Sobre o fim da hegemonia naval dos EUA

Um desafio aberto à superioridade naval dos EUA está sendo feito pelas forças navais combinadas de Rússia e China http://sputniknews.com/politics/20160121/1033495560/washington-losing-naval-supremacy-to-china-russia.html.

Não há qualquer norma internacional garantindo aos EUA hegemonia naval sobre os outros países. A doutrina militar norte-americana, contudo, tem sido preservar total superioridade nos mares. Não só isto, não é nenhum segredo que os EUA podem usar violência para garantir sua posição dominante.

Bevin Alexander, militar norte-americano que escreveu o livro “A Guerra do Futuro” (http://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/a-guerra-do-futuro-resenha-da-obra-de-bevin-alexander) defende a retaliação preventiva ao sustentar que os EUA “…tem que impedir que qualquer outra nação construa uma grande Marinha porque o controle dos mares é imperativo para a segurança norte-americana.” Além disto, segundo ele “…os Estados Unidos não podem permitir que outras potências conquistem o controle de matérias-primas industriais importantes ou do suprimento mundial de petróleo.”

As relações internacionais são definidas, nos dias de hoje, pela Carta da ONU. A guerra só é legítima em dois casos: 1) reação do país membro da ONU a um ataque injusto promovido ao seu território por uma potência adversária; 2) operações militares expressamente autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU. A doutrina norte-americana de ataque preventivo contra um país ou coalizão de países que desafie a hegemonia naval dos EUA não encontra, portanto, fundamento na Lei Internacional.

O historiador militar citado não reconhece, portanto, a validade e eficácia da Lei Internacional que proíbe a agressão militar exceto nos casos acima referidos (autorização do Conselho de Segurança da ONU e legítima defesa contra agressão armada não autorizada por aquele órgão). O unilateralismo dos EUA em relação à questão da hegemonia naval é, portanto, evidente. É exatamente isto que os chineses e russos estão desafiando.

Rússia e China são parceiros do Brasil no BRICS e, portanto, não representam um perigo direto para o nosso país. Não há sérios pontos de atrito entre os países que pertencem a este novo bloco. O próprio isolamento geográfico do Brasil nos permite aceitar sem delongas a penetração naval russa e chinesa no Atlantico Sul. De fato, neste teatro de operações a superioridade dos EUA é perigosa e esmagadora, pois não pode ser seriamente desafiada pelos países latino-americanos e africanos que são banhados Atlantico.

A tensão entre os EUA e a dupla Rússia e China tem aumentado à medida que os norte-americanos forçam o preço do petróleo para baixo para ferir economicamente Moscou. A resistência de Washigton à desdolarização da economia mundial promovida por Pequim limita as possibilidades do poder econômico chines de libertar de uma ancora apodrecida pelo neoliberalismo.

A guerra ao terrorismo na Síria, promovida com sucesso pela Rússia com apoio militar da China, também é um ponto de atrito entre ambos e os EUA. Washington criou e fortaleceu o Estado Islâmico enquanto supostamente o combatia e se viu obrigado a ficar ao lado dos terroristas assim que eles começaram a ser destruídos. O apoio chines e russo ao governo da Venezuela também não deve ter sido bem recebido por Washington. Há décadas a Casa Branca tenta derrubar o regime bolivariano para controlar o petróleo venezuelano.

Qual será a reação do império comandado por Barack Obama ao desafio naval lançado por Rússia e China? Atacar ambos preventivamente? Isto seria suicídio. O mais provável é que os norte-americanos passem a construir mais e mais navios de guerra e submarinos nucleares para sobrepujar os desafiantes. Uma nova corrida armamentista no mar certamente se espalhará para os outros teatros de operação (ar, terra, espaço e internet).

O Brasil tem modernizado suas Forças Armadas. Nossas capacidades econômicas, porém, são muito limitadas. Isto para não dizer que não temos uma tradição imperialista. Mesmo assim, creio que na próxima década será preciso fazer um esforço maior para reforçar a defesa do nosso litoral. Talvez seja necessário acelerar a modernização das três armas e expandir consideravelmente as pesquisas militares em duas áreas vitais (espaço e internet).

Nosso país tem uma longa tradição diplomática. Não queremos submeter os outros povos pela força, mas devemos cuidar para que o Brasil não seja submetido por uma potência ao norte agressiva e notavelmente ávida por petróleo. Nenhuma nação tem futuro sem garantir sua soberania e independência política. Estas são as duas coisas mais valiosas a serem preservadas pelo Estado, mas para isto será necessário valorizar as Forças Armadas num mundo cada vez mais à beira do colapso por razões que independem da vontade dos brasileiros.

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