Uma Vasta Estrada Inca Poderá Ser da Humanidade

Do New York Times

É uma das Maravilhas da Engenharia Antiga, comparável ao antigo sistema romano de estradas, porém mais interessante, atravessa caminhos mais montanhosos por mais de 3.000 anos.

Qhapaq Ñan, (capac niãn) ou a Grande Estrada, tem conectado os povos do Peru, Colômbia, Equador, Argentina, Bolívia e Chile com seus milhares de quilômetros de estrada sinuosa, passando por deserto, picos andinos cobertos de neve e florestas tropicais.

Ligando Cuzco, a atual capital inca, no Peru, aos postos mais remotos do Império Inca, por ali passavam negociantes, soldados, mensageiros e por último os cavalos dos conquistadores.

Agora, depois de doze anos de esforços cooperativos e contradições, as seis nações concordaram e, juntas, pediram, nesta semana, à Organização Educacional, Cultural e Científica da ONU para anexá-la como Patrimônio da Humanidade. A estrada é uma das doze atrações (natural e cultural) recomendadas para o reconhecimento do Unesco World Heritage Committee,  que está reunido em Doha, Qatar.

Entre os sites da lista para designação estão: a Estrada da Seda na China; Cavernas Judaicas em Israel; a Caverna francesa contendo artes pré-históricas no Ardèche; o Rani-ki-Vav ou Poço da Rainha com Escada, do século 11 em Guajarat, na Índia. Mas, o único pedido feito por um esforço realizado por um pool de nações para proteger seu legado é o da estrada inca. Muito embora, as seis nações tenham um histórico de guerras datadas no século XIX, e um violento conflito entre Peru e Equador que perdurou até parte do século XX.

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 “Trata-se da maior obra de infra-estrutura de transporte no Mundo Novo” disse Gary Urton, professor de estudos pré-colombiano e chefe do departamento de antropologia da Universidade de Havart.

De acordo com o Conselho Internacional para Monumentos e Sítios, um grupo profissional que avalia as submissões ao comitê de patrimônio, as maiores ameaças à estrada, atualmente, são as ocupações por fazendeiros, aração por tratores particulares, torres de comunicações, linhas de transmissão, desenvolvimento urbano e mineração.

“Parte dela foi adaptada aos meios modernos de transporte, sendo asfaltada ou convertida em estrada para carros”, disseram os avaliadores. “A maior parte permanece com os materiais da era inca e é usada por pedestres e pessoas que utilizam cavalos, jegues ou mulas para se locomoverem”.

Dos 23.000 km originais, temos um trecho de, aproximadamente, 600 km que deve ser tombado com 273 instalações como templos, torres funerárias, fortalezas e estalagens.

No cenário que serviu de inspiração para o herói hollywoodiano, Indiana Jones, consta a última ponte de corda ainda existente, Qeswachaka, com 500 anos de fabricação, instalada sobre o Rio Apurimac, quatro horas de viagem ao sul de Cuzco.

 “O sistema começou a ser formado através de trilhas no ano 1.000 A.C.”, disse o professor Urton. “E foi desenvolvido em uma rede complexa pelos incas no século XV- D.C., portanto foi usado por 2500 anos, ou 3000 anos se calculado até o dia de hoje”.

Os Incas, que conseguiram um espetacular progresso como o maior império pré-colombiano da América do Sul, expandiram estas rotas para unir seu território à Cuzco e servir sua população de 40.000 pessoas espalhadas por todo o território. Os mensageiros carregavam instruções administrativas na forma de cordas com nós – os Incas não tinham linguagem escrita – os negociantes compravam e vendiam ouro ou cobre; conchas, armas, plumas, madeira, coca, tecidos e peixes frescos do Pacífico. Após a chegada dos conquistadores do norte, estes usaram a rede de estrada para rendê-los e expulsá-los para as remotas montanhas.

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