Tal como no Egito: depois da primavera, a ditadura militar…

Bolsonaro será a garantia de que este país será uma ditadura militar com aparência de governo civil…no Egito é assim…sempre prendem o candidato da oposição e o ditador se reelege mesmo sendo odiado pelo povo e tendo censura e miséria generalizada.

 

 

Milhares voltam à Praça Tahir, no Cairo, para barrar os militares

A “manifestação do milhão”, convocada pela Irmandade Muçulmana e por várias entidades populares, ocorreu principalmente no Cairo e em Alexandria, a segunda maior cidade do país. E, embora as notícias não sejam conclusivas, a foto da praça Tahir no dia de hoje mostra que ela pode ter conseguido o intento de reunir no protesto esse número recorde de manifestantes.

A democracia volta à cena no Egito sob fortes ameaças. Nos últimos dias a Junta Militar que governa o Egito desde a queda de Hosni Mubarak, em fevereiro do ano passado, fechou o Parlamento, onde a maioria dos deputados era ligada à Irmandade Muçulmana, partido de Mohammed Mursi, candidato de oposição aos militares no segundo turno realizado no último final de semana.


Embora tenha reiterado ontem (18) a decisão de transferir o governo ao presidente eleito o Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA) enfrenta forte desconfiança principalmente depois do fechamento da Câmara dos Deputados e do “golpe constitucional” de domingo, visivelmente com o objetivo de reduzir os poderes do presidente eleito, conservar a autonomia das aços militares e manter o controle do poder legislativo.

A outra tensão manifesta-se nas mútuas declarações de vitória dos candidatos do segundo turno da eleição presidencial. Ambos os candidatos declaram-se vitoriosos. Um porta-voz do ex-primeiro-ministro Ahmed Shafiq insistiu na vitória deste remanescente do regime de Mubarak, enquanto os partidários de Mohammed Mursi garantem que seu candidato foi o vencedor.

A tensão antecede a divulgação dos dados oficiais da apuração pela Comissão Eleitoral, prevista para a 5ª feira (dia 21). As denuncias de irregularidades se multiplicam, com acusações de lado a lado.

Durante o protesto de hoje (19), na Praça Tahir, um dos manifestantes, o professor Ahmed Al Sayid, disse ser contrário às medidas tomadas pela Junta Militar pois elas tira a autoridade do futuro presidente. Em relação à dissolução da Câmara dos Deputados, ele considerou-a uma decisão que invalida “uma instância escolhida pelo povo”. Milhares de manifestantes repetiram palavras de ordem contra a autoridade militar e a favor da transferência imediata do poder ao próximo presidente eleito, e inúmeros erguiam retratos de Mursi, o candidato da Irmandade Muçulmana.

“Todas as forças revolucionárias têm que deixar claro à Junta Militar que não vamos permitir que tomem o poder. Que rechaçamos a dissolução do Parlamento e que quando Morsi for presidente o Parlamento seguirá funcionando”, disse o porta-voz da Irmandade, Ahmed Rabia. A Irmandade declara que não deseja um confronto com os generais no poder, mas diz que as forças armadas não têm o direito de limitar os poderes presidenciais. “Não buscamos nenhum confronto com ninguém e ninguém no Egito quer confronto”, disse Yasser Ali, porta-voz da campanha de Mursi. “Tem que haver diálogo entre as forças nacionais, e só o povo deve decidir seu destino”, insistiu ele. “Ninguém no Egito está acima do Estado e da Constituição… Todos devem se curvar à vontade popular”.

Mubarak

No fim do dia foi anunciada a morte do ex-ditador egípcio, Hosni Mubarak, num hospital militar no Cairo. Ele tinha 84 anos de idade e cumpria pena na ala médica da prisão de Tora, na capital, depois de ter sido condenado à prisão perpétua (em 2 de junho) pela morte de 850 pessoas na repressão às manifestações do início de 2011.

 

 

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http://www.vermelho.org.br/noticia/186293-9

 

Egito: sonho de democracia deu lugar a regime militar opressivo, por Rodrigo Craveiro 

 

Há exatamente sete anos, milhares de jovens reunidos na praça do Cairo comemoravam a deposição de Hosni Mubarak, após revolução que deixou mais de 840 mortos.

