Sobre a parcialidade da mídia e da blogosfera

Atualizado `às 17:00
 
No aeroporto de Brasilia encontro uma alta fonte do setor energético. Está entusiasmado com as mudanças ocorridas no país. Pela primeira vez o crescimento do consumo no nordeste superou todas as demais regiões, em valores absolutos. 
 
No ano passado, o nordeste enfrentou uma das piores secas da história. Este ano, é o sudeste. Faz parte do jogo. De seca em seca, o assunto ruma para os boatos no ano passado, do suposto apagão de energia.
 
Ele estava em sua casa quando recebeu telefonema da Globonews informando-o sobre o furo da colunista da Folha – e da Globonews. Não conseguiu entender
 
– Ela descobriu que a presidente convocou uma especial do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), apenas para discutir o racionamento, explicou-lhe o produtor.
 
Ele, membro do CNPE, disse não saber de nada. O CNPE reune-se periodicamente, de acordo com agenda previamente definida. E não houve reunião especial alguma.
 
No estúdio da Globonews, enquanto se preparava para entrar, o produtor admitiu: 
 
– De fato, foi uma barriga. Mas pelo menos teve a vantagem de chamar a atenção para o tema!, explicou para o entrevistado, que mal podia acreditar no que ouvia.
 
No debate, houve a oportunidade de esclarecer o tema. Mas nos cinco dias restantes, nenhuma reportagem da velha mídia admitiu a “barriga”. Nem mesmo depois que o próprio Ministro das Minas e Energia (MME) procurou a colunista e lhe passou todas as informações – que não foram publicadas. A versão verdadeira só foi divulgada pela blogosfera.
 
Por esse e outros episódios, percebe-se a importância do contraponto das redes sociais e dos blogs, mesmo com todos seus exageros, mesmo quando se transformam na outra face da mesma moeda, de dar divulgação a qualquer factoide jornalístico, diluindo as denúncias graves em pegadinhas – como a foto de Joaquim Barbosa com o Mahfuz, uma bobagem colocada no mesmo nível das enormes impropriedades cometidas por Joaquim à frente do STF.
 
Faltam espaços de mediação na internet e, principalmente, espaços de jornalismo. Tudo está muito radicalizado, como se o estilo Veja-Cachoeira tivesse conquistado os dois lados. Importa dar apenas o que o leitor quer, como se o produto notícia tivesse ganhado alforria geral em relação aos fatos.
 
Ainda assim, vale a máxima de Capilé
 
– Eu tenho a minha parcialidade, você tem a sua. Da soma das parcialidades, sai um país mais democrático
 
Posts sobre Joaquim Barbosa
 
 
 
 

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