Vai vir a revolução?

Toward a popular uprising of resistance to unjust and immoral policies! Nonviolent democratic revolution!Estados Unidos – AlterNet – [Chris Hedges, tradução do Diário Liberdade] Os Americanos finalmente se decatam de que o Capitalismo Global é uma argalhada homicida.


 A repulsa popular polas elites governantes é quase universal. Haveremos ver uma sublevação?

«Já se perguntou alguma vez como é que o governo e o capitalismo continuam a existir apesar de todos os males e problemas que vêm causando no mundo?», escreveu o anarquista Alexander Berkman no seu ensaio «The Idea is the Thing» («A Ideia é a Cousa»).

«Se com efeito você já se tem feito essa pergunta, então a resposta deve ser que continuam a existir porque a gente as apoia, e se a gente as apoia é porque acredita nelas.»

Berkman tinha razão. Enquanto a maioria dos cidadãos acreditar nas ideias que justificam o capitalismo global, as instituições privadas e estaduais que servem os nossos amos corporativos permanecerão inexpugnáveis. Mas quando estas ideias são esnaquizadas, as instituições que suportam a classe dominante enfraquecem e ruem. A batalha das ideias está a se infiltrar debaixo da superfície. É uma batalha que os estados corporativos estão a perder devagarinho. Cada vez mais cidadãos americanos estão a se dar de conta. Eles sabem que temos sido desapossados de poder político. Eles reconhecem que nos têm chapodado as mais básicas e queridas liberdades civis, e que vivemos sob a mirada do aparato de segurança e vigilância mais intrusivo da história humana. A metade do país vive na pobreza. Muitos entre o resto de nós, se o estado corporativo não for derrubado, haveremos acabar como eles. Estas verdades não podem continuar agochadas.

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Parece ser que o fermento político está adormecido nos EUA. Mas não é assim. As ideias que sustêm o estado corporativo estão rapidamente a perder a sua eficácia por todo o arco politico. Todavia, as ideias que estão a surgir para ocupar esse lugar são imaturas. A direita tem-se retirado no cristianismo fascista e na celebração da cultura das armas. A esquerda, desequilibrada por décadas duma repressão feroz em nome do anticomunismo, está-se esforçando em reconstruir-se e autodefinir-se. A repulsa popular pola repressão do estado é, contudo, universal. A questão fulcral está em que ideias conseguirão suscitar o entusiasmo da gente.

A revolução explode normalmente à volta de acontecimentos que, em circunstâncias normais, seriam consideradas como carentes de significado ou como atos menores de injustiça por parte do estado. Mas uma vez que a acendalha da revolta se tem amoreado, como acontece agora nos EUA, uma faísca insignificante pode acender uma rebelião popular. Nenhuma pessoa ou movimento pode acender esta mecha. Ninguém sabe onde nem quando a erupção haverá ocorrer. Ninguém sabe que forma haverá tomar. Mas é uma certeza que a revolta popular está a caminho. A recusa do estado corporativo de atender mesmo as menores queixas dos cidadãos, junto com o fracasso total para remediar a crescente repressão estatal, o desemprego e subemprego crónicos, a enorme vassalagem da dívida, que está a tolher mais da metade dos Americanos, e mais a perda de esperança e o desespero generalizado, significam que uma implosão é inevitável.

«Como a revolução é a evolução no seu ponto de ebulição, não se pode “fazer” uma revolução real como também não se pode apressar a ebulição duma chaleira», escreveu Berkman. «É o lume debaixo dela que a faz ferver: a rapidez com que ela atingirá o ponto de ebulição dependerá da força que tenha esse lume.»

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As revoluções, quando irrompem, se afiguram às elites e ao establishment como repentinas e inesperadas. Isto é porque o verdadeiro trabalho de fermento revolucionário e conscientização é invisível para a sociedade em geral, e só se apercebe após ter sido acadado. Através da história, aqueles que têm procurado a mudança radical tiveram sempre que desacreditar as ideias empregadas para apoiar as elites governantes e construir ideias alternativas para a sociedade, ideias frequentemente consagradas num mito revolucionário utópico. A articulação dum socialismo viável como alternativa à tirania corporativista — como tenciona o livro “Imagine: Living in a Socialist USA” (“Imagine: vivendo nuns EUA socialistas”) e o site da internet “Popular Resistence” — é, para mim, primordial. Uma vez que as ideias mudam na grande parte da população, uma vez que a visão duma nova sociedade pega no magim popular, o velho regime morre.

 

 

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