Vamos ser sérios, comparar Bolsonaro a Hitler ou Mussolini é ridículo.

Nos últimos dias começam vários “proto progressistas” escrever textos comparando três figuras maléficas a história e aos seus povos entre si. Comparam esses progressistas de última hora as figuras de Bolsonaro Hitler e Mussolini, para tanto utilizam uma obra um tanto questionável de Umberto Eco o chamado Ur Fascismo ou o Fascismo Universal. Poderia explicar o porquê essa obra é altamente questionável, porém não perderei meu tempo nisso.

Querer comparar a figura patética de Bolsonaro com as figuras de Hitler e Mussolini é desviar o assunto das razões do fascismo e do papel representado por esses dois para aspectos meramente formais sem procurar entender o processo de introdução do fascismo em determinados estados e em determinadas épocas. Ou seja, se passa aos aspectos meramente simbólicos da ideologia no lugar de aspectos reais dela.

O fascismo italiano, que se diga de passagem foi elogiado por uma série de ícones da história universal, como o próprio Churchill tem que ser entendido nos motivos de sua origem, estes sim que encontram paralelos entre a história italiana e alemão da primeira metade do século XX, com a história brasileira do fim do século XX e início do século XXI.

O fascismo italiano tanto como o fascismo alemão tiveram como causa o forte movimento proletário e agrário italiano dos anos 20 do século passado e do movimento operário alemão. Aliado essa reação popular de esquerda que surgia nesses estados europeus, que vinham de um movimento de criação do estado nacional relativamente recente em termos de tempo histórico e de uma insatisfação de grande parte dos baixos quadros do exército de ambos os países que por motivos diferentes se achavam traídos pelas classes dominantes desses países.

Mussolini consegue dominar sua militância de origem lúmpen contando para isso o forte exército italiano que não havia perdido a guerra e com apoio do Rei e da grande burguesia industrial italiana que subvencionou o seu movimento, para conter essa militância lúmpen Mussolini permite que ela saqueie ao farto patrimônio imobiliário que possuíam historicamente as organizações de esquerda italiana e desenvolve programas sociais voltados para os mais pobres sobre o controle de organizações fascistas, pois de acordo com a ideologia nada poderia ser fora do fascismo. Mussolini assim como Hitler era um grande orador e seu gestual, que para muitos nos dias de hoje pode ser confundido como uma pantomina ridícula, servia para numa época sem telões e sem exibição direta de TV a dar visibilidade de seus gestos em grandes multidões que assistiam ao longe, ou seja, nada de ridículo, mas extremamente conveniente e de acordo com o ambiente. Também sobre os aspectos intelectuais, Mussolini estava muito longe de ser um idiota, não podemos esquecer que ele foi redator do maior jornal de esquerda na Itália antes de se tornar fascista.

Da mesma forma que Mussolini, Hitler era um grande orador, seu gestual era ensaiado no detalhe como se vê em ensaios fotográficos que o mesmo utilizou para simular seus gestos, mais Hitler do que Mussolini a simplificação utilizada através da farsa em atribuir aos judeus a derrota da primeira grande guerra, dotou-o de um discurso simplificador em que o inimigo interno, além dos comunistas em primeiro plano, eram os judeus que eram, segundo seu discurso simplificador, também comunistas. Bolsonaro perde o rumo do seu discurso devido ao seu apego e necessidade de apoio da família, se Bolsonaro tivesse algo de Mussolini ou de Hitler seus filhos já estariam suicidados e mortos em algum acidente de avião.

O carácter antiartístico da ideologia de Bolsonaro é mais devido a sua própria ignorância do que uma nova proposta estética criada tanto pelo fascismo italiano e alemão, pois esses dois criam uma nova estética baseada em seus próprios conceitos do que uma simples rejeição da atual proposta corrente, Bolsonaro diferentemente do que os dois líderes fascistas se cerca de imbecis e não de uma intelectualidade fascista que oscilava no apoio a Mussolini e se enquadravam em relação a Hitler, que os auxiliaram em muito na sustentação de seus regimes.

Para dar um exemplo da diferença dos auxiliares dos líderes fascistas de Bolsonaro é só compararmos a riforma Gentile, que foi a reforma do ensino italiano entre 1922 e 1923, considerada por Mussolini a mais fascistas da reformas, que subsistiu o fim do fascismo só sendo modificada em fins de 1962, ou seja, duas décadas após o término e a rejeição completa do fascismo na Itália. Ou seja, compararmos Danilo Gentili com Abraham Weintraub é algo como comparar uma pessoa a um sapo.

Se compararmos os colaboradores dos líderes fascistas da Itália e da Alemanha é uma verdadeira covardia. Muitos dos líderes fascistas eram a personificação do mal, como Heinrich Himmler e outros, porém Joseph Goebbels foi um gênio da propaganda moderna e uma Leni Riefenstahl com Regina Duarte é de morrer de rir.

Podemos simplesmente dizer, a doutrina fascista tanto a italiana como a alemã serviram ao grande capital italiano e alemão assim como o enriquecimento dessa, enquanto Bolsonaro serve a falência da nossa burguesia.

Outra comparação patética são os militares que cercavam Hitler durante o período de suas vitórias e os que cercam Bolsonaro, comparar  Generalfeldmarschall Erich von Manstein ou Erwin Rommel dois nazistas criminosos de primeira hora, com os generais Heleno e Mourão, é tão destoante que até os próprios generais brasileiros devem reconhecer a sua indigência intelectual perante esses estrategistas.

Talvez numa coisa Bolsonaro e Hitler sejam comparáveis, os dois quando os povos de seus países quando não servem aos seus projetos pessoais ele simplesmente nem se importam com a sua morte em massa, de fome e doença como faz Bolsonaro e de uma guerra perdida como Hitler. O Führer, assim como sua arremedo barato, nunca tiveram nem 1% da lealdade que seus seguidores tiveram, ou seja, se o líder morrer ou simplesmente for jogado na lixeira, que os seus povos que morram, pois olharam sempre para seus umbigos, nunca pensando em termos de nação ou de povo, ou eles ou nada.

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