Vídeo mostra Bolsonaro recebendo pedido para criar um “gabinete das sombras” na pandemia

Gabinete paralelo foi sugestão de um médico que colocou em xeque as vacinas em desenvolvimento em 2020

Jornal GGN – Um vídeo resgatado e divulgado nesta sexta (4) com exclusividade pelo site Metrópoles ilustra como nasceu e operava o chamado gabinete paralelo de Jair Bolsonaro na pandemia. O vídeo mostra uma reunião de médicos que colocam as vacinas contra Covid-19 em desenvolvimento em suspeita e falar a favor da cloroquina, ignorando os riscos para pacientes cardíacos.

No registro, feito em meados de 2020, quando o governo já havia recebido ofertas de vacinas da Pfizer, aparecem a oncologista Nise Yamagushi – que negou a existência ou que ela faça parte de qualquer “gabinete paralelo” à CPI da Covid no Senado, nesta semana -, o deputado federal Osmar Terra, um dos mais ferrenhos negacionistas da pandemia, e o virologista Paulo Zanoto, entre outros médicos.

A participação de Zanoto no vídeo é um trunfo para a CPI, porque mostra o exato momento em que o médico admite que escreveu a Arthur Weintraub para sugerir a Bolsonaro a criação de um “shadow cabinet”, ou “gabinete das sombras”, para aconselhar o governo federal sobre vacinas e outros temas ligados à crise sanitária.

Zanoto explica que a ideia era que os médicos integrantes desse gabinete das sombras não fossem expostos à opinião pública. Ele ainda acrescentou que não participaria porque não é “especialista em vacinas”, dando a entender que os imunizantes seria o tema central do gabinete.

Diante de Bolsonaro, Osmar Terra e outros médicos que negavam os riscos da cloroquina no tratamento contra Covid-19, Zanoto afirmou que o coronavírus é uma doença que historicamente apresenta dificuldades no processo de desenvolvimento vacinal e, por isso, as vacinas que àquela altura estavam na fase 3 mereciam desconfiança, ele sugeriu.

A participação de Arthur Weintraub como um dos principais articuladores do gabinete paralelo já havia sido revelada pela imprensa há alguns dias. Em um vídeo nas redes sociais com Eduardo Bolsonaro, Weintraub diz que recebeu de Bolsonaro – que o chamava de “magrelo” – a missão de pesquisar contrapontos aos estudos científicos que vinham minando as decisões negacionistas do governo desde o começo da pandemia.

O gabinete paralelo em si foi levado à CPI pela primeira vez pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que afirmou que Bolsonaro não ouvia as recomendações da equipe técnica do Ministério da Saúde porque tinha um “assessoramento paralelo”.

Assista ao vídeo clicando aqui.

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