Volkswagen: O Carro Sem Povo

 

Volkswagen: o carro sem povo

https://www.youtube.com/watch?v=Js-3lTRxgXU

RAQUEL VARELA

O escândalo recente da falsificação de dispositivos, 11 milhões, que burlavam as emissões, tem outro escândalo tão ou mais grave nele contido, na verdade sem contenção social alguma – a permanente utilização de impostos de todos nós para a “economia verde” em que estas empresas, por meio de insenções, benefícios, e outros malabarismos fiscais recebem milhões para produzir carros “limpos”, quando na verdade a única coisa limpa para um liberal sério era a Volkswagen ser tratada como uma empresa privada igual ao café da esquina, pagar impostos, não receber dinheiro algum, ter inspecções regulares, e o dinheiro público ser usado para uma boa rede de transportes públicos gratuitos e universais, onde os próprios ex-trabalhadores da Volkswagen podiam ir trabalhar – a construir e manter comboios. Até porque com a queda do consumo interno, por via dos cortes de salários e aumentos de impostos, quem pagou a salvação da Volkswagen, nós também na Auto-Europa, agora tem carro mas não tem dinheiro para a gasolina e se tiver para a gasolina não tem para pagar o jantar – o carro está parado, é do povo mas o povo não anda nele.

A empresa quase colassou em 2008 (lembro que a Alemanha foi a seguir aos EUA e Inglaterra o país que mais ajudou a sua banca privada desvalorizada, em muitos sectores semi-falida, nomeadamente porque houve paragem da produção das grandes empresas a começar pelo sector automobilístico – muito mais que o subprime foi a GM, a Volkswagen, a Fiat – que está há 5 anos em lay off financiado pelo Estado italiano 28 dias por mês! trabalham 2…). Merkel reagiu usando o dinheiro dos contribuintes para uma mega operação de reconversão de carros, “incentivo” à compra de carro novo, insenção de impostos, etc. Como grosso a maioria dos contribuintes é quem trabalha e vive do salário a factura da queda do lucro da Volkswagen foi assumida “solidariamente” pelos trabalhadores e com o aval dos seus dirigentes sindicais e de quase todos os “ecologistas” deste mundo, que na comissão industrial patrões/trabalhadores, primeiro dentro da Alemanha e depois em Bruxelas, onde se sentam todas as comissões, ensinam ao resto do mundo como manter uma empresa a dar taxas médias de lucro sem gastar dinheiro próprio, usando claro o dinheiro dos outros e os dos próprios trabalhadores.

Finalmente a fraude mostra aquilo que os intelectuais críticos sempre têm afirmado – a corrupção é endémica na fase de declínio do capitalismo, ela na verdade não é exclusiva de nenhum modo de produção, corruptos há desde sempre, o problema é que por via da industrialização, da gigante arrecadação fiscal que é o Estado e da falência/ou colapso dos lucros de todas estas grandes empresas privadas que para manter lucros passaram a depender de dinheiros públicos, a corrupção tornou-se um polvo de dimensões jamais vistas. A lei da oferta e da procura deixa de existir, o liberalismo troca a mão invisível pelo braço pesado do Estado a colectar impostos para salvar estas empresas. E é onde elas são maiores que a corrupção será cada vez maior – nos países mais ricos, EUA e Alemanha. É certo que os primeiros já resolveram o problema – chamam-lhe lobby e legalizaram-no.

Os mais cínicos dirão que é inevitável, a corrupção está em nós. Não está no modo de produção. Com a mesma sinceridade com que um princípe medieval considerava inevitável ter servos a trabalhar para si ou na antiga Grécia era impensável não ter escravos.

 

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