Ventiladores e equipamentos não funcionam sozinhos.

Ontem ou mesmo hoje Trump se saldou a si mesmo como uma grande fábrica de ventiladores, porém essa angústia propagada pela imprensa universal da compra, construção ou até furto de ventiladores vai levar a um ganho na limitação de mortes que poderá ser um razoavelmente efetivo em poucas semanas da pandemia, entretanto logo veremos que há algo que estão esquecendo, esses ventiladores na prática não funcionam sozinhos e o número de óbitos de pessoas nestes equipamentos deverá nas próximas semanas aumentar expressivamente pela falta de profissionais para operá-los.

Li por aí que é necessário um enfermeiro especializado para cada dois ou três ventiladores, sendo que o número de médicos é um pouco mais folgado, porém outras pessoas de apoio são também necessárias, como fisioterapeutas e auxiliares sem curso superior, mas que necessitam treinamento de alguns meses.

Ou seja, na primeira semana em que a quantidade de internações supera o número de profissionais necessário para acompanhar os pacientes ligados a uma série de equipamentos nas UTI’s pode ser superado pelo uso desses profissionais em regime de muitas horas extras em todos os dias, porém esse regime leva as equipes a um desgaste físico e mental que não pode ser mantido por três, quatro ou mais semanas, os próprios responsáveis pela manutenção da vida dos pacientes começarão a comprometer a sua vida tanto pelo Covid-19 como por outras falhas físicas e/ou mentais causadas por um regime de trabalho muito intenso.

Além disso, está ocorrendo nos USA o ataque aos centros de tratamento semipúblicos ou públicos por empresas privadas, há ofertas de salários muito superior ao que eles ganham, inclusive instituições privadas estão chegando a fazer propostas a profissionais de New York, que é o centro da pandemia nos dias de hoje para trabalharem em locais com mais folga. Não acredito que nessa primeira onda da epidemia haja migração desses profissionais pois sabem que terminada a pandemia eles perderão seus empregos regiamente pagos e ficarão desempregados e com uma mancha no seu currículo, entretanto como há uma previsão de uma segunda, terceira ou mais ondas que sucederão essa primeira, a agressividade das instituições privadas provavelmente encontrarão fórmulas de drenar recursos humanos, inclusive do terceiro mundo, com propostas mais atraentes.

Em resumo, a luta pelos ventiladores, que já está sendo completamente suja, se estenderá aos operadores dessas máquinas de forma mais sistemática e mais suja ainda, retirando de países do terceiro mundo pessoas que farão imensa falta no seu país.

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