 

Durante 18 dias e noites, quando a angústia, o medo e a revolta insistiam em acampar no meio de Tahrir, milhares de egípcios buscavam inspiração no poeta Ahmed Fouad Negm (1929-2013) e recitavam um de seus mais famosos versos. “Os homens corajosos são corajosos. Os covardes são covardes. Venham com os corajosos, juntos, até a praça”, clamavam. Em 11 de fevereiro de 2011, os bravos jovens reunidos na praça central do Cairo forçaram a renúncia do ditador Hosni Mubarak, após quase três décadas de governo. A Primavera Árabe parecia florescer democracia em um país sedento por liberdades civis. 

 

 

Primeiro presidente eleito do Egito, o islamita Mohamed Morsy assumiu o poder em 30 de junho de 2012. Um ano depois, foi derrubado por uma junta militar. Abdel Fattah Al-Sisi, líder dos golpistas, assumiu o comando do país e, em junho de 2014, tornou-se o novo chefe de Estado, com suspeitos 97,6% dos votos. Todos os sonhos e aspirações, perseguidos pelos jovens de Tahrir, exatamente sete anos atrás, deram lugar a um regime que esmagou a oposição com mão de ferro, triplicou as sentenças de morte (60 em 2016 e 186 no ano seguinte) e dobrou o número de execuções — 22, em 2015, e 44 em 2016. Em 19 de janeiro passado, Al-Sisi anunciou que tentará a reeleição no pleito, que deve ocorrer entre 26 e 28 de março. Detalhe: não haverá adversários.

 

 

“Há menos liberdades agora do que em qualquer época desde que o Exército ascendeu pela primeira vez ao poder, em 1952. Apesar de ditador, o ex-presidente Gamal Abdel Nasser era politicamente astuto. Al-Sisi é um neófito político, acredita que a política representa uma ameaça para ele e, por isso, faz o possível para silenciar qualquer comportamento que tenha remotas implicações políticas”, explicou ao Correio Robert Springborg, professor visitante do Departamento de Estudos de Guerra do King’s College, em Londres, e especialista do Middle East Institute.

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Segundo Springborg, a população egípcia jamais esteve tão apavorada em relação a um regime. “Isso é o que exatamente Al-Sisi pretende. O custo desse cenário não envolve somente a liberdade política, mas também o desempenho econômico. Como ele não pode permitir qualquer independência, se cercou de homens incapazes de controlar a economia. O presidente do Banco Central é sobrinho do ex-ministro da Defesa de Nasser, enquanto a chefe do Ministério de Investimentos é filha do responsável pelo setor de inteligência durante o governo de Nasser”, acrescentou. Sem expertise em economia, o Egito retrocede no bem-estar social.

 

Springborg admite que o regime de Al-Sisi modificou as relações-chave entre os três principais pilares do Estado: a presidência, o Exército e os serviços de segurança. “Os militares agora exercem controle direto, enquanto Al-Sisi considera a inteligência militar como principal suporte de seu governo. Isso subordinou outros serviços de inteligência, que, durante o regime de Mubarak, serviam como contrapeso aos militares”, observou. Para o analista, o domínio absoluto do poder por parte dos militares subordinou o resto do governo, a sociedade civil e a economia ao controle do ex-general. Ele não hesita em afirmar que o modelo de Al-Sisi para o Egito é calcado no militarismo. “Ele quer subordinar todos ao comando centralizado. É uma ditadura 100% genuína, do tipo das de Bashar Al-Assad, Saddam Hussein e Muamar Kadafi.”

 

Transição

 

Analista político egípcio, Amr Khalifa lembra que o seu país experimentou múltiplos períodos políticos nos últimos sete anos, desde a revolução que destituiu Mubarak. Entre 2011 e 2012, a nação foi controlada pelo comandante supremo das Forças Armadas, em prosseguimento ao controle militar imposto em 1952. “A segunda era foi dominada por Morsy e pela Irmandade Muçulmana, o primeiro governo presidencial, mas também produto de um acordo de bastidores com o complexo militar. Isso não durou até 3 de julho de 2013, com um golpe articulado por Al-Sisi”, citou. Outro período transicional de 10 meses terminou com a eleição de Al-Sisi. “Somente o fato de ele ter obtido 97,6% dos votos deveria dizer grande coisa sobre o estado da política no Egito. O que transpirou desde aquele 11 de fevereiro de 2011 foi a ditadura mais repressiva da história moderna do Egito”, reconheceu.

