TSE rejeita dados que permitem identificar disparos de “fake news” pelo WhatsApp

Documentos poderiam identificar empresários que fizeram uso de caixa 2 em esquema que espalhava mentiras em favor da candidatura de Jair Bolsonaro

Foto: Reprodição/Facebook

Da Rede Brasil Atual

O corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Og Fernandes, decidiu ignorar documentos do WhatsApp que permitiriam identificar os autores de disparos em massa nas eleições de 2018. Esses dados estão em posse da CPI das Fake News no Congresso Nacional e no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em São Paulo.

A CPI identificou 24 linhas celulares que foram responsáveis pela maior parte dos disparos em massa durante o período eleitoral. No entento, segundo o corregedor, a investigação estaria em fase “prematura”, faltando perícia da Polícia Federal (PF) nesta lista.

Essas 24 linhas fazem parte de um conjunto de 400 mil que foram banidas, segundo o WhatsApp, por uso irregular durante a eleição. Deste total, 55 mil tinham comportamento semelhante ao de robôs. São linhas com números dos Estados Unidos, Vietnã, Inglaterra e Brasil, mas operadas de dentro do Brasil.

Financiado ilegalmente por empresários com recursos não declarados (caixa 2), o esquema teria beneficiado a candidatura do atual presidente, Jair Bolsonaro. Essas contas compartilhavam notícias falsas para atacar o adversário Fernando Haddad (PT).

A ação no TSE investiga, justamente, o eventual abuso de poder econômico durante o pleito. Desde 2015, a legislação eleitoral brasileira proíbe empresários de fazer doações para campanhas políticas.

Cinco meses após pedido do PT, a juntada desse material, contudo, poderia atrasar o julgamento da ação, segundo o ministro corregedor. Em entrevista ao portal UOL, a advogada de Jair Bolsonaro, Karina Kufa, negou a participação do presidente no esquema.

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Confissões

Em vídeo postado nas redes sociais ainda durante a campanha para o primeiro turno das eleições de 2018, os empresários Luciano Hang, dono das lojas Havan, e Mário Gazin, também proprietário de uma rede varejista que leva seu sobrenome, confessam o crime de caixa 2. Naquele momento, eles pediam votos para Bolsonaro, “pra não ficar todo mundo gastando para o segundo turno”, segundo Gazin.

Não se sabe o destino dos referidos recursos, mas Hang é um dos investigados no inquérito do Supremo Tribunal Federal sobre o uso de fake news contra ministros do próprio STF. Da mesma forma, seria a continuidade da utilização do sistema de disparos que começou a operar antes, e também durante, a campanha eleitoral.

Ademais, o espanhol Luis Novoa, dono da empresa Enviawhatsapps, confirmou que empresários brasileiros contrataram programa de sua agência para fazer disparos de mensagens em favor de Bolsonaro (PSL). Em gravação divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, em junho de 2019, ele alega que só foi descobrir o uso político quando algumas linhas telefônicas utilizadas passaram a ser cortadas pelo aplicativo de mensagens

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4 comentários

  1. A pergunta é: isso é busca de justiça, seu org? Esta é a tipica de conduta desta coisa que nós chamamos de judiciário que me dá diarreia. Realmente é muito sacanagem desta tropa de toga.

  2. Quer dizer que apesar dos bolsonaristas aumentarem a pressão do ódio, da afronta, da ameaça, da chacota e da possibilidade de golpe que atropela gravemente o judiciário, com STF, TSE e tudo, ainda tem ministro que parece querer fazer média, querer pagar pra ver ou acusar o medo e falta de coragem em prosseguir avançando contra seus inimigos, que desesperados se tornarão mais perigos e belicistas do que já demonstram. Está correndo o risco de colocar a perder tudo o que foi conquistado com coragem e justiça pelos seus pares do STF. Onde nós iremos parar com autoridades que indicam que gostam de dar as mãos ao azar. Abra os olhos ministro e tire a corda do pescoço. Acorda ministro!

  3. Texto complicado hein! Parece uma bomba que fará um estrago nas nossas esperanças de ver a chapa criminosa ser cassada. Mas daí o corregedor diz que aceitar dados desses disparos poderia atrasar o julgamento de uma ação…e não há nenhum esclarecimento se de fato precisariam dos mesmos para julgarem e eventualmente condenarem (que é o que mais nos interessa para mandar essa chapa criminosa à p.q.p.). Ou será que estão dando um jeitinho cafajeste de alegarem falta de dados probatórios para cassar? Ou estão preferindo mesmo (CAFAJESTEMENTE) esperar por um impeachment onde o boçal será perdoado pelos outros cafajestes do centrão, ou, se vier a ser impedido de continuar, assumirá um fulano que manterá Guedes e toda sua política econômica genocida para o povo brasileiro…pois o empresariado cafajeste deste país não abre mão do neoliberalismo que os mantenha cada vez com mais rendas e fumo no rabo do trabalhadores……e daí só mesmo pegando firme nas atitudes para derrubar a direita mais filha da puta do mundo…..Preciso continuar rezando para criarem pena de morte e abrirem concurso para carrasco…pra guilhotinar pelo menos os piores bandidos dessa direita filha da puta.

  4. Noossaaaaa!!! Que surpresa!!!!Quem esperava-se que o maior chancelador do esquema de disparos de fakenews fosse ter qq interesse em investigá-lo?

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