Sob Bolsonaro, TV pública exibe série que reescreve a história do Brasil

"Estão usando uma emissora pública para fazer propaganda e fortalecer a visão ideológica do grupo do presidente”, critica historiador

Jornal GGN – Com Jair Bolsonaro na Presidência, o Ministério da Educação, responsável pela TV Escola, se sentiu confortável para exibir a série revisionista “Brasil: A Última Cruzada”, que tem como atração principal o “guru” do bolsonarismo, Olavo de Carvalho.

A TV pública, voltada para a formação de professores e alunos, apresenta uma “visão peculiar da História”, segundo definiu o jornalista Bernardo Mello Franco.

“Em tom épico, exalta a ‘coragem’ dos colonizadores portugueses e o ‘amor pelo Brasil’ de dom Pedro I.” As entrevistas incluem figuras que defendem a monarquia contra a suposta desconstrução dos valores “tradicionais” e do nacionalismo brasileiros.

“Isso é negacionismo puro”, disse o historiador Thiago Krause, da UniRio, à coluna de Mello Franco. “A série ouve gente desqualificada e defende teses que não são aceitas por ninguém na academia. Estão usando uma emissora pública para fazer propaganda e fortalecer a visão ideológica do grupo do presidente”, criticou.

“Estão desmontando tudo o que não vem deste pseudofilósofo”, acrescentou a ex-diretora Regina de Assis. Ela foi demitida em setembro, depois de reclamar do aparelhamento da emissora.

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7 comentários

  1. O problema na verdade é mais sério.
    Olavo de Carvalho não tem formação universitária.
    Ele não é pedagogo (profissão que está sendo regulamentada pelo Projeto de Lei 4746/98 aprovado na Câmara dos Deputados). A profissão de historiador, aliás, também está para ser regulamentada (o PLS 368/2009 já foi aprovado no Senado e se encontra na Câmara dos Deputados).
    É temerária a contratação de um leigo para dar aulas.
    Além disso, a motivação ideológica da contratação fere claramente o princípio da impessoalidade e da moralidade (art. 37, caput, da CF/88).
    Em breve Olavo de Carvalho poderá ser acusado exercício ilegal de profissão regulamentada (art. 47, do Decreto Lei 3688/41). O Estado não pode contratar criminosos. O princípio da ficha limpa se aplica a todos os servidores e prestadores de serviços.
    A contratação daquele velho picareta expõe Bolsonaro e o Ministro da Educação ao risco de responder pessoalmente pelos danos causados à União em virtude da violação dos princípios da moralidade e da legalidade no ato da contratação (ou durante seu curso).

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  2. Revisionismo Histórico foi o projeto depois do Golpe Civil Militar Ditatorial caudilhista Esquerdopata Fascista de 1930. 9 décadas de doutrinação. Não se pode ver outro lado da História?

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  3. ANO DOMINI (-)I a. M. – SÉCULO (-)I a. M.: No ANO DOMINI (-)CXXX a. M. o Império do Brasil será restaurado. No ano (-)CXXXI a. M. será a vez da escravidão. No ano (-)CXCIX a. M. voltaremos a pertencer ao Reino Português. Finalmente, no ano (-)DIXX a. M. o Brasil acabará e as terras indígenas serão todas restauradas. Se as contas estiverem romanescamente exatas é o começo da Ordem dos Contemplários.

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