Viagem à nascente do rio São Francisco

Dois filetes d’água
e as pedras.

A água desliza na canastra de Minas,
canastra de pedra.

Um tamanduá abre os braços no caminho,
um gavião carcará vigia o horizonte,
um galito move o leme minúsculo,
um lobo guará sobe num monte
de pedras.

Tudo são pedras.

As pedras
e a água subliminar.

A casca da anta entre as pedras,
a água entre as pedras
e um pulmão explode
no ar.

A água de pedra
líquida
voa no ar
e corre entre as serras
de pedra.

E vai o Chiquinho
e doa
e abençoa.

(Mas hoje
o Chiquinho
morreu de sede.)

 

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