Um bocadinho só

Dizem que a necessidade é a mãe da invenção.

Pois não é que a Europa está inventando uma moda que deixaria doido o pessoal do “Cansei”, aquele movimento contra os impostos.

Criou um imposto que atinge apenas os que têm renda superior a 500 mil euros por ano. Bagatela aí da casa de R$ 1,16 milhão ou R$100 mil mensais.

Essa turma vai pagar 3% a mais de imposto. Para quem está no “piso do teto”, R$ 36 mil anuais.
Depois que o milionário Warren Buffett publicou no The New York Times o artigo “Parem de mimar os super-ricos”- que a gente postou aqui, a coisa se espalhou pela Europa.

Liliane Bettencourt, de 87 anos, herdeira do grupo L’Oreal, e mais 16 das maiores fortunas da França divulgaram ontem uma carta aberta manifestando sua disposição de pagar mais impostos. Disposição nova, porque a própria Liliane, a mulher mais rica do país, ando às voltas recentemente com uma escândalo de sonegação de impostos através de contas na Suíça e nas Ilhas Seychelles.

Seja como for, o “bocadinho a mais” vai render por ano 200 bilhões de euros, perto de R$ 500 bilhões.

Mesmo assim, os mais ricos na França vão continuar pagando, proporcionalmente, mais impostos do que os mais pobres no Brasil.

Porque o imposto no Brasil é pago de forma injusta. Como a trubutação é regressiva, isto é, importa mais aos produtos e serviços que à renda, quanto mais pobre o cidadão, maior é o percentual que ele paga nestes impostos indiretos.

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Segundo o Ipea, os 10% mais pobres da população pagam, em impostos, o equivalente a 32,8% da sua renda, enquanto os 10% mais ricos pagam apenas 22,7%.

Este gráfico que ilustra o post, elaborado pela consultoria UHY, mostra que a nossa classe média também não fica atrás, em materia de tratamento injusto. Ele mostra a diferença média entre o imposto de renda pago entre os que tem renda de US$ 25 mil e US$ 200 mil anuais. E nós estamos entre as nações que menos diferença tem entre que pagam os “remediados” e os bem de vida.

Será que o pessoal do “Cansei” topa compensar a redução do imposto dos pobres por um “um bocadinho a mais” dos ricos?

 

Por: Fernando Brito

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