 

De acordo com Khalifa, o que distingue Al-Sisi de Mubarak é que o ditador deposto se guiava por um senso estratégico das políticas doméstica e externa. “A política de Al-Sisi, por sua vez, depende da força e de sua aplicação.” Mais de 61 mil egípcios estão nas prisões apenas por suas convicções políticas. Na semana passada, dois jornalistas desapareceram, e a suspeita é de execução extrajudicial. A brisa da liberdade que soprou sobre Tahrir, naquela noite de fevereiro, deu lugar a tempos obscuros.Continua depois da publicidade 

 

Pontos de vista

 

Por Robert Springborg

 

No caminho

da ditadura

 

 

 

“O fato de Al-Sisi não deixar que nenhum adversário dispute as eleições de março sugere o medo de que militares e serviços de segurança não estejam ao lado dele. Se o ex-general Sami Anan ou o ex-premiê Ahmed Shafiq fossem capazes de disputar as eleições e tivessem entre  20% e 25% dos votos, isso forçaria Al-Sisi a mudar o curso e reconhecer a insatisfação com a política. Al-Sisi quer comandar o país como se todos o apoiassem, não como um chefe de um Estado no qual há discordâncias sobre as políticas. Agora que ele desceu pelo caminho da ditadura, não há retorno.”

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Professor visitante do Departamento de Estudos de Guerra do King’s College, em Londres

 

 

Por Amr Khalifa

 

Teatro do

absurdo

 

 

 

“A marca Al-Sisi de autocracia é particularmente musculosa, e não distingue entre assuntos militares e políticos. Ele disse, em um recente discurso: ‘Eu não sou político’. A tentativa de assassinato do ex-czar anticorrupção Hisham Genena  é um exemplo perfeito de como usar uma vara dura quando o silêncio deveria ter sido a abordagem. Essa ato, aliado à prisão do candidato presidencial Sami Anan, é um pequeno reflexo de um homem que acredita que o seu caminho é a prisão ou a morte. As eleições convocadas por Al-Sisi nada mais são do que um teatro do absurdo.”

 

Colunista e analista político egípcio

Fonte

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No Egito, resistência contra os militares 

 

Milhares de egípcios voltaram à praça Tahir, no Cairo, nesta terça feira, para exigir o respeito à vontade popular manifestada nas urnas que, pela primeira vez, elegeu um presidente da República no país, e para protestar contra o “golpe constitucional” desferido pelos militares nos últimos dias no país.

 

http://www.vermelho.org.br/noticia/186293-9

 

Quem são os generais de Bolsonaro

Olá, eu sou Cesar Callegari e antes de mais nada quero cumprimentar os professores e professoras pela sua semana. Nós estamos no período que se comemora aquilo que deveria ser e deve ser a profissão mais importante da nossa sociedade, a de professor e professora. 

 

Saiba mais 

https://nocaute.blog.br/2018/10/16/nao-podemos-ter-duvidas-sao-as-trevas-contra-a-educacao/

 

Com o apoio das grandes potências, os aplausos dos ricos e poderosos e anuência de boa parte da população local, o marechal transformado em presidente Abdel Fattah al-Sissi está fazendo do Egito uma das ditaduras mais vis e opressoras da atualidade. Quatro anos depois da derrubada de Hosni Mubarak, o ciclo da Primavera Árabe se fechou no mais populoso dos países árabes. O antigo regime está de volta, ainda mais forte, e com mais poder nas mãos dos militares.

 

Saiba mais

 

https://www.cartacapital.com.br/internacional/egito-a-formacao-de-uma-sordida-ditadura-4862.html

 

Manifestante louva o Facebook pela primavera egipcia

 

https://www.alamy.pt/foto-imagem-anti-mubarak-manifestante-feriu-segurando-um-sinal-louvando-o-facebook-para-ajudar-a-organizar-o-protesto-na-praca-tahrir-cairo-egito-34964304.html

 

Cronologia da primavera egípcia

 

https://oglobo.globo.com/mundo/a-cronologia-da-revolucao-egipcia-7396811

 

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