Tendências eleitorais na reta final da campanha e alguns erros crassos da campanha de Aécio

As pesquisas de intenção de voto realizadas no início desta semana pelo Instituto Datafolha confirmaram as tendências já esboçadas nas pesquisas da semana anterior: o aumento da rejeição de voto em Aécio Neves e a queda da rejeição de voto em Dilma Rousseff, bem como o aumento da avaliação positiva do governo federal. O resultado foi o crescimento de Dilma Rousseff e a queda de Aécio Neves, fazendo com que Dilma chegasse a 52% dos votos válidos e Aécio recuasse para 48%, o que caracteriza uma inversão das posições na disputa pela Presidência da República.

Ainda que dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, admitida pelas pesquisas divulgadas nos dias 21 e 22, os percentuais de intenção de voto constatados no início desta semana revelam que: 1) continuou crescendo a rejeição de voto em Aécio Neves, que já vinha em ascensão e que atingiu agora 40%, e continuou diminuindo a rejeição em Dilma Rousseff, que já vinha em queda e que chegou agora em 39%; 2) mantiveram-se inalterados os percentuais dos que declararam que “talvez votassem” em Dilma, com 15%, e em Aécio, com 18%, o que indica a manutenção de uma leve vantagem potencial para Aécio e 3) continuou em crescimento o percentual dos que avaliam positivamente o governo Dilma, que aumentou mais dois pontos e chegou a 42%, o que tende a beneficiar Dilma.

Mesmo que Aécio Neves continue liderando entre os que possuem maior renda e maior escolaridade, residem nas regiões economicamente mais desenvolvidas do país e nas cidades de maior porte, o que se constata é que Dilma Rousseff passou a liderar entre os homens e entre as mulheres, os que têm entre 25 e 59 anos, os que ganham até dois salários mínimos, que têm escolaridade de nível fundamental, residem nas regiões Norte e Nordeste e nas cidades de menor porte. As intenções de voto em Dilma e em Aécio apresentam-se empatadas numericamente entre os eleitores que têm escolaridade de nível médio e entre os que residem nas regiões metropolitanas.

A se manter a tendência de voto estabelecida nas duas últimas semanas e a se confiar nas pesquisas divulgadas, pode-se afirmar que as chances de vitória de Dilma Rousseff no próximo domingo são, hoje, maiores do que as de Aécio Neves. Fatos novos podem ocorrer e mudar o curso dos acontecimentos. No entanto, a proximidade do dia da votação diminui a possibilidade de reação do candidato em desvantagem. O último debate, a ser realizado na noite de sexta-feira (24), talvez se torne decisivo e será nele que os candidatos jogarão todas as suas fichas.

Mais do que as “desconstruções” do candidato tucano, promovidas pela campanha petista, o que parece ter sido decisivo para a reversão da vantagem estabelecida por Aécio Neves, no início do segundo turno, foram os erros cometidos pelo próprio candidato e por sua campanha.

Os erros começaram com a “análise” realizada por Fernando Henrique Cardoso de que foram preferencialmente os “eleitores mal informados” e das “regiões mais atrasadas” os que votaram em Dilma Rousseff no primeiro turno, consideração que provocou a indignação de nordestinos e nortistas e a divisão, definitiva, reconhecida pelos dois lados em disputa, da eleição entre “pobres”, com Dilma, e “ricos” com Aécio. Como os “pobres” ainda são maioria no país, Dilma viu-se, inesperadamente, beneficiada pela fala de um dos principais mentores do seu adversário.

A agressividade exibida por Aécio Neves nos debates televisivos e que se espalhou pelas ruas do país, com tucanos e eleitores de Aécio atacando verbalmente (e, em algumas localidades, até fisicamente) petistas ou simples eleitores de Dilma e, ainda, a “nomeação” antecipada de Armínio Fraga, um operador bem sucedido do mercado de capitais, como Ministro da Fazenda, repetindo erro já cometido por Marina Silva com a promessa de “independência do Banco Central”, no primeiro turno, assustaram o(a) eleitor(a) médio(a) e não alinhado ideologicamente.

Além disso, o fato de Aécio Neves ter xingado a presidente da República de “mentirosa” e de “leviana” e de ter afirmado, repetidas vezes, durante um dos debates, que ela era “despreparada” para o cargo que já exerce, soou como um desrespeito à autoridade presidencial. O seu olhar fixo e o seu tom de voz incisivo criaram a imagem de alguém instável, capaz de ser agressivo, inclusive com uma mulher mais velha e que ocupa a posição de autoridade, abrindo as portas para que fatos de sua vida pessoal fossem explorados abundantemente nas redes sociais.

Benedito Tadeu César – Cientista político – coordenador do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais – InPrO.

Publicado originalmente no site Sul21 http://www.sul21.com.br/jornal/tendencias-eleitorais-na-reta-final-da-campanha-e-alguns-erros-crassos-da-campanha-de-aecio/

 

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