cedo pois normalmente as cantoras líricas se aposentam mais cedo, a profissão é cansativa e requer demais.  Já dizia Maria Callas que cantora lírica era profissão para jovens…

Pouco tempo atrás, tive oportunidade de ler uma entrevista que ela deu e confesso que fiquei chocada.  Sem papas na língua contou dos problemas enfretados, hoje em dia, pelas cantoras líricas. Acusou a indústria de seguir o mesmo caminho do showbizz, onde se dá maior importância para aparência que para a voz.  Como são discriminadas cantoras acima do peso e fora dos padrões de beleza atuais. Tendo sido  uma das primeiras cantoras negras a estrear em teatros famosos, acredito que ela, mais que ninguem, sabe o que fala.

 

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