The Guardian: quando a vacina contra o coronavírus ficará pronta?

Embora os testes em humanos comecem brevemente e corram bem, existem diversas barreiras para viabilizar imunização global

Foto: Reprodução

Jornal GGN – As estratégias mais eficazes (e draconianas) contra o coronavírus só ajudaram a reduzir o ritmo de propagação da doença. Depois que a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou oficialmente a existência de uma pandemia, os olhos de todos se voltaram para a perspectiva de desenvolvimento de uma vacina.

O jornal britânico The Guardian explica que essa vacina deve entrar em testes em humanos nos Estados Unidos em breve, e a velocidade com que a medicação está sendo desenvolvida deve-se aos primeiros esforços dos chineses para sequenciar o material genético do vírus Sars-CoV-2. A sequência foi compartilhada pelo país no começo de janeiro, e grupos de pesquisa puderam cultivar o vírus vivo e estudar como ele invade as células humanas e adoece pessoas.

Contudo, existe outra razão para o avanço: em entrevista para o jornal britânico, Richard Hatchett, CEO da organização Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (Cepi), explica que a velocidade no desenvolvimento tem como base o investimento em entender como desenvolver vacinas para outros coronavírus. Vale lembrar que os coronavírus causaram duas epidemias recentemente: a síndrome respiratória aguda grave (Sars) na China em 2002-04 e síndrome respiratória no Oriente Médio (Mers), iniciada na Arábia Saudita em 2012.

Apesar da velocidade com que uma vacina é desenvolvida, existem alguns pontos que precisam ser considerados antes da mesma ser colocada à disposição para uso em massa na população. O desenvolvimento acaba parando por algum tempo no estágio dos ensaios clínicos ou humanos, que geralmente ocorrem em três fases: análise da segurança, com o monitoramento de efeitos reversos; o teste em centenas de pessoas, geralmente em uma parte do mundo atingida pela doença, onde a eficácia da medicação é avaliada; e um último teste, feito em milhares de pessoas.

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Considerando a necessidade de se fazer muitos e muitos testes, uma candidata a vacina pode levar décadas para ter sua aprovação regulamentar aprovada – o que contraria o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que chegou a pressionar cientistas por uma vacina que estivesse pronta até a época das eleições presidenciais, em novembro. Um prazo considerado impossível.

Outro problema em potencial é a produção em massa, e muitas das organizações envolvidas na corrida pela vacina não têm capacidade para produzir em grandes quantidades. Sem contar a disputa entre os próprios países para oferecer a medicação aos seus habitantes em um quadro de pandemia.

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3 comentários

  1. Deixa eu ver se entendi: a mídia e a oms instantaneamente desqualificaram o tratamento com uma remédio que já existe a um século e que mostrou bons resultados em um pequeno grupo de pacientes, mas têm toda a esperança depositada em uma vacina que ainda está em desenvolvimento.

    Você percebe que a mídia está enganando o público quando as informações são vagas e confusas, quando eles tentam desconversar. Por exemplo, falaram que ainda não havia comprovação de que a hidroxicloroquina ajudava a combater o corona, mas esse é uma medicamento comum que tinha em qualquer farmácia, qualquer hospital com pacientes de corona pode testar a hidroxicloroquina nos caso graves. No entanto a gente não fica sabendo se tiveram pacientes tratados com esse medicamento que não apresentaram bons resultados, só mostram uma notícia de um único cara que se automedicou com doses erradas.

    Sabe qual é a impressão que fica, é que a hidroxicloroquina funciona mas eles não querem que o público saiba porque é uma medicamento com a patente liberada, aí eles não ganhariam dinheiro vendendo a vacina.

  2. Tenho uma pergunta: suponha-se que se elabore uma vacina a qual será testada numa determinada quantidade de pessoas do grupo de risco. Depois do transcurso do prazo do qual se espera que a vacina tenha levado o organismo a criar anticorpos contra o patógeno, infecta-se os vacinados, garantindo-lhes acompanhamento médico-hospitalar em caso da vacina não ter imunizado o voluntário. Caso o voluntário tenha conseguido a imunização, quanto tempo ainda se vai esperar por eventual ocorrência de efeitos colaterais a fim de liberá-la para uso geral?

    Quanto à insuficiência inicial da oferta, essa insuficiência diz respeito à toda a população ou só ao grupo de risco?

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