TERRAS-RARAS E OUTROS MINERAIS VALIOSOS

Guilherme Amorim*

O ano de 2010 foi marcado pela ascensão da República Popular da China ao patamar
de segunda maior economia do planeta. Neste ano, ficou mais nítida sua estratégia de
crescimento e como planeja adequar o papel que tem desempenhado, de fábrica global, às
necessidades internas e às pressões internacionais. A resistência à valorização da moeda
local, os maciços investimentos em recursos naturais – na África e na América Latina,
principalmente – e os saltos qualitativos da indústria chinesa mostraram uma nova realidade
nas relações do país com o ocidente. Um exemplo da complexa dinâmica que definirá o quão
acrimoniosa será a relação entre a China e demais potências econômicas no futuro é o caso
do comércio de terras-raras1.
Terras-raras é a denominação de 17 minerais utilizados em indústrias tecnologicamente
sofisticadas, da metalurgia à informática, da geração de energia à produção de aeronaves.
O processo de extração é perigoso, caro e poluidor. Estão em território chinês 36% das
reservas conhecidas de terras-raras do mundo (tabela 1). Desde o início da década de 1990,
os baixos preços das terras-raras chinesas – combinados à legislação trabalhista e ambiental
mais rigorosa no ocidente – fizeram com que a exploração em tradicionais produtores
(Estados Unidos, Austrália e Canadá) virtualmente desaparecesse, e a demanda sempre
crescente por esses materiais se tornasse dependente da China. O departamento de pesquisa
geológica dos Estados Unidos, United States Geological Survey (USGS), estima que, no final
de 2009, 96,77% da demanda global era suprida pela China.
TABELA 1 – RESERVAS CONHECIDAS DE TERRAS-RARAS, POR PAÍS – 2009

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