Sugar Ray Leonard x Roberto Mão de Pedra Duran, um clássico do boxe

Esses cultivadores da violência mais boçal, dos MMA e similares, não sabem o que foi o boxe até os anos 90, especialmente o período de ouro, dos anos 70 e 80. Dia desses, assisti o filme sobre Roberto Mão de Pedra Duran, o boxeador panamenho maior adversário de Sugar Ray Leonard, um gênio do boxe americano. Aliás, dois gênios.

Naqueles anos, a categoria dos médios contava com um enorme contingente de grandes lutadores.

Duran venceu Leonard no primeiro combate. Creio ter sido a primeira derrota do até então invicto boxeador. Seu apelido vinha de Sugar Ray Robinson, o maior boxeador da história. Como Robinson, Leonard era um exímio dançarino, da escola de Muhammad Ali, e um atacante temível, com jabs e uma bela variedade de golpes.

O filme narra o momento trágico, do revanche concedido por Duran a Leonard. E eu estava lá, em Washington, em 1982, indo assistir a luta no imenso telão do Hilton Hotel. Entrei no recinto com a luta já iniciada e dois negrões americanos, daqueles imensos, olharam torto para mim, quando perguntei em que round estava. Era o latino-americano contra o campeão negro.

Nos dias anteriores, as redes de televisão americanas chamavam exaustivamente para o combate. Era uma guerra de nervos que não poupava Duran. Nos treinamentos, no hotel, na rua, apareciam repórteres com perguntas provocativas., atrapalhando a concentração, levando o clima de guerra à academia. Era uma guerra psicológica tão intensa quanto a campanha do impeachment no Brasil.

Cheguei no final do primeiro round. Nos rounds seguintes, foi um baile histórico. Duran tentava de todas as maneiras cercar Leonard. Inutilmente. Cercava no canto do ringue, Leonard se esgueirava por baixo. E tome jabs, e tome bailes. Até que por volta do 5º round, aconteceu o impensável. No meio do assalto, ainda inteiro, Duran simplesmente virou as costas e Leonard e abandonou a luta.

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A plateia levou segundos para entender aquela maluquice. Não se tratava de um lutador destruído, jogando a toalha. A derrota foi psicológica.

Sai de lá aturdido. Ao chegar no hotel, o porteiro panamenho estava indignado com o vexame de seu conterrâneo. Sugar Ray Leonard ainda se consagraria com outra luta histórica contra Marvin Haegler.

 

 

 

4 comentários

  1. O boxe dos anos 70 e 80 era digna de ser a Nobre Arte.

    Hoje em dia, mesmo no boxe, se criou um culto aos imitadores ruins de Mike Tyson que… bem, o boxe entrou no limbo em que está e do qual está difícil sair.

  2. Nunca fui lá grande fã, mas meu pai era; tendo, inclusive, dado seus jabs vez ou outra. Acabei, graças a isso, acompanhando alguns bons duelos aos domingos, quando o papis conseguia sentar um pouco, depois da batalha semanal da vida de comerciante.
    Um deles nunca mais saiu de minhas memórias: Sugar Ray Leonard vs. Marvin ‘Marvelous’ Haggler. Mais que um duelo, uma aula minstrada por um grande esteta, que Haggler soube valorizar. Simplesmente inequecível.

    https://www.youtube.com/watch?v=vOHpqGaU_uI

  3. Nassif, lhe admiro muito, mas parece que nem você escapou desta cilada de criticar o que não conhece. O mma nada mais é do que a última etapa da evolução das artes marciais. Uma representação realista de um autêntico combate corpo a corpo, pois em uma briga real, tenho a impressão de que não adiantaria muito pedir cavalheirescamente ao nobre adversário para usar apenas golpes com as mãos e principalmente acolchoá-las bem, com bastante espuma macia e protetiva, antes de iniciar a contenda. O mma é mais complexo, sofisticado e cultural e estrategicamente rico do que qualquer arte marcial, justamente por ser um compêndio técnico de todas elas, logo, recomendo ao nobre jornalista, que pelo texto, aparentemente parece ser fã de lutadores geniais e criativos, para separar um fim de semana livre e assistir videos de lutas de verdadeiros gênios das arte marciais como Jon Bones Jones, Conor McGregor, Max Holloway e Israel Adesanya. O boxe está morto. Oss

    • O mma, caro Antônio, não é mais que a luta que existia antes do marques de Queenberry estabelecer as regras para um combate mais civilizado, é dizer uma carnificina sem sentido. O boxe seguindo outro caminho exigia mais de seus participantes tanto física como intelectualmente. Comparar Ali, Sugar Ray Leonard, Carlos Monzón, Rubén ‘el Puas’ Olivares, Alexis Arguello com essa turma que vc mencionou é uma afronta, sorry…